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Minas Gerais registra a segunda morte suspeita que pode ter relação com cerveja

A cervejaria conta com 22 rótulos

15/01/2020 06h00
Por: Redação

 

Maria das Graças Salvador

A suspeita de contaminação por dietilenoglicol se estende às outras marcas de cerveja produzidas pela cervejaria Backer, além da Belorizontina. O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) intimou a empresa a fazer o “recall” de todas as cervejas e chopes de todas as marcas produzidas entre outubro de 2019 e dia 13 de janeiro.

A cervejaria conta com 22 rótulos. De acordo com o órgão público, a comercialização está suspensa até que seja descartada a possiblidade de contaminação dos demais produtos.

O Mapa esclarece que não há, entretanto, resultado laboratorial que confirme a presença de etilenoglicol ou dietilenoglicol, substâncias tóxicas usadas em processos de resfriamento, nas demais marcas da empresa. “Os produtos estão sendo analisados e, caso existam resultados positivos, novas medidas serão adotadas”, informa a nota.

A Polícia Civil (PC) identificou as substâncias tóxicas monoetilenoglicol e dietilenoglicol na linha de produção da cervejaria, em Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.

Essas substâncias são usadas na indústria cervejeira na etapa de resfriamento do líquido, para depois haver a fermentação. Elas correm numa espécie de serpentina, na parte externa dos tanques, e não tem contato direto com o líquido.

Exames de sangue de pacientes internados com a síndrome nefroneural deram positivo para o dietilenoglicol. Até então, são 11 casos suspeitos, mas a PC afirmou pela manhã que eles podem dobrar. Uma das vítimas morreu.

A diretoria da Backer informou que não usa esse agente químico no seu processo de fabricação, apenas o monoetilenoglicol. Também de acordo com a Backer, os mesmos tanques são usados na produção de todos os rótulos da empresa, sem haver distinção de marcas.

A cervejaria Backer entrou na Justiça para revogar o recall solicitado pelo Mapa. Segundo a empresa, a investigação das autoridades recai somente à marca Belorizontina, “não tendo qualquer relação com os demais rótulos da empresa, que possui processos autônomos de produção”.

 

Óbito – Uma mulher de 60 anos morreu com suspeita da síndrome nefroneural em Pompéu, na região Central de Minas Gerais. A morte aconteceu no último dia 28 de dezembro, mas somente nesta terça-feira (14) a Prefeitura Municipal de Pompéu emitiu uma nota confirmando a suspeita da doença. A família registrou um Boletim de Ocorrência na Polícia Civil nesta segunda-feira (13) para comunicar a morte da mulher com suspeita da síndrome. O órgão investiga se a doença nefroneural que surgiu no mês passado e fez, pelo menos, 17 vítimas está associada ao consumo da cerveja Belorizontina que estava contaminada com dietilenoglicol e monoetilenoglicol – substâncias muito tóxicas ao organismo que causam problemas neurológicos e renais graves.

A vítima esteve em Belo Horizonte, entre os dias 15 e 21 de dezembro, e segundo parentes da vítima, ela teria consumido a cerveja Belorizontina, da Backer, durante este período, no bairro Buritis. A partir da data, ela começou a queixar dores abdominais, a ter diarreia e vômitos.

Oficialmente a Secretaria de Estado de Saúde confirma apenas a morte de Paschoal Demartini Filho, de 55 anos, de Juiz de Fora, na Zona da Mata de Minas Gerais. Ele passou a semana do Natal na casa da filha no bairro Buritis, região Oeste de Belo Horizonte. O genro de Filho, que mora na casa onde o aposentado estava hospedado também foi internado apresentando os mesmos sintomas.

 

Uberaba – Em Uberaba, a Vigilância Sanitária e o Procon estão fiscalizando comércios que vendem a cerveja Belorizontina.

A reportagem do JORNAL DE UBERABA fez uma pesquisa e detectou que pelo menos quatro supermercados, alguns de rede, vendem algumas das marcas da cerveja Backer. “Estas cervejas não são difíceis de encontrar em Uberaba. Tem em vários lugares, não somente em supermercados, mas em alguns bares”, afirma uma fonte que trabalha com este setor. Um destes bares é um bar da classe média/alta.

Em todos os casos, o mais sensato é não beber a cerveja. A orientação cem da própria fábrica, entretanto somente em relação à Belorizontina. A diretora de marketing da Backer Ana Paula Lebbos orientou, em coletiva de imprensa, ontem, que os consumidores não bebam a Belorizontina de nenhum lote. "O que preciso agora é que não bebam a Belorizontina, qualquer que sejam os lotes, por favor. Quero que meu cliente seja protegido. Não beba Belorizontina. Não sei o que está acontecendo", disse. Ela estende a orientação para a Capixaba, que é o nome que a Belorizontina recebe para ser vendida no Espírito Santo. A preocupação dela é com os consumidores e os estragos ao mercado cervejeiro"Não queremos que nosso cliente e quem gosta da Backer sejam prejudicados", concluiu. A fábrica emprega 600 funcionários.

Confira as marcas produzidas pela cervejaria Backer: Belorizontina; Backer Pilsen; Backer Trigo; Backer Pale Ale; Backer Brown; Capitão Senra; Capixaba; Pele Vermelha IPA; Bravo; Backer Bohemia Pilsen; Backer Pilsen Export; Exterminador de Trigo; Três Lobos; Corleone; Tommy Gun; Diabolique; Julieta; Cabral; Medieval; Backer Reserva; Fargo e Cacau Bomb.

 

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