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Arahilda Gomes Alves

Cadeira 33 ALTM; membro Academia Poetas Portugueses e Academia Letras e Artes Portugal

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10/11/2019 06h00
Por: Redação

Os Hinos do esquecimento

Como há dia pra tudo, destacar dias especiais para evocar hinos pátrios “santificados” por repetições constantes para não se perderem em jatos de grandes propulsões, é didática bem motivadora. Mas, para muitos, passam “batido” tais enunciados de esforçados literatos e músicos objetivando despertar civismo. Faz diferença entre esse termo e o que, hoje, medrosamente, aqui grafo: patriotismo. Se aquele é mais abrangente, na visão de um despertar de hábitos e atitudes, “patrioticamente” inseridos nas letras de nossos hinos, tal sentimento nobre, para certas pessoas e pessoas certas, dissolveu-se na linha do horizonte, lá pros lados das margens do Ipiranga, de um grito de morte. Tanto esforço pra depois, banir a figura indesejável de um Imperador-Pai abdicado de uma monarquia levando tempo para surgir uma República nascida forte e hoje, patinando para um autoritarismo descabido de siglas interesseiras e ambiciosas.

A letra de Medeiros e Albuquerque com música de Leopoldo Miguez do Hino à República(15/11) como menção honrosa ao vitorioso hino escolhido em concurso, na troca da sempre repetida música de Francisco Manoel com letras variáveis “ensinava” (vejam a colocação do tempo verbal no passado) o destaque do tema de que aquele hino seria “um hino de glória que fale/ de esperanças de um novo porvir...” O que se nos apresentam os dias de hoje do que um atual regime de desigualdade, de crises escorregadias em toneladas de reais propinas privilegiando “compadres”? Mas que “os apadrinhados, ” na força tarefa da Lava Jato lavando e esfregando sem parar, procuram investigar bilhões de desvios de um país profético e abençoado em seus Hinos caindo no esquecimento, ante ambições desmedidas nas delações premiadas!

Dois outros - o da Independência (07/09) e o da Bandeira (19/11) ecoam em ares brasileiros. Se Pedro 1 musicou na tarde de um sete de setembro de 1822 escrito às pressas pelo jornalista Evaristo da Veiga para que fosse cantado naquele dia de glória, analisemos a letra: Já podeis, filhos da pátria mãe gentil.... Brava gente brasileira/vá pra longe esse temor servil.

Um povo brasileiro clamando pelo banimento do jugo português e que se oferecia em holocausto para lutar por Independência ou Morte. Os versos musicados à Bandeira- de Olavo Bilac e Francisco Braga ecoavam: Tua nobre presença/nos traz à lembrança, a grandeza da pátria! Relíquias de um Brasil, em berço esplêndido! Mesmo evocado na ordem indireta, modismo da época.

Mas, nesse Brasil dividido por siglas de grande politicagem, que se ergam cartazes para que os corruptos “palacianos” cantem nossos hinos pátrios. E que não se permita desbravar cada vez mais nossa mata amazônica, quando a corrupção atingiu o ápice dos teimosos caras de pau. Será, que ouvidos a se fazerem surdos, já se esqueceram dos hinos pátrios entoados nas salas de aula das escolas frequentadas na infância? 

Tudo pela garra de um Brasil inteiro, porque não haverá madeira suficiente para modelarem os imensos narizes de Pinocchio...

 

Arahilda Gomes Alves - Cadeira 33 ALTM; membro Academia Poetas Portugueses e Academia Letras e Artes Portugal; cônsul Poetas Del Mundo; Academia Internacional do Brasil; diretora cofundadora Fórum Articulistas de Uberaba e Região. Partícipe Rede Sem Fronteiras; sócia Poemas à Flor da Pele. Escreve crônicas no JU desde 1993.

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