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Prof. Décio Bragança

Prof. Décio Bragança

Prof. Décio BragançaGraduado em Letras pelas Faculdades Integradas Santo Tomás de Aquino (Uberaba, 1972). Especialista em Metodologia do Ensino Superior pela Universidade Federal de Santa Catarina (Uberaba, 1982. Especialista em Língua Portuguesa pelas Faculdades Integradas de Uberaba em convênio com a UNICAMP (Uberaba, 1987). Cronista de Rádio às quartas feiras e de Jornal quintas feiras, na cidade de Uberaba.

12/01/2020 06h00
Por: Redação

A força do querer é maior do que qualquer obstáculo - No espírito de ano novo ainda, sabemos que há muita coisa em nós para ser mudado. Primeiro passo, talvez seja a con-versão, a troca de um coração de pedra para um coração que ama e perdoa, solidário e fraterno. Somos individualistas teimosos, intolerantes sádicos, consumistas inveterados. O fato é que nos conhecemos muito pouco e por isso também conhecemos menos ainda o outro, os muitos outros. Nesse sentido, a educação é de fundamental importância, porque somente através dela nos informamos, nos formamos, nos reformamos, nos transformamos e buscamos os valores do amor, da convivência, da vida. Tudo acontece de dentro para fora. Isso não significa que devamos aceitar cega, surda e mudamente as condições econômicas, políticas e sociais. 

 

Você é muito maior do que todos os seus sonhos - Não podemos esconder o sol com pe-neira: estamos, muitas vezes, sendo moldados de fora para dentro, através dos meios de comunicação e informação, das ideologias do mercado e neoliberais, dos interesses e in-tenções alheias aos valores verdadeiramente humanos e humanamente verdadeiros. Há um clima de violência de todas as formas e fórmulas, parado no ar, afugentando a ética e o diálogo, a lucidez e paciência, a serenidade e compreensão, o crescimento e realização pessoal e de todos. Estamos cada vez mais distantes da gratuidade, da generosidade, da necessidade, da fecundidade do amor. A grande revolução, sempre temida pelos podero-sos e donos do poder, é o amor. O amor, queiramos ou não, é o único critério de salva-ção e de libertação pessoal e social. 

 

O amor é tão forte que deixa todo o organismo em alerta - Sem amor, a vida se banaliza como se a felicidade fosse a liberdade de consumir. Os interesses econômicos são a prio-ridade de nossa sociedade, dita pós-moderna. Viver é muito perigoso e muito difícil, plagiando João Guimarães Rosa. Muitos ainda vivem em condições desumanas: sem es-goto e água tratada e encanada, sem teto e sem alimentos, sem uma pedra onde possa descansar a cabeça. Mas, isso não nos incomoda, enquanto tivermos um bom travessei-ro e uma boa cama. O individualismo é, talvez seja a maior marca de nossos tempos e da cultura mercadológica da modernidade. A questão é que o individualismo pode ser uma força destrutiva da própria felicidade. Vencer na vida não é tudo. Depende sempre de que tipo de vitória, de como chegou à vitória. 

 

Você será sempre a possibilidade de realização dos outros - Chegar a ter uma situação econômica cômoda e tranquila não é o objetivo final da vida. Buscar com todas as for-ças e energias, com unhas e dentes, a realização pessoa não é a meta única da vida. Mui-tas vezes quem se agarra muito a si mesmo, perde a possibilidade de novos encontros e deixa a felicidade escapar-lhe pelos dedos. Tudo em sociedade é um aprendizado. Nin-guém nasce brasileiro, aprende a sê-lo. Ninguém nasce cristão, aprende a sê-lo. Ninguém nasce homem, aprende a sê-lo. Ninguém nasce sábio, aprende a sê-lo. Isso não significa que sejamos desenraizados, sem heranças e memórias genéticas, mas as circunstâncias – o aqui e o agora – podem nos ser favoráveis ou desfavoráveis. Muitos ainda não têm os seus plenos direitos garantidos – o que gera muitas desigualdades. 

 

O amor é invisível e só você pode torná-lo visível - Estamos presenciando e vivendo mo-mentos de uma grande diáspora mundial – a experiência da migração dos povos – o que significa um verdadeiro desenraizamento. Isso para dizer que a pobreza e a miséria são produtos de uma política internacional desumana. As pessoas precisam de colo e pátria, carinho e endereço, afeto e acolhimento, aconchego e alimentos, raízes e fraternidade. A rua, o bairro, a cidade, o país, o mundo tudo tem de ser um lugar fraterno. Não há outro caminho. Xenofobia, homofobia e tantas outras fobias, acrescidas da cultura mercadoló-gica e ideologias do sofrimento, das dores e da morte, só criam pessoas marginalizadas, porque sem esperança e sem paz.  Daí a importância de conversão e de libertação, assi-naladas no início deste texto. 

 

Vale a pena correr todos os riscos para amar e ser amado - Cada um de nós cada vez mais se fecha dentro de si mesmo, de suas convicções e de suas casas, deixando os ou-tros e o mundo seguir seu próprio destino de aflição e trevas, porque sem dignidade e respeito. Isso é a verdadeira injustiça. Não é justo alguns terem tanto e muitos não terem nada. Só o amor é capaz de redimir, de resgatar, de salvar, de libertar a todos e a cada um. A Terra é o nosso lar, o nosso país é a Terra, como nos ensina aquela música divul-gada pela ONU sobre migração, imigração dos povos. É preciso cuidar de nossa casa, onde moram todos os nossos irmãos, filhos de um mesmo pai-Deus e da mãe-Terra. To-dos e cada um de nós recebeu dons e talentos, aptidões e potências, forças e energias pa-ra o próprio bem e o bem de todos. Dons, talentos têm de ser partilhados, compartilha-dos, distribuídos, colocados a serviço. Sirvamo-nos uns aos outros – uma prova da gra-tuidade do amor e da justiça. 

 

A força do amor reside no perigo que ele representa - Ninguém nasceu para dominar, aproveitar, abusar, adestrar, domar, possuir o mundo, as coisas e as pessoas. Quem exerce o poder ou tem mais obrigações e deveres para com os outros. Afinal, somos to-dos servidores uns dos outros, porque fermento, sal, luz, graça. Nascemos, sim, para servir, já que vivemos na mesma casa e formamos um grupo de irmãos. Uma casa – ra-zão de sua existência – é lugar privilegiado do aconchego, do carinho, do afeto, da acei-tação, do respeito, do colo, do ombro, sempre cheia de esperança e amor. Outro mundo é possível com novos homens e novas mulheres, apesar de termos consciência de que, em muitos momentos, vivemos no meio de muitas maldades e maledicências, incompre-ensões e discriminações, calúnias e desprezo, injúrias e apatia, delações e sofrimentos. 

 

Vale a pena a esperança e o encantamento pela vida - A ordem é deixar as nossas ofer-tas e oferendas no altar e buscar a reconciliação, a solidariedade, a justiça. Ninguém ama a Deus e despreza o outro – exemplo primordial do farisaísmo, do fingimento, da insen-satez, da falsidade, da mentira, da fé descompromissada. Há muita ganância e cobiça, idolatrias e paixões desordenadas, roubos e assaltos, crimes e pecados, desperdício e drogas, falta de oportunidades e chances de libertação, porque cremos num novo deus: o mercado. Tudo virou mercadoria e tudo e todos têm um preço. Sem saída e opções, nós nos deixamos levar por caminhos não tão humanos e fraternos. Não há salvação fora do amor e fraternidade – rir com os que riem e chorar com os que choram. Resistir é preci-so. Desobedecer aos apelos do mercado é essencial.