Artigo

Aluizio Cezar Valladares Ribeiro

Servidor público/economista

Reflexões

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09/11/2019 06h00
Por: Redação

O marisco e os limpa vidros

O aquarismo é algo fascinante não só para quem tem a vontade da modelagem viva em um aquário, mas também aos inúmeros espectadores que visualizam e reparam na reprodução comportamental dos peixes naquele ambiente.

Em um aquário de água salgada, de difícil manejo por razões comparativas e dimensionais comparadas a origem, encontramos diversas espécies de peixes, moluscos, crustáceos, algas, corais, em suma, uma reprodução exuberante do ambiente submerso do mar.

Mas há uma peça importantíssima na manutenção deste sistema, o peixe limpa vidro, que faz a limpeza e deixa propício a vida naquele aquário.

Observando mais atentamente toda aquela vida, lá estavam crianças a observar todo o comportamento dos peixes que ali estavam, deixando a mercê de suas ingenuidades, as imaginações fluírem, quando de pronto a mais calada de todas começa a narrar: olhem só, também há um marisco no coral; ele está esbravejando porque não consegue acompanhar a movimentação dos demais peixes e crustáceos que lá estão; esbraveja de tal maneira que sufoca o bom senso e a conduta harmônica do aquário; se dirige aos peixes limpa vidros como fossem o responsáveis pelo bem estar de todos os peixes, se atrevendo ao ridículo de escrachar suas espécies.

Esta criança que se atreveu a narrar o que estava vendo nada mais é que uma classe de servidores públicos municipais que se indignaram com posicionamentos em redes sociais de um edil que não tem a compostura adequada de um representante do povo.

Este mesmo edil que transcende o próprio marisco do aquário, esquece a investidura do cargo e o decoro, pois a literatura exemplifica a vanguarda da “autoridade” no policiamento em agir, falar, ancorar-se no pudor e refugiar-se a moralidade, pois o bom costume afeta o todo, até mesmo seus contrários que mesmo entendendo não merecerem o apreço, mas a educação na expressão sim.

A forma politiqueira confunde com a política da pseudo denúncia que tenta ferir imagens, mas resvala na obrigação de fazê-la aos órgãos fiscalizadores na formalidade devida e no direito ao contraditório e da ampla defesa comum a todos, mas a selvageria da expressão em rede social parece que gera votos e traz o exemplo do embate.

O palavreado chulo e agressivo a toda classe que pertenço foi motivo de várias manifestações também em rede social e até mesmo esperançosa em tribuna, deixando aos vereadores a possibilidade da verificação em seu regimento a falta de decoro e a inércia de fiscalização promovida sem a devida investigação dos fatos, pois para a cobrança existir há de se ter pelo menos uma ordem de serviço para se executar qualquer tipo de tarefa.

O aspecto eleitoreiro empregado assusta pela forma agressiva demonstrada, deixando a mercê da sarjeta toda uma classe de servidores que trabalha diuturnamente para manter as condições básicas de saneamento a municipalidade, aliás, com uma história de há muito.

Quanto aos possíveis servidores que deixam a desejar por razões de ofício, todos sabemos que a condição humana assim estabelece no comprometimento, e todas as classes passam por isso, inclusive a de políticos, mas não são todos.

Enquanto isso o marisco fica à mercê da maré para se alimentar, enquanto os peixes do aquário movimentam a procura, mas os limpa vidros, se esforçam em deixar condições favoráveis para todos que ali habitam, mesmo que injuriados com a falta de compostura do marisco.

 

Aluizio Cezar Valladares Ribeiro – Servidor público/economista – [email protected]

 

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