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Paulo Nogueira

Jornalista - Membro da Associação Brasileira de Jornalismo Científico

Reflexões

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22/11/2019 06h00
Por: Redação

RECONHECIMENTO PROFISSIONAL: UMA QUESTÃO DE RESPEITO

Se observarmos a natureza, por exemplo, notaremos que nosso cãozinho de estimação faz muita graça para chamar a atenção, as flores utilizam seus coloridos para atrair ou afastar insetos, as árvores utilizam o movimento de suas folhas ao vento para serem mais ou menos notadas, os peixes do mar usam suas caudas e colorido para se esconderem ou para serem admirados. Os países, por exemplo, fazem guerras por honra, para defender interesses, as pessoas lutam por condições melhores de vida, sejam trabalhando, estudando, ou os dois, para se sentirem aceitos e prestigiados e ainda, encontrar satisfação através do trabalho.

De fato a sociologia apresenta muitos sinônimos para designar diferentes aspectos de respeito, status, prestigio, reconhecimento, honra, dignidade. São muitas definições embora sejam simples abstrações, mas estas sensações, estão presentes em nosso quotidiano. E assim caminha nossa vida, nesse jogo que não é lido, nem visto, por exemplo, na rua, pelo contato do olhar ou da linguagem do corpo, as pessoas jogam o jogo do “eu não lhe farei mal”, ou do “eu gostei de você”, ou do “você tem alguma coisa que me interessa”.  Quando as pessoas jogam bem esses instrumentos sociais elas entram em contato com o desconhecido, se envolvem emocionalmente com os acontecimentos impessoais e até se engajam em instituições. Porém, a relação entre esses sentimentos é muito complicada. Vejamos por exemplo o caso de status e prestígio.

Uma pessoa rica e corrupta pode perder seu prestígio devido à corrupção, mas na maioria das vezes conserva seu status e os privilégios legais, devido a sua fortuna. Ou ainda, o prestígio profissional nos mostra que os artesãos, artistas e outros, que fazem de suas obras, trabalhos úteis e independentes, têm um prestígio diferente dos de diretores de grandes empresas que são rodeados por verdadeiros aparatos hierárquicos e estratégicos e na verdade não têm um dom semelhante ao do artesão ou artista. Compreendemos então que o prestigio pode se mudar de pessoas a objetos, exemplo um Porche ou uma BMW é um bem que por si só indica prestígio, não importa quem seja seu proprietário. Seria então prestígio um sinônimo suficiente para expressar respeito? Entendo que não. Percebemos então que falta alguma coisa para unir o sentimento de importância ou necessidade do exercício das profissões, assim me vem à palavra reconhecimento, embora ela não seja tão abrangente para uma tomada de consciência da necessidade mútua de reconhecimento, que também pode significar o respeito pelas necessidades daqueles que não têm o mesmo ponto de vista que nós, de maneira que seus interesses contrariam nossos interesses. Dessa forma chegamos à palavra honra, que tem um “quê” de antigo, fora de moda, mas é fundamental para a vida social.

A honra antes de tudo é um código de conduta que nos obriga a determinadas atitudes como por exemplo, quando se dirige uma escola infantil, ou de jovens, ou uma casa para idosos, uma empresa e a seriedade, as responsabilidades e cuidados, que cada caso requer. A honra marca então um limite pouco visível, apagado da fronteira das distancias sociais, ou seja, segundo Pierre Bourdieu, “sempre que uma pessoa exerce um cargo ou uma profissão reflete a imagem que tem de si idêntica à imagem que os outros fazem dele, porque sabe que os outros vêm nele aquilo que esperam dele e o que querem que ele seja”.  Pelo menos deveria ser sempre assim, mas os exemplos de exceção à regra estão pelo mundo. Esse senso comum é proveniente da dignidade, da fé (seja ela qual for), da comunicação entre os seres humanos e das artes e suas expressões e também do trabalho.

É o valor que o indivíduo dá ao seu trabalho que define a ética, a honra do cidadão que se respeita. Por este motivo é que a dignidade do trabalho tornou-se um valor universal. A medida Provisória editada pelo governo número 905/2019, que cria o programa Verde Amarelo, acaba com a exigência de registro profissional para jornalistas, radialistas e publicitários. A MP elimina ainda a exigência legal de diploma de jornalismo para o exercício de algumas funções. A medida já foi enviada ao Congresso Nacional. A Associação Brasileira de Imprensa está convocando reunião com a Fenaj e representantes de todos os sindicatos oficiais dos jornalistas para debater e articular formas de enfrentar esta onda de ataques à profissão.

 

Paulo Nogueira – Jornalista - Membro da Associação Brasileira de Jornalismo Científico

 

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