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Mancha de óleo

Marinha diz que 4.700 toneladas já foram recolhidas

Nas praias do Rio de Janeiro, foram encontradas 320 gramas de óleo

01/12/2019 06h00
Por: Redação
Grupo de Acompanhamento e Avaliação concede coletiva de imprensa sobre óleo no litoral - Foto: Luiz Felipe Barbiéri/G1 Política
Grupo de Acompanhamento e Avaliação concede coletiva de imprensa sobre óleo no litoral - Foto: Luiz Felipe Barbiéri/G1 Política

O Grupo de Acompanhamento e Avaliação (GAA), formado por Marinha, Agência Nacional de Petróleo (ANP) e Ibama, informou nesta sexta-feira (29) que 4.700 toneladas de resíduos já foram recolhidas do litoral brasileiro.

As autoridades concederam entrevista coletiva nesta sexta para um balanço das ações tomadas para conter o derramamento de óleo nas praias do Nordeste. “Nessa fase de monitoramento nós verificamos uma estabilização da situação”, disse nesta sexta o almirante de esquadra Campos, que coordena o grupo.

O monitoramento das áreas atingidas mostra que, na última semana, 99% das ocorrências correspondem a vestígios de óleo nas praias atingidas. Nas praias do Rio de Janeiro, foram encontradas 320 gramas de óleo.

De acordo com nota divulgada pelo grupo nesta quinta-feira (28), desde o registro da primeira ocorrência pelo derramamento óleo, em agosto, 803 localidades foram atingidas. Ainda conforme o órgão, há 19 dias não são encontradas manchas de óleo no mar.

As primeiras manchas foram vistas no dia 30 de agosto, em praias da Paraíba. Segundo o Ibama, foram feitos quatro registros nas praias Bela, Gramame, Jacumã e Tambaba nesta data.

 

Desastre natural descartado – Segundo o almirante Campos, a investigação da Marinha já descartou a possibilidade de desastre natural, ocorrida em razão de fissuras geológicas no fundo do oceano.

“[A Marinha] Não vê mais hoje a possibilidade de que tenha sido exsudação, um fenômeno natural em que o óleo começa a vazar pelo oceano, fluir. Pode ser também uma prospecção de petróleo, também um poço, uma rachadura, uma fissura geológica. Algo natural. Isso a Marinha já descartou essa possibilidade”, disse Campos.

Segundo o almirante, o grupo ainda investiga a probabilidade de naufrágio. Campos informou que estão sendo analisados, inclusive, naufrágios antigos, da época da Segunda Guerra Mundial, mas as chances de que isso tenha ocorrido são baixas.

“O mais provável é o transito de embarcações com o derramamento desse óleo acidentalmente ou não”, disse.

 

Investigações – O grupo não deu detalhes do andamento das investigações. Segundo Campos, os inquéritos criminal e administrativo abertos para apurar a responsabilidade sobre o derramamento conta com a interação de órgãos como Polícia Federal, Interpol e autoridades marítimas de diversos países, inclusive da Venezuela, local de onde o petróleo foi extraído.

“Temos a Organização Marítima Internacional que estamos também envolvendo. São questões ligadas à área internacional. É uma investigação colaborativa e requer mais do que nunca essa interação entre os órgãos para que a gente possa elucidar esse caso, inclusive a Venezuela”, declarou.

O governo federal não concluiu as investigações sobre a origem do óleo. As apurações indicaram que a substância é a mesma em todos os locais afetados: petróleo cru. Uma investigação da Polícia Federal no Rio Grande do Norte chegou a apontar o navio grego Bouboulina como o principal suspeito pelo vazamento. A Marinha disse que a embarcação é uma entre as 30 suspeitas.

A empresa Delta Tankers, responsável pelo navio, afirma ter provas de que o Bouboulina não tem relação com o incidente. A Delta foi notificada pela Marinha brasileira junto com responsáveis por outras quatro embarcações de bandeira grega.

No dia 15, a consultoria americana SkyTruth publicou um artigo dizendo que não concorda com a análise que aponta suspeitas sobre o Bouboulina.

A organização, especializada em monitorar os oceanos por meio de imagens de satélite, disse que não viu “nenhuma evidência convincente de manchas ou fontes de óleo nas imagens” e que “não concorda” com as análises publicadas “por outras pessoas que alegam ter resolvido o mistério”. Em uma nota técnica, o Ibama diz que “não há condições” de encontrar manchas em alto mar com uso de satélites.

 

Operações no litoral – Os trabalhos contam com o apoio de 10 mil militares da Marinha, do Exército e da Força Aérea, além de 5 mil servidores e funcionários do Ibama, Instituto Chico Mendes, Defesa Civil e Petrobras.

Segundo o almirante, a Operação Amazônia Azul terá três fases. A primeira é direcionada à remediação e mitigação dos danos causados pelo aparecimento das manchas de óleo e começou após o aparecimento das primeiras manchas de óleo nas praias. Essa fase deve prosseguir até 20 de dezembro.

A segunda fase será de manutenção e controle, em que os trabalhos estarão concentrados em estabelecer um planejamento para empregar as forças do grupo e controlar novas manchas.

O almirante afirmou que na última semana, apenas vestígios do material foram encontrados no Maranhão, Piauí, Pernambuco, Alagoas e Rio de Janeiro. Além disso, a Marinha anunciou que o grupo vai ser transferido para o Rio de Janeiro. De lá será comandada a fase de monitoramento.

“Nossa expectativa é devolver pra ao sociedade conhecimento, informações que possam reduzir os impactos que nós tivemos”, afirmou o coordenador cientifico do grupo de acompanhamento, professor doutor Ricardo Coutinho

“Vamos estabelecer ações imediatas de médio e longo prazo para monitoramento e recuperação dos ecossistemas atingidos”, disse. Segundo Coutinho, em 12 de dezembro será realizada uma grande reunião em Salvador para avaliar como as medidas a serem propostas pelo grupo científico poderão ser implementadas.

 

Destinação de resíduos – Conforme o coordenador de atendimento a acidentes ambientais do Ibama, Marcelo Amorim, o óleo recolhido das praias é depositado em um local temporário indicado pelo município em que foi encontrado.

Na sequência, os resíduos têm uma destinação final sob responsabilidade do Estado, que podem ser aterros sanitários industriais.

De acordo com Amorim, o Grupo de Acompanhamento e Avaliação tem dado suporte ao processo, contatando cimenteiras, que usam os resíduos em sua fabricação.

“Atualmente a grande maioria está indo para as cimenteiras. No caso do Ceará, todo o óleo foi para a cimenteira da Votorantim. O mesmo se dá no caso de Sergipe, indo para uma cimenteira localizada no município de Laranjeiras”, afirmou o coordenador.

 

Consumo de alimentos – As autoridades não souberam informar se os alimentos marinhos provenientes de áreas atingidas são seguros para alimentação.

“As orientações são do Ministério da Saúde e do Mapa [Ministério da Agricultura e Pecuária] sobre essas questões. O nosso trabalho é um trabalho de coordenação e integração com o comitê de suporte”, disse o almirante Campos.

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