Saúde

Superintendente se defende de acusações “machistas”

Eles afirmam que a atual gestão está fazendo campanha contra os médicos

12/01/2020 06h00
Por: Redação
Servidores do HC da UFTM, entre a área administrativa e médicos, reafirmam a denúncia de desmantelamento do hospital e de perseguição - Foto: Arquivo
Servidores do HC da UFTM, entre a área administrativa e médicos, reafirmam a denúncia de desmantelamento do hospital e de perseguição - Foto: Arquivo

 

Maria das Graças Salvador

Servidores do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Triângulo Mineiro procuraram a reportagem do JORNAL DE UBERABA para reafirmar que as denúncias contra a gestão da instituição, que saíram na edição do dia 8 são verdadeiras. 

“A superintendente afastou todos os seus apoiadores e retirou pessoas chaves da administração para colocar pessoas que não conhecem e não têm capacidade. A equipe que foi trocada estava trabalhando na qualificação do hospital, ligada ao Setor de Vigilância e Qualidade em Saúde. Perdemos este trabalho, estávamos quase conquistando a qualificação”, afirma um dos servidores.

Eles também afirmam que agora a atual gestão, além de ter retirado a equipe da chefia de qualificação, está fazendo campanha contra os médicos e já afirmou que quer acabar com a hegemonia dos médicos. “É perseguição, estamos em uma ditadura e a direção não atende ninguém, a diretora administrativa não fica no hospital. A própria superintendente disse em uma reunião que irá acabar com a hegemonia dos médicos. Não existe planejamento e o hospital está devolvendo verba por falta de gestão. A capacidade instalada é a área física, recursos humanos e materiais e se está com problema é por falta de gestão. Está faltando material e as cirurgias eletivas não estão acontecendo por isso, é por incompetência e falta de organização. É preciso de alguém para fazer gestão. Estão faltando coisas básicas, como goro, avental fio de náilon. A falta de cirurgias é por falta de material e isso é falta de gestão. Os médicos estão acuados, a direção está jogando um contra o outro e ameaçando de corte de carga horária”, afirmam alguns médicos que pediram para não ter seus nomes relevados para evitar retaliações.

Os médicos também afirmaram que a direção está acabando com a residência médica e que as cirurgias eletivas são para o aprendizado. “Se estão cortando as cirurgias eletivas, não tem como acontecer o aprendizado, o ensino. Realmente está desarticulando e desmantelando o hospital. Estão fechando a clínica cirúrgica e se não tem cirurgias eletivas, a residência na especialidade acaba, e vai acabar as outras, já que a cirúrgica impacta nas demais. E, mais que os estudantes que precisam do ensino, o prejudicado será a população de Uberaba e região”, afirmam.

Em relação à regulação de leitos, o grupo afirma que dentro do hospital é um cargo de confiança e está nas mãos de dois servidores que não entendem do funcionamento, “por isso não está funcionando a regulação dentro do hospital. É uma realidade. A atual gestão tem de apresentar dados da gestão dela, que começou em agosto de 2019, entretanto apresentou dados do período anterior a agosto, porque não tem dados dos últimos meses. 

 

Superintendente nega acusações e se defende

A superintendente do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Triângulo Mineiro, Ana Lúcia de Assis Simões, nega as acusações.

“Falo com muita tranquilidade, porque eu tenho muita clareza do que levam as pessoas a dizerem isso. Primeira coisa é um fato constatado, eu gosto de trabalhar com fatos. Eu fui convidada a estar aqui na posição que estou hoje e eu acho que toda empresa, toda instituição, precisa de uma oxigenação, de renovação. Nós estamos trazendo pessoas com olhares diferentes, com vivências diferentes até para serem tocadas pelos problemas de uma maneira diferente e trazerem soluções diferentes. Isso incomodou principalmente pessoas que já estavam na gestão há algum tempo e que não se sentiram tranquilas de deixarem seus cargos. Eu entendo, para mim é muito claro, que nenhuma pessoa é insubstituível, em nenhum lugar. Talvez na família seja a única instituição que as pessoas são insubstituíveis, mas em uma organização, numa empresa não. Especialmente no serviço público e eu acho que nós temos muitas pessoas com grandes potenciais, com muito conhecimento e que podem dar sua contribuição. Eu tenho muita tranquilidade de entender a crítica, sei que são pessoas que podem estar chateadas por terem perdido os seus cargos, em algum momento elas fazem menção até à remuneração. Realmente é uma remuneração interessante e eu sei que a pessoa perder isso ela pode ficar chateada, sim, mas seguramente eu posso dizer que eu e toda minha equipe estamos fazendo o maior jus por aqui. O que a gente recebe por estar, ficamos de oito a dez horas por dia dentro desse hospital, vivenciando todas as situações, acompanhando, apoiando e protegendo as pessoas que estão aqui. Com muita tranquilidade eu digo que essas denúncias, essas críticas são de pessoas que, por algum motivo, não aceitaram a nossa vinda para cá”, diz a superintendente.

Ainda segundo a superintendente, o que está acontecendo pode ser até mesmo preconceito. “Essa não é uma situação nova no hospital, que sempre passou, e eu diria até que muitas vezes, por períodos mais críticos do que é esse. Estive na reitoria por cinco anos acompanhando muito de perto esse hospital. Seguramente algumas situações que a gente tem vivido de desabastecimento, de falta de medicamentos, que não foram geradas na minha gestão porque eu já cheguei aqui com essa constatação, elas existem com muita frequência. Eu diria que essa fala do desmantelamento deve vir de algumas pessoas que não concordaram e que não aceitaram com a minha nomeação. Aí eu posso dizer, até talvez por uma questão corporativa de alguma categoria profissional e até mesmo de uma questão machista. Imagina, pela primeira vez na história deste hospital uma enfermeira e uma mulher assumir a superintendência, foi algo realmente que feriu o orgulho de alguns colegas daqui, especialmente pessoas que perderam seus cargos. Então, quando se critica a nova gestão é importante avaliar realmente de onde que está vindo a crítica, muitas pessoas que você quer atender. Mas, enfim, eu respeito e entendo. O que eu tenho para mim é que a minha equipe é uma equipe altamente qualificada. Eu trouxe pessoas para compor a nossa equipe de gestão com experiência em saúde, com experiência em gestão, nenhuma delas está assumindo um cargo de gestão pela primeira vez. São pessoas diferentes do que a gestão do hospital já vinha vivenciando há muitos anos”, desabafa Ana Lúcia.

E diz: “O tempo vai mostrar os resultados do trabalho. Essa realmente foi uma decisão acertada.” (MGS)

Superintendente Ana Lúcia Simões afirma que acusações são injustas e está oxigenando a gestão do HC/UFTM -Foto: Adolfo/UFTM

 

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