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Guido Bilharinho

Advogado em Uberaba e autor de livros de literatura, cinema, estudos brasileiros, História do Brasil e regional

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05/12/2019 06h00
Por: Redação

O Cinema Mudo Brasileiro (I)

Primórdios

A partir da primeira sessão pública de cinema no país, ocorrida no Rio de Janeiro em 8 de julho de 1896 (seis meses e alguns dias após a exibição inaugural em Paris), desencadeia-se o cinema no Brasil, acontecendo as primeiras filmagens já em 1898.

 

Década de 1900

Um dos primeiros filmes nacionais de sucesso é Rocca, Carletto e Pegatto na Casa de Detenção, de 1906, produzido por Pascoal Segreto, documentário sobre crime que abalara o Rio nesse ano. Depois dele, e sobre o mesmo tema, obtém sucesso o filme Os Estranguladores (de 1906 segundo uns, de 1908 conforme outros), dirigido por Francisco Marzullo.

Ainda em 1908 são realizados quatro filmes dessa natureza: O Crime da Mala (I), produzido pela Empresa Cinematográfica Paulista; O Crime da Mala (II), por Francisco Serrador; A Mala Sinistra (I), por Labanca, Leal & Cia.; e A Mala Sinistra (II), por Marc Ferrez.

Em 1910 surge o primeiro documentário de longa-metragem, Imigração e Colonização no Estado de São Paulo, de João Stamato.

Nessa mesma época, com início em 1908, entram em moda os “filmes cantantes”, musicais no decorrer de cujas exibições cantores postam-se atrás das telas, interpretando as canções previstas no roteiro. Destacam-se, entre outras, duas versões de A Viúva Alegre (1909), por Labanca, Leal & Cia., ambas realizadas no Rio, além de Tosca (1909), por Francisco Senador, em São Paulo; e Sonho de Valsa (1909) e o Chantecler (1910), ambas produzidas no Rio por William Auler.

Os produtores – não se podendo falar ainda propriamente de diretores – mais importantes do período são os citados Francisco Serrador, William Auler e Labanca & Leal.

Contudo, o maior sucesso do gênero e das duas primeiras décadas do século XX em todos os gêneros, é Paz e Amor (1910/RJ), produzido por W. Auler, com argumento de José do Patrocínio Filho.

Além dos filmes cantantes, são realizadas comédias, salientando-se, em 1908, Nhô Anastácio Chegou de Viagem, produzida por Marc Ferrez e focalizando as andanças de velho roceiro no Rio pela primeira vez; O Comprador de Ratos, baseado na compra de ratos pela Saúde Pública para combate à peste bubônica; e, em 1909, Pega na Chaleira, sátira a costumes e acontecimentos políticos da época; e O Fósforo Eleitoral, crítica ao processo eleitoral no Rio. 

Destacam-se, ainda, produzidos no Rio, os dramas A Cabana do Pai Tomás, baseado no romance homônimo de Harrriet Beecher Stowe; O Remorso Vivo, em peça de Furtado Coelho e Joaquim Serra; e Dona Inês de Castro, no drama homônimo de Júlio de Castilho.

O primeiro romance brasileiro levado à tela é O Guarani, de José Alencar, em 1908, produzido no Rio por Labanca.

Nessa primeira década do século filmam-se também documentários de acontecimentos, atualidades e noticiários em Curitiba (Giuseppe Felippi e Aníbal Requião), Porto Alegre e Pelotas (o mesmo Felippi, Eduardo Hirtz, Nicola Petrelli e Jacinto Ferrari), Belo Horizonte (Aristides Junqueira) e, não obstante com menos intensidade, em Manaus, Belém e Salvador. O único filme de ficção regional do período é Ranchinho do Sertão, de Eduardo Hirtz.

 

Guido Bilharinho - Advogado em Uberaba e autor de livros de literatura, cinema, estudos brasileiros, História do Brasil e regional editados em papel e, desde setembro/2017, um livro por mês no blog https://guidobilharinho.blogspot.com.br/

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