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Fernando Cunha

Palestrante

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19/11/2019 06h00
Por: Redação

O poder da oratória

Na Grécia antiga, quando Demóstenes discursava todos se encantavam com sua oratória influente e persuasiva, pois, além de sua eloquência notável, havia coerência entre o que ele falava e o que fazia. Demóstenes era íntegro, responsável e comprometido com as causas que defendia, bem numa época em que a população necessitava de modelos dignos de credibilidade. Mas ele não foi um orador nato. Teve que estudar e treinar muito para conquistar o título de maior orador da Grécia. Antes de conseguir realizar o seu sonho, foi motivo de risadas e críticas. Conta-se que, para vencer a gagueira, forçava-se a falar com pedras na boca e declamava poemas enquanto corria contra o vento na praia.

Na atualidade, muitas lideranças reclamam que os seus colaboradores não entendem o que eles dizem, que estão resignados e que quase nunca fazem o que é determinado. Quando falam de oportunidades e desafios, os liderados entendem que terão mais trabalho duro pela frente. Quando falam sobre mudanças necessárias, os liderados entendem que haverá demissões e corte de benefícios. Quando falam sobre qualificação de mão de obra, os liderados entendem que haverá mais treinamentos inúteis no fim de semana. Quando falam de projetos de melhoria de relacionamento entre empresa e colaboradores, os liderados entendem “blá, blá, blá”. 

O problema pode estar na maneira como os superiores se comunicam com suas equipes. A responsabilidade pelo entendimento das metas e diretrizes não é só de quem as recebe, mas, principalmente, de quem as transmite. Há uma extrema necessidade de líderes desenvolverem suas habilidades de comunicação, pois são eles que dão explicações à alta direção quando as equipes não apresentam resultados satisfatórios. Independentemente da maneira que as equipes trabalhem, os líderes são sempre os responsáveis diretos pelos resultados. Então, cabe a eles encontrarem a “sintonia” certa para que a comunicação seja mais eficaz com seus colaboradores e diferentes públicos. E onde está a dificuldade nisso? 

Muitos líderes de empresas e instituições não reconhecem que comunicação é uma área do conhecimento que merece atenção e investimento. Dificilmente, alguém que não seja profissional de comunicação investe em algum curso para se aperfeiçoar nesta área, seja para melhorar a sua comunicação verbal (oratória) ou escrita. A maioria dos profissionais prefere buscar aperfeiçoamento em suas próprias áreas de atuação através de cursos de especialização e MBA e, raramente, investe seu tempo e dinheiro na melhoria de seus processos de comunicação oral e técnicas de apresentação em público.

O investidor e filantropo estadunidense Warren Buffet afirma que a boa capacidade de comunicação em público aumenta em 50% o nosso valor de capital humano. Seguindo essa mesma linha de pensamento, uma pesquisa realizada pelo Wall Street Journal entrevistou executivos de recrutamento e seleção de empresas de pequeno, médio e grande porte. 89% dos entrevistados destacaram que uma das competências mais valorizadas nos profissionais é a capacidade de comunicação e de se relacionar com as outras pessoas. Ou seja, quem não investe em comunicação está perdendo oportunidades incríveis de se destacar no mercado.

É importante esclarecer que uma boa oratória não é só “falar bonito”. O roteiro pode até ser bem elaborado, com palavras eloquentes e inspiradoras, mas se o objetivo do discurso é mal interpretado, ele perde totalmente a eficácia. Quando o orador descobre, valoriza e respeita os verdadeiros anseios do público, ele consegue alinhar melhor o conteúdo e a forma da apresentação para atingir às reais expectativas de seus ouvintes. Por isso, antes de preparar um discurso é importante se perguntar: “o que o público deseja ouvir de mim”? “Como posso incrementar minha apresentação para causar mais impacto emocional nas pessoas”? “Quais expressões corporais posso usar em determinados momentos para potencializar a minha fala”?    

Se o desejo dos colaboradores da sua empresa é ter um melhor ambiente de trabalho, demonstre o quanto o bom desempenho de cada um pode contribuir para que isso se torne realidade. Se o maior anseio da equipe é ganhar mais dinheiro, mostre como o cumprimento das metas pode ajudá-la a alcançar seus objetivos financeiros. Todo discurso deve levar a alguma ação imediata, pois, como dizem Leny Kyrillos e Milton Jung na obra Comunicar para Liderar (Ed. Contexto), “o que importa são os motivos que nos levam a fazer o que fazemos”.

 

Fernando Cunha - Palestrante

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