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Agronegócio

Trigo no Cerrado: presente e futuro promissor

Somente em Minas, o volume da área trigo aumentou mais de 280% sobre a safra de 2011

15/01/2020 06h00
Por: Redação
Programa de melhoramento focado no Cerrado já apresentou progresso para maior resistência à Brusone na folha e na espiga - Foto: Divulgação Coopadap
Programa de melhoramento focado no Cerrado já apresentou progresso para maior resistência à Brusone na folha e na espiga - Foto: Divulgação Coopadap

Nos últimos anos novas regiões expandiram as áreas de produção e de abastecimento de trigo no Brasil. Do Sul, de onde se concentravam as maiores áreas de trigo, o cultivo agora vem ganhando espaço nas lavouras dos estados de Goiás, Distrito Federal, Bahia, Mato Grosso do Sul, São Paulo e, principalmente, Minas Gerais. As lavouras mineiras, que na safra 2019 chegaram a 87,9 mil hectares, ficaram atrás somente do Paraná, que possui a maior extensão em lavouras, com 1 milhão de hectares, e do Rio Grande do Sul, que tem a segunda maior área, com 702,2 mil hectares, segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Somente em Minas, o volume da área trigo aumentou mais de 280% sobre a safra de 2011 e o futuro se mostra ainda mais promissor. Por gerar farinha de excelente qualidade industrial, colher em uma janela ainda de entressafra e estar próximo da demanda consumidora, o Cerrado certamente contribuirá para o Brasil diminuir sua dependência pela importação de trigo.  Com a introdução de novas tecnologias previstas para a as próximas safras, como cultivares adaptadas para o Cerrado, de características e ciclos distintos, o produtor dessas regiões poderá eleger quais materiais se adaptam melhor à sua região, além de poder escalonar a semeadura de acordo com o fim do período de chuvas.

Na safra 2020, por exemplo, a cultivar TBIO Aton, estará disponível para os triticultores em toda a região do Cerrado. A variedade é fruto de uma nova visão da Biotrigo com relação ao Cerrado, que também contempla a implantação do quarto programa de melhoramento, focado exclusivamente para a região. Segundo o melhorista da Biotrigo, André Schönhofen, que é responsável pelo programa, a cultivar TBIO Aton combina um tipo de planta moderno com rusticidade do sistema radicular e sanidade de planta.

 

Demandas do Cerrado – Boleslau Wesgueber Júnior, engenheiro agrônomo e consultor da BWJ Agrícola com atuação nos estados de Goiás, Minas Gerais e Distrito Federal, comenta as principais demandas da produção de trigo no Cerrado, como boa qualidade de grãos, produtividade, precocidade, resistência ao acamamento e ainda um baixo fator de reprodução para nematoides. Segundo ele, além das particularidades da região, a safra de 2019 foi desafiadora devido às condições anormais de precipitação e temperatura durante a safrinha que causaram doenças foliares e Brusone na espiga.

“O Cerrado tem uma condição expressiva de crescimento para a cultura do trigo, mas para isso acontecer, o produtor precisa ter confiança e segurança no material que ele vai colocar no campo. Ano passado, por exemplo, foi um ano que teve um crescimento muito grande da área de trigo, mas ao mesmo tempo aconteceu uma frustração muito grande porque os materiais utilizados na safra passada pelos produtores não tiveram o comportamento esperado diante da doença. Por isso, a resistência à Brusone é primordial para que se tenha segurança de plantar trigo, visto que a eficiência do controle químico é muito baixa”, disse Boleslau, que destacou ainda que a região demanda por cultivares com ciclos menores. “Como a água é um
fator limitante, precisamos de um forte posicionamento para plantar cultivares de ciclo precoce e, principalmente, dentro do mês de março. Com isso, é possível reduzir o risco da chuva no espigamento”, finaliza.

 

Três pilares – O engenheiro agrônomo e supervisor comercial para a região do Cerrado da Biotrigo, Deodato Matias Junior, explica que para que o produtor ganhe confiança na cultura do trigo, sem dúvida é importante a atenção do melhoramento em três pilares: rendimento, qualidade e segurança. “Alto rendimento de grãos para que o produtor seja remunerado pelo investimento; qualidade para gerar liquidez à produção, satisfazendo a indústria e possibilitando o uso de trigo 100% nacional nos moinhos da região; e segurança no sentido de maior resistência à doenças e tolerância a fatores abióticos como a seca”, citando como exemplo a cultivar TBIO Aton. “Esse trigo foi líder em rendimento na maioria dos ensaios realizados pela Biotrigo no Brasil em 2018 e 2019, da Bahia ao Rio Grande do Sul. TBIO Aton significa um avanço nestes três aspectos e contribui para estabelecer de forma definitiva a cultura do trigo no Cerrado. Mais do que potencial produtivo, a estabilidade de rendimento é o diferencial deste material”, complementou.

 

 

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