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José Moreira Filho

Acadêmico da ALAMI

Reflexões

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07/11/2019 06h00
Por: Redação

FAMÍLIA

É sabido e constatado que a família tem sofrido, no decorrer dos tempos, toda sorte de interferência, positiva e negativa, do mundo contemporâneo. Influências que, queiramos ou não, tem modificado o comportamento das novas gerações em muitos aspectos. 

É comum vermos pais desesperados, professores aflitos e policiais apavorados diante, respectivamente, da reação dos filhos, dos alunos e dos adolescentes malfeitores. Geração que é fruto de uma série de fatores sociais, que por inovações aceleradas e acompanhamento lento e inadequado, possibilitou o surgimento do descompromisso, da insegurança, da irresponsabilidade e consequentemente da incompetência. Sem falar da insegurança e da ansiedade que tem levado atualmente muitos adolescentes ao suicídio.

O que procura a maioria de nossos jovens hoje? Não é o ser, mas o ter. E em muitos casos, o que é pior, procura o parecer ter e quando não conseguem são incapazes de lidar com a frustração. Não foi sempre assim. No decorrer dos tempos houve modificações importantes. Vejamos: em outros tempos as funções na família eram bem delineadas. O pai era o provedor e, portanto, era quem tinha o mando, era cultuado por respeito ou por receio. A mãe era a matrona, respondia pela lida da casa, educação dos filhos e a satisfação do marido. Seus sonhos e desejos eram secundários. E os filhos, aquela enorme prole, seguia as orientações, e quase sempre a profissão do patriarca. A mobilidade social era restrita e a família acabava sendo um bloco único formado de pai, mãe, filhos, netos e agregados. Hoje, talvez, já não podemos falar em um modelo único de família, pois várias configurações tem se formado, em função das mudanças econômicas, políticas e religiosas. Pois a manutenção do lar pode ser feita pela mulher, que hoje já é uma profissional em pé de igualdade com o homem. Há famílias sem a presença do pai, como também há aquelas sem a presença da mãe, e inclusive, com a abertura legal, existe a família chamada homoafetiva.  

O que não podemos nos esquecer, é que, apesar de tudo isso, algumas funções continuam sendo da família, principalmente no que se refere à educação. Pois valores fundamentais devem ser plantados a partir do útero materno. É no seio da família que se forma o caráter, o respeito por si e pelos os outros, a solidariedade, a honradez, a religiosidade e o amor. Essa função, como tem acontecido hoje, não pode ser delegada para a escola. A criança deve chegar à escola já com as sementes desses valores, onde deverão, isso sim, serem cultivadas. Nesse sentido presenciamos hoje uma polêmica: Quem deve orientar sexualmente nossos jovens e adolescentes? Quem tem a responsabilidade, a competência e o conhecimento para tal tarefa? Qual modelo de família é o mais adequado para isso? Aos pais, na atual configuração social, falta a presença e à escola ainda falta formação.

Enquanto isso, é necessário que reflitamos bem para encontrarmos o caminho mais salutar. Mais do que nunca, família e escola devem se dar as mãos, pois são os únicos que diretamente tem acesso e influência sobre essa camada da sociedade.

Quem sabe assim, muitos outros possam depois repetir com o padre Zezinho: “Das muitas coisas do meu tempo de criança, guardo vivo na lembrança o aconchego de meu lar.” E como ele, possamos chamar a isso de paz e não de utopia.

 

José Moreira Filho

Acadêmico da ALAMI

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