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Artigo

Paulo Nogueira

Jornalista

Reflexões

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06/12/2019 06h00
Por: Redação

QUEDAS, O PERIGO NOS CAMINHOS DOS IDOSOS

Mais da metade do atendimento médico de idosos em unidades hospitalares refere-se a quedas em casa. Até 2025 o Brasil terá cerca de 32 milhões de pessoas com 60 anos ou mais. O envelhecimento populacional pode vir acompanhado de um aumento crescente e acelerado de eventos incapacitantes, entre os quais, as temidas quedas. Estudos da Sociedade Brasileira de Geriatria apontam que a frequência de quedas é maior entre mulheres do que em homens da mesma faixa etária. A análise revela, ainda, que a ocorrência de quedas por faixa etária, a cada ano, é de 32% em pacientes de 65 a 74 anos, de 35% em idosos de 75 a 84 anos, e de 51% em pessoas acima de 85 anos. Ou seja, o avanço da idade aumenta os riscos de queda.

“A prevenção leva a um envelhecimento com menor comprometimento da estrutura muscular e óssea, diminuindo os riscos de queda. Já depois dos 60 anos é preciso manter uma rotina de exercícios não só para o corpo, mas também para o cérebro, estimulando um bom funcionamento cognitivo. Uma mente saudável pode evitar uma série de problemas nos idosos”, afirma. Ainda, de acordo com a especialista Marina Faria, em idosos, as quedas repetidas e sem causa óbvia, deixaram de ser aceitas como apenas consequências da idade, caracterizando-se como sinais de distúrbios orgânicos relacionados principalmente ao sistema musculoesquelético e aos centros nervosos de integração sensorial e controle da locomoção. Do que morreu Gugu Liberato?

Ele morreu de traumatismo craniano após queda de nível, cerca de 4 metros, na casa nova recém adquirida no mesmo condomínio que morava em Orlando, EUA. Negativo! Gugu morreu de decisão errada. Ele acreditou ter condições físicas e cognitivas para subir em um lugar perigoso e negligenciou o risco de queda. Erro na tomada de decisão e quedas são dois gigantes da geriatria que causam muitas mortes todos os anos entre os idosos. Gugu tinha 60 anos. Pelas leis brasileiras ele era considerado idoso. Hoje, muitos sessentões podem contrapor essa prerrogativa legal, pois não à toa se diz “os 60 são os novos 40”. Fato que verifico na prática - tenho pouquíssimos pacientes de consultório com menos de 70 anos. “Velho é quem tem mais de 75 anos”, dizem. E estão certos por vários ângulos.

Mas, não por todos. Todos devemos primar por nossa segurança, desde o uso do cinto de segurança, até mesmo olhando onde pisamos e/ou subimos. O número de idosos que cai e quebra o fêmur por ter subido numa simples banqueta ou por ter tropeçado no caminho que sempre faz dentro da própria casa é enorme! Na geriatria jamais tiramos o poder de decisão do idoso. Cabe a nós apenas salientar que a capacidade funcional diminui inexoravelmente, aumentando a chance de risco com movimentos considerados habituais para os jovens. Ou seja, pode fazer, mas pense duas vezes antes com o cérebro no modo da idade que ele realmente tem. Segurança é a palavra de ordem nas quedas evitáveis, disse o médico geriatra Carlos Sperandio. 

 

Paulo Nogueira – Jornalista - Membro da Associação Brasileira de Jornalismo Científico

 

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