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Entrevista

Segurança pública é construída no dia a dia, diz cel. Peres

Ele destaca a queda no índice de criminalidade, que no acumulado de três anos chega a 70%

17/11/2019 06h00
Por: Redação
Comandante da 5ª RPM, cel. Peres: estamos criando uma malha de proteção na cidade - Foto: Sérgio Teixeira/5ª RPM
Comandante da 5ª RPM, cel. Peres: estamos criando uma malha de proteção na cidade - Foto: Sérgio Teixeira/5ª RPM

 

Maria das Graças Salvador

O comandante coronel Lupércio Peres Dalvas, Cel Peres, fala neste domingo sobre a segurança pública e de algumas ações que a Polícia Militar está implementando para garantir a segurança do cidadão. E destaca a queda no índice de criminalidade, que no acumulado de três anos chega a 70%. Mas afirma que o objetivo é não ter nenhum crime, porque apenas um já é ruim para o cidadão de bem. Dentre os projetos de destaque, o comandante fala do Olho Vivo, da Cidade Vigiada e da digitalização da rede, que tem garantido mais segurança e agilidade para o trabalho da polícia.

 

JORNAL DE UBERABA – Comandante Peres, como está a segurança em Uberaba e região?

Comandante coronel Lupércio Peres Dalvas – Eu estou há quase três anos à frente da 5ª Região da Polícia Militar [RPM] e estamos tendo reduções significativas nos índices da criminalidade. Logicamente que números não é um fim em si mesmo. Números simplesmente representam no sentido de você analisar os resultados e claro que um crime que aconteça para qualquer pessoa significa um aumento de 100%. Mas é interessante a gente verificar os números, porque eles também são importantes para verificar o direcionamento do serviço. De 2017 para 2018 nós tivemos uma redução na casa de 30% dos crimes violentos na região. Eu falo região, porque a 5ª RPM atende Uberaba e mais 29 cidades. Então são 30 cidades e sou responsável pelo policiamento ostensivo nestas 30 cidades do Triângulos Sul. As cidades maiores são Uberaba, Araxá, Frutal, Iturama, todas cercadas por municípios de menor porte. E estas cidades fazem limite com os estados de São Paulo, Goiás, Mato Grosso do Sul e é extremamente importante tanto para Minas Gerais como também para o país, principalmente porque estamos à frente do agronegócio. Mas retornando à questão das incidências criminais, nos tivemos uma redução considerável nos crimes violentos, que são aqueles crimes com uso de força física ou de arma e de grave ameaça contra a pessoa e que mais incomoda o cidadão, por colocar em risco a integridade física, como roubo, homicídio, homicídio tentado. 

 

JU – E quais foram estes índices?

Cel. Peres – Tivemos uma redução de 30% de 2017, em 2018 foi de 32,90% e em 2019 estamos oscilando entre 22 e 26% de redução. É uma redução considerável, que se colocar no tempo ultrapassa 70% de redução nos índices da criminalidade violenta. Tivemos 12% de redução nos homicídios neste ano até setembro, 22,40% nos crimes violentos, 16% nos furtos; 34,26 em roubos de veículos na região e 37,44% em Uberaba. Os crimes violentos na zona rural tiveram redução de 12,79%, furto na área rural de 12,40% e furtos em Uberaba, 16,16%. E também tivemos aumento no número de operações. Em 2018 foram realizadas 70.948 operações e neste ano foram 75.176 operações, um aumento de 5,7%. Isso demonstra que os policiais estão ativos, fazendo muitas prisões, prevenindo o crime. O melhor que efetuar a prisão é prevenir e evitar que ele aconteça. É lógico que a prisão é importante, porque surte efeito preventivo, porque aquele indivíduo que é contumaz na prática de crime, vai ter uma redução considerável e perder aquela sensação de impunidade. Os trabalhos vêm apresentando seus resultados e isso é fruto de toda a tropa, de todos os policiais militares que saem do conforto do seu lar a proteger o cidadão de bem, que é o nosso objetivo maior: a proteção da sociedade ordeira e de bem.

 

JU – Vocês têm vários projetos que ajudam na redução do crime?

Cel. Peres – São diversos projetos, que iniciamos lá atrás. Alguns já conseguimos efetivar plenamente e outros ainda estão em transição e outros temos objetivos de implementar na nossa região Um dos objetivos maiores desde que não chegamos aqui, que era acoplar a tecnologia na segurança pública, para colocar a tecnologia a nosso favor. A tecnologia já chegou no campo e verificamos um maquinário extremamente capaz fazer colheitas e outras situações no campo. Estamos trazendo a tecnologia para a segurança pública. Já tínhamos alguns projetos implementados, como a base de segurança comunitária. Em Uberaba nós temos 12, temos uma em Araxá com probabilidade de estender este projeto. A Polícia Militar tem vários portifólio de serviços, porque não podemos focar em um único portfólio. Cada portfólio de serviço tem uma finalidade. Por exemplo, temos o 190, que é aquele militar que está para atender o público quando você liga pedindo o policiamento porque aconteceu ou vai acontecer algum fato. Tem o portfólio da viatura que vai fazer esse atendimento vai fazer esse deslocamento, o da viatura que faz o preventivo, a patrulha de operações o tático móvel, que são as viaturas que estão no repressivo e no preventivo, para evitar que o fato aconteça. E se por acaso o fato acontecer, dar uma pronta resposta de forma imediata. Temos a Patrulha Rural, a Patrulha do Meio Ambiente que é o militar que vai cuidar das questões do meio ambiente e da proteção do proprietário rural e a faz prisão de marginais que atuam no campo. Temos o portfólio da Polícia Rodoviária Estadual, o Proerd, que são militares que vão nas escolas para formação de repressão às drogas e evitar que a juventude entre no mundo das. A base de segurança comunitária é um portfólio de serviços e foi colocada de forma estratégica para proteger a região e temos 12 em Uberaba. Foi feito um estudo e é ponto de referência para os cidadãos tem duas motos para fazer o patrulhamento. É como se a gente tivesse uma grande malha protetora sobre Uberaba. Se você pegar as 12 bases espalhadas e com raio que elas fazem o patrulhamento, são duas motos em cada base então são 24 motos que cobrem a cidade inteira. E em Araxá acontece a mesma coisa.  E ela é uma base tecnológica, com câmeras acopladas.

 

JU – E elas integram com o Olho Vivo?

Cel. Peres – Sim, elas podem integrar ao Olho Vivo e esse processo de integração está em andamento. Mas elas hoje já têm câmeras que filmam e registram a parte interna e externa e o policial já faz ocorrência.  Mesmo que precise fazer o rastreamento, uns policiais fazem isso. É a tecnologia acoplada ao processo.

 

JU – E a digitalização da rede?

Cel. Peres – Este é um projeto importante.  A gente quer digitalizar toda nossa região. Hoje nós temos na polícia a rede rádio analógica, e estamos transformando para digital. É uma tecnologia nova que dá mais segurança para as comunicações da Polícia Militar. Não sei se você se recorda, mas as pessoas entravam na rede da polícia quando era analógica, tinha acesso às informações de caráter sigiloso. Às vezes as pessoas chegavas a atrapalhar a atuação policial. A sistemática foi digitalizar essa rede com uma tecnologia mais nova, segurança maior e que permite ao policial a garantia de que a rede é segura. Nós digitalizamos com investimento na faixa de R$ 400 mil só para digitalizar. Já tínhamos alguma infraestrutura na instituição, no final ficou na faixa de R$ 1 milhão para digitalização por que o equipamento é caro. Segurança pública é caro, digitalizamos aqui e Araxá e fomos a Brasília e estamos na expectativa de digitalizar todo o Triângulo e Alto Paranaíba.

 

JU – Quando o secretário de Estado de Segurança Pública esteve aqui, o senhor pediu ajuda para receber esta verba de Brasília...

Cel. Peres – Ele se comprometeu em buscar esse recurso, que já está aprovado, é uma verba na faixa de R$ 15 milhões que vai favorecer a 5ª Região, no Triângulo Sul, mas também região de Uberlândia, que hoje já está avançada na digitalização, e a região de Patos de Minas. Com essa digitalização, toda nossa região vai estar integrada. Nós estamos aguardando que isso evolua e acreditamos que esse recurso vai sair. Por isso nós pedimos o secretário de Justiça e Segurança Pública que interviesse também para agilizar este processo. Nós já estamos com várias torres já com comodato e com possibilidade de utilização. Se tivesse este recurso, com seguiremos implementar. Tenho expectativas que este ano ainda venha este recurso para podermos operacionalizar ainda mais esse degrau, que é a digitalização total. Porque ai o 190 poderá ter um controle maior da rede rádio e é realmente um plus considerável para que a gente possa ter uma evolução.

 

Ju – E como está a Cidade Vigiada, porque vocês fazem parte desta integração.

Cel. Peres – Em 2017, quando a gente chegou, reunimos 30 prefeitos das cidades ou representante e demonstramos o OCR, que é leitor de reconhecimento de placa, um reconhecimento óptico de caracteres. Nós já temos este projeto implementado em Sacramento, que saiu na frente e este sistema OCR já permitiu uma redução criminal considerável em Sacramento, já fruto do trabalho e que refletiu na cidade de Conquista, que está a 17 km. Várias cidades já foram até Sacramento para verificar esse modelo e em Uberaba, o prefeito Paulo Piau se comprometeu a implementar e já está com o processo em andamento. Acreditamos que até o final do ano, no máximo início do ano vindouro já consiga se resolver. Realmente é a tecnologia agindo em prol da segurança pública. O OCR é um software que pode ser conectado a qualquer câmera digital e permite quando veículo tem queixa de furto ou roubo, já emite um sinal imediatamente para a polícia, vem para o Copom e a polícia já é avisada. Ao invés de ficar consultando todas as placas, o próprio sistema já vai no banco de dados de veículos roubados ou furtados e passa informação. O sistema é muito maior do que isso, permite, por exemplo, que o operador verifique todos os veículos que passaram por aquelas câmeras, todos os veículos que passaram com uma letra. Permite verificar se o veículo que passou não tem IPVA pago, consegue fazer qualquer consulta. A Cidade Vigiada, terminologia utilizada em Uberaba, é nada mais do que o OCR, e que não substitui o Olho Vivo. As pessoas confundem, mas este sistema vai fazer essa leitura por câmeras focadas para as pistas. Já o Olho Vivo, que são as câmeras que tem o speed dome e que monitoram em um raio de 360 graus, monitora aquela região. O Olho Vivo é complementar ao OCR e não são substituíveis. São finalidades, formatos e objetivos diferentes. O Olho Vivo continua sendo importante para a cidade, porque tem um monitor, uma pessoa monitorando. Se tem um suspeito, já monitória, por exemplo, um possível arrombamento a uma loja, ele dá um zoom de 800 metros e consegue verificar o que está acontecendo e até evitar um crime.

 

JU – Ele tem ajudado na apuração de crimes? 

Cel. Peres – O Olho Vivo foi essencial na tarefa que nós tivemos no assalto ao Banco do Brasil, por que ele propiciou identificar por onde os marginais estavam entrando. Mesmo que depois eles destruíram parte das câmeras, mas nós conseguimos muita informação com o Olho Vivo. Só de destruir uma câmera, você já ganha tempo porque sabe que tem uma coisa de irregular. Segurança pública é isso, e o Olho Vivo é uma ferramenta extremamente importante que Uberaba e outras cidades têm para que a gente não possa se perder no tempo com este equipamento tão importante.

 

JU – O senhor quer colocar mais alguma coisa?

Cel. Peres – A questão de segurança pública é construída no dia a dia. É importante as pessoas terem essa conscientização. Quando trabalhamos nos órgãos de sistema, integrado com a sociedade, com certeza os resultados serão potencializados, serão melhores. É exatamente isso, ter esse entendimento da sociedade. A Polícia Militar é patrimônio do povo mineiro, entrada de todos nós. Se precisarem, procurem a companhia que está mais próxima de você, uma das bases. Temos alguns serviços como a Rede de Vizinhos Protegidos, Rede de Comerciantes Protegidos, Rede de Propriedades Rurais Protegidas, que são serviços prestados pela instituição. Monte uma Rede de Vizinhos Protegidos na sua rua, com a participação da Polícia Militar, para que você não se preocupe com as questões de segurança, porque você vai ter um ambiente muito mais seguro.

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