Prefeitura - Carnaval
Artigo

Guido Bilharinho

Advogado em Uberaba e autor de livros de literatura, cinema, estudos brasileiros, História do Brasil e regional

Reflexões

ReflexõesArtigos diários

14/11/2019 06h00
Por: Redação

PATRIMÔNIO CULTURAL: O CENTRO DA CIDADE

As arquitetas e professoras Andreia de Freitas Lopes e Ana Paula Enes de Barros publicaram no Jornal da Manhã, de 31 de outubro último, o ensaio “A Culpa Não é do Patrimônio Cultural”, que, como a denominação indica, tenta eximir de responsabilidade pelo engessamento do centro da cidade a série de tombamentos e inventariações nele procedida desde a década de 1980.

Para isso, suscitam dois argumentos a que atribuem o condão de justificar a assertiva.

O primeiro deles é de que existem no centro da cidade dezenas de imóveis desocupados ou vazios que não sofreram as aludidas restrições. Contudo, essa circunstância, que se repete nos bairros e em praticamente todas as cidades brasileiras, decorre da crise econômica pela qual passa o país, constituindo mais uma razão para não se colocar ônus, entraves e restrições sobre imóveis que, como quase todos os inventariados, pela sua localização atraem e justificam investimentos que vão movimentar a economia e dar empregos.

Outro, de que os problemas do centro decorrem de inúmeros fatores, entre os quais novas centralidades nos bairros, dificuldades de locomoção entre os novos bairros e o centro da cidade, retiradas de diversos órgãos (Prefeitura, Fórum, por exemplo), envelhecimento do comércio, má conservação de edifícios, falta de planejamento para a área, enchentes, valores imobiliários e locativos mais altos do que os dos bairros, etc.

Não se negam as citadas ocorrências, aliás, de fácil constatação. O centro da cidade padece das consequências desses e de outros fatores, a exemplo, entre estes, do BRT com a proibição de estacionamento em sua principal avenida e, ao contrário do que pretendem as Autoras, justamente também dos tombamentos e inventariações de imóveis procedidos na área.

O centro da cidade é afetado por todos os fatores elencados pelas Autoras mais os tombamentos e inventariações de imóveis e seus entornos, que têm impedido inúmeros investimentos revitalizadores da área, investimentos perdidos ou postergados que as ensaístas não se preocuparam em investigar.

Mas, é justamente aí que reside o problema.

As restrições que recaem sobre as dezenas e dezenas de imóveis particulares, além de provocar-lhes enorme desvalorização, ainda os retiram do mercado imobiliário, afastando a possibilidade de sua revitalização e substituição por construções modernas mais seguras e funcionais, condenando o centro a perene engessamento e deteriorização.

 

Guido Bilharinho - Advogado em Uberaba e autor de livros de literatura, cinema, estudos brasileiros, História do Brasil e regional editados em papel e, desde setembro/2017, um livro por mês no blog https://guidobilharinho.blogspot.com.br/

1comentário
500 caracteres restantes.
Seu nome
Cidade e estado
E-mail
Comentar
* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou com palavras ofensivas.
Mostrar mais comentários
Ele1 - Criar site de notícias