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Marcos Moreno

Marcos Moreno

Marcos MorenoSou Marcos Moreno, comunicador com vários anos dedicados ao trabalho de colunista e assessor de imprensa. Há alguns anos com trabalho na mídia impressa e eletrônica voltado para os animais, notadamente pets.

08/11/2019 06h00
Por: Redação

Pets veganos: nasce um novo — e caríssimo — mercado

Alimentação sem proteína animal e utensílios eco-friendly: os adeptos da vida ‘natural’ refletem seus hábitos na criação dos bichos de estimação

Um casal que não consome alimentos de origem animal, que mobiliou a casa sem uma única peça de plástico e que se locomove de bicicleta decide adotar um cãozinho de estimação. Pergunta: como vai alimentá-¬lo e acomodá-lo? A seu jeito, é óbvio, porque cara de um, focinho do outro. Com a fatia da população adepta da vida “natural” crescendo sem parar — segundo a Sociedade Vegetariana Brasileira, 14% dos brasileiros não consomem carne, por exemplo — e a loucura por pets beirando a epidemia, uma parcela do mercado está se especializando em atender caninos, felinos e outros desta nova era. Sim, já há veganos na pracinha. A mudança de hábitos pode soar estranha em se tratando de animais, cujo instinto mais forte é o da sobrevivência, mas fazer o que se o bicho é espelho do dono? Uma verdade antropologicamente sólida: pessoas escolhem animais que se parecem fisicamente com elas, como comprovam as pesquisas. “Antigamente o bicho de estimação ficava fora de casa, não participava da rotina dos donos. Agora ele é mais humanizado. O tratamento mudou e os hábitos de consumo, também”, diz Guilherme Martinez, gerente comercial da feira PET South America, a maior da América Latina, que monitora o avanço do segmento natureba no planeta pet.

 

E que planeta!

 De acordo com o IBGE, os lares do Brasil alojam 52 milhões de cães e 22 milhões de gatos, alcançando o quarto lugar no ranking mundial de população de animais de estimação. Essa bicharada movimenta um mercado que cresce 40% ao ano em faturamento e prevê amealhar 21 bilhões de reais em 2019, atrás apenas dos Estados Unidos (pela primeira vez o Brasil passou a China nesse departamento). “Trata-se de um claro reflexo do estilo de vida dos donos”, confirma Martinez.

O público-alvo varia de acordo com o grau de ortodoxia. Em um extremo desponta gente como a advogada Krystal Castor, 32 anos, que se apresenta como ativista do veganismo, o qual defende com garra (perdoe o trocadilho) na internet. “Não conseguiria viver de uma maneira e criar meus bichos de outra”, diz ela, dona de um border collie e de um gato anabel redpoint. Todo dia aparece uma boa-nova nessas antenadas prateleiras: muito acessório à base de fibra de arroz, caminhas de algodão 100% recicláveis e até cosméticos (veja o quadro abaixo). Tudo caríssimo, mas bichinhos com consciência ecológica pagam sem reclamar.

Na alimentação, nada é mais como antes nos potinhos de bambu. Para os autênticos cães veganos, proteínas animais são coisa de um passado a ser enterrado. As novas misturas, que combinam vegetais e frutas, podem ser preparadas em casa, porém já se acham em profusão no mercado. Há dez anos na produção de rações, a BF Foods, de Porto Alegre, inaugurou em 2018 uma linha à base de proteína de soja. A inspiração baixou em uma viagem aos Estados Unidos, onde essa é uma opção comum nas pet shops. “Ao longo deste primeiro ano, vimos um crescimento de 30% nas vendas de alimento vegano”, calcula Claudio Maia, gerente de marketing da marca gaúcha.

 

Mas, afinal, bicho pode deixar de comer carne?

 A Associação Veterinária Britânica (BVA, na sigla em inglês) estudou o assunto e concluiu que gatos têm de ter carne na dieta — os felinos são carnívoros obrigatórios e ela é imprescindível para seu desenvolvimento saudável. “Teoricamente, é possível criar cães com uma dieta vegetariana, mas os donos precisam se informar e acrescentar suplementos a ela, para prevenir doenças”, avisa Daniella dos Santos, vice-presidente da associação. Fica a pergunta que todo cachorro faria se pudesse falar: biscoitinho sabor bacon pode?

 

Cenas chocantes

Animais atingidos pelo óleo e resgatados por voluntários e especialistas podem levar seis meses para ser descontaminados do poluente. E há o risco de não conseguirem voltar ao hábitat natural. 

O professor Flávio José de Lima Silva, que coordena o Projeto Cetáceos da Costa Branca da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), responsável pelo resgate dos animais atingidos pelo óleo cru no Estado, descreve o caso como uma “catástrofe ambiental”. “É uma perda significativa, pois são animais em processo de extinção.”

Segundo ele, os animais são atingidos de forma intensa. “As tartarugas, quando sobem saindo da água para respirar, se deparam com uma mancha de óleo e acabam contaminadas em poucos instantes, o que pode levar à morte até imediata.”

Nas redes sociais, pessoas têm compartilhado vídeos que mostram os animais cobertos de óleo. Na maioria deles, a população tenta arrancar a sujeira do corpo dos bichos.

Apesar das tentativas humanas, o processo de recuperação dos animais é complexo e envolve até medicamentos. Por causa da complexidade, o especialista alerta que voluntários não devem devolver imediatamente ao mar os animais atingidos pelo óleo. “A gente oferece barreiras, que são protetores gástricos, renais e hepáticos, porque o animal pode estar se contaminando pela mucosa, pela corrente sanguínea.”

Após 24 horas desse procedimento, é iniciada a descontaminação. O excesso de óleo é retirado das mucosas e partes moles do corpo. Os animais são lavados com água, detergente neutro e outros produtos. Em seguida, são colocados em um tanque com água salgada para que sejam assistidos por veterinários e biólogos. “Serão analisados processos de natação, alimentação e excreção. Se ele está eliminando óleo pelas fezes ou não. Quando o animal para de eliminar óleo pelas fezes, é um sinal de que a substância já não está mais no trato gastrointestinal.”

Ao longo de 30 anos de docência e pesquisa, Silva diz que jamais presenciou um problema tão preocupante. “Nunca vi nada igual. As cenas são as mais chocantes que já vi na vida.”

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