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Futebol

Conselho gestor do Cruzeiro elabora relatório e traça 23 medidas imediatas

Relatório apresenta necessidade de renegociar contratos

16/01/2020 06h00
Por: Redação
Conselho gestor produziu um documento, que virou um raio-X ou um retrato atual do clube mineiro - Foto: Leandro Pacheco
Conselho gestor produziu um documento, que virou um raio-X ou um retrato atual do clube mineiro - Foto: Leandro Pacheco

O atual conselho gestor do Cruzeiro produziu um documento, que virou um raio-X ou um retrato atual do clube mineiro. Nele, é apontado que a Raposa tem uma “estrutura organizacional disfuncional” e com “graves falhas que acarretam sucessivos problemas em todos os seus processos”. Além da identificação dos problemas, foram ainda apresentadas 23 medidas consideradas imediatas.

Algumas sugestões apontadas pelo relatório já começaram a ser implementadas pelo atual conselho gestor, que já apresentou um balanço sobre o trabalho feito até o momento.

As sugestões passam pelo enxugamento de 45% do atual quadro de funcionários (de 533 contratados para 295), reduzir a folha mensal administrativa de R$ 4,5 milhões para R$ 1,6 milhão, a do futebol de R$ 16 milhões (R$ 1 milhão era de emprestados) para R$ 3 milhões e de despesas administrativas e operacionais do clube para R$ 1,1 milhão.

Além disso, o relatório apresenta também a necessidade de renegociar contratos e situação dos principais atletas, além de disponibilizar a venda dos imóveis Barro Preto, Toca I e Campestre Pampulha, oferecendo como garantia de quitação de R$ 300 milhões de dívidas, entre outros pontos.

O relatório emitido pelo conselho gestor é dividido em partes: estrutura organizacional, quadro funcional, financeiro, demais áreas e limitação.

 

Estrutura organizacional – Demonstra a desorganização que vive o Cruzeiro neste momento, sem a possibilidade de retratar, “de maneira segura, o organograma da entidade”. Segundo o documento, há diversas funções e cargos sem definição das atividades e responsabilidades. Por isso, o relatório conclui que “é consequência direta a desorganização e indefinições nos papeis e funções dos cargos da entidade, em todos os seus níveis hierárquicos”.

 

Quadro funcional – Segundo o relatório, há ausência completa de plano de cargos e salários no Cruzeiro. Não há política de salários, com distorções “relevantes e numerosas” em remunerações de cargos e funções. Há também supersalários de terceirizados, como nos setores financeiros, TI e compliance.

 

Financeiro – É o tópico mais longo e alarmante da situação do Cruzeiro. Ele aponta que o relatório emitido pela auditoria da BDO (empresa de auditoria), em 2018, foi “cancelado para evitar que as ressalvas fossem publicadas”. Os pontos listados são o não cumprimento das condições do Profut, além das supressões/omissões de valores na parte financeira do clube mineiro. Além disso, o documento aponta soluções a serem tomadas.

 

Os pontos

• Ausência de controles e documentos que compõem o saldo de contas a pagar. Em 2018, de R$ 110 milhões, R$ 17 milhões não possuíam documento hábil;

• Necessidade de capital de giro na ordem de R$ 200 milhões em 2018. “Certamente, o déficit de 2019 ocorrerá em patamares ainda maiores”;

• Não cumprimento de condições no PROFUT: (prejuízo superior ao limite de 10% da receita bruta em 2018, regularidade das obrigações fiscais, cumprimentos de contratos e encargos; publicação de balanços - cumprido parcialmente com as ressalvas da BDO);

• R$ 23 milhões contabilizados indevidamente da venda de Arrascaeta, que deveriam compor o balanço de 2019;

• Juros não contabilizados de R$ 4,6 milhões em 2018 por decisão da ex-gestão para que o “resultado não fosse reduzido”;

• Não possuir ações para proteção de variações cambiais (Hedge); em 2018, foram R$ 11 milhões com despesas em relação a variações cambiais;

• Sem elaboração de planejamento financeiro a curto e médio prazo;

• Busca por empréstimo com fundo internacional;

• Negociação com os principais credores para reduzir multas e juros;

• Redução da folha de pagamento;

• Venda de direitos econômicos de atletas em destaque;

• Negociação de direitos internacionais de publicidade.

Além disso, o relatório apresenta outros aspectos que preocupam na parte financeira. 

 

Demais áreas do Cruzeiro - Segundo o relatório, os departamentos jurídicos e de capital humano não possuem procedimentos padronizados e estratégias juridicamente validadas. Há um “elevado risco de majoração do passivo trabalhista da entidade”.

Além disso, não foram identificados relatórios básicos da área, como de processos em curso, probabilidades de perdas e ganhos e matriz de riscos.

No relatório emitido pela Ernst & Young, ainda são apontadas as necessidades de: adoção de outro modelo societário do Cruzeiro (clube-empresa); reestruturação do estatuto, cargos e salários; além de reestruturação funcional e operacional.

 

Limitações do relatório – O conselho gestor ainda cita que o trabalho é parcial, já que não foi possível apurar na totalidade todas as situações que envolvem o Cruzeiro. A base do trabalho foram os relatórios do clube e entrevistas. Não foram realizados exames na maioria dos documentos e nem se obteve informações de órgãos públicos, nem de outros clubes de futebol.

 

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