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Marco Túlio Oliveira Reis

Advogado

Reflexões

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13/12/2019 06h00
Por: Redação

REFLEXÕES DA MEIA-IDADE 

Reconheço, estou na meia-idade! Aliás, dela já passei, posto que, tenho mais passado que futuro, é fato. Contudo, reconheço dela a influência no modo de pensar e agir, não me furto. Estou na meia idade!

A ela atribuo a gravidade dos meus dias, ainda que não me leve, nem os meus atos tão à sério. Vou vivendo meus dias pralapracateando.

Sorrio, sorrio às largas, e isso irrita muita gente, especialmente os fascistas – é, eles voltaram e se reproduzem feito ratos – nunca pensei em tê-los quando à meia-idade. Eles estão aí, são tantos e muitos e estão sempre ao redor.

E eles são raivosos, e quando rio, se exaltam, mais se enraivecem... não suportam a alegria, a leveza do pensar e do sentir. Não suportam a solidariedade, as paixões, preocupam-se com o amor alheio, é, a forma de amar das pessoas também os preocupa.

Detestam pessoas sensíveis, educadas, gentis, são amargos, agressivos, autoritários e mentirosos, usam a mentira para atingirem seus propósitos, e ultimamente, uma legião os segue.

Me entristeço, tenho medo até – a perversidade dos fascistas não tem limites, a meia-idade em que me encontro, desaconselha a enfrenta-los como merecem, todavia, faço o que posso – ainda seja isso tão pouco.

Sei de pessoas livres e de bons costumes que sempre flertam com eles, mesmo quando a história denuncia a farsa e alardeia experiências mal sucedidas, conheço muitos que dele se enamoram – isso me apavora.

Aos poucos cavam masmorras à virtude e erguem suntuosos templos ao vício – os fascistas transformam a centelha do mal, que habita a natureza humana, em fogueira inquisitória.

Mas talvez seja essa reflexão que faço, mero aviso da insanidade que se aproxima, afinal, estou na meia-idade.

Não pretendo ditar regras de meia-idade, muito menos, a elas me submeter, lanço flechas em alvos incertos – talvez um ou outro, pasmo de susto, descubra-se, enamorado dessa maldição fascista e rompa de imediato com essa incestuosa relação – porém, sempre há um porém, a meia-idade me faz descrente.

A areia move-se até mesmo com o vento brando, mas retém, com vigor extremo, as rodas da minha bicicleta... é isso, a meia-idade passeia comigo pela rua da Fresca em Paraty.

 

Marco Túlio Oliveira Reis - Advogado

 

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