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Saúde

Minas registra 677 casos de dengue nas duas primeiras semanas de 2020

A informação consta do Boletim Epidemiológico de Monitoramento dos casos de Dengue, Chikungunya e Zika Vírus

16/01/2020 06h00
Por: Redação
Dos 677 casos prováveis em Minas, 12 são de Uberaba; MS alerta para possível surto neste ano e lembra que os surtos de dengue costumam ocorrer quando há mudança na circulação do tipo de vírus - Foto: Maurício Bazilio/MS
Dos 677 casos prováveis em Minas, 12 são de Uberaba; MS alerta para possível surto neste ano e lembra que os surtos de dengue costumam ocorrer quando há mudança na circulação do tipo de vírus - Foto: Maurício Bazilio/MS

 

Maria das Graças Salvador

Em 2020, Minas Gerais registrou 677 casos prováveis de dengue até o momento, não havendo registro de casos graves. A informação consta do Boletim Epidemiológico de Monitoramento dos casos de Dengue, Chikungunya e Zika Vírus da Secretaria de Estado da Saúde de Minas Gerais, divulgado na terça-feira (14). 

Quanto aos óbitos, em 2019 foram confirmados 173 óbitos e 101 permanecem em investigação. Em 2020, o boletim aponta que tem um óbito em investigação e até o momento nenhum óbito foi confirmado. Entretanto, no boletim não está registrado o possível óbito por dengue em Uberaba, já que o município está com uma suspeita de óbito por dengue da mulher de 27 anos, de Uberaba que morreu no dia 4 deste mês. A Secretaria Municipal de Saúde intensifica o trabalho de bloqueio ao mosquito Aedes aegypti no Residencial Rio de Janeiro, bairro onde morava a mulher que foi a óbito. Exames da vítima foram enviados à Fundação Ezequiel Dias (Funed) para confirmar ou não o motivo da morte ou se é por outro agravo. Porém, está suspeita não consta do boletim. O boletim aponta que Uberaba está com 12 casos prováveis de dengue neste ano, com incidência baixa de 3,63.

Avaliando a incidência acumulada de casos prováveis de dengue em 2020, o boletim aponta que três municípios estão com incidência muito alta, seis municípios com média incidência, 116 municípios com baixa incidência e 728 municípios sem registro de casos prováveis.

Em relação à Febre Chikungunya, foram registrados 2.828 casos prováveis de chikungunya em 2019. Desse total, 48 gestantes, sendo 12 com confirmação laboratorial. Em 2020, até o momento 8 casos prováveis foram notificados, nenhum de Uberaba.

Já em relação à Zika, em 2019 foram registrados 703 casos prováveis, sendo 165 em gestantes. Em 2020 até o momento foi registrado 1 caso em não gestante no município de Jampruca.

Segundo o documento, de 8 de dezembro de 2019 a 4 de janeiro deste ano a SES registrou quatro municípios com incidência muito alta de casos prováveis de arboviroses, cinco com alta incidência, cinco em média incidência, 243 em baixa e 596 sem casos prováveis nos municípios.

 

País – Nesta quarta-feira (15) o Ministério da Saúde divulgou alerta afirmando que os estados do Nordeste, assim como Espírito Santo e Rio de Janeiro, poderão ter um surto de dengue a partir de março de 2020.

“A dengue é uma doença sazonal e o quadro é dinâmico e pode mudar em pouco tempo, mas, no momento, os nove estados do Nordeste e as regiões do Sudeste com grande contingente populacional pouco afetadas em 2019 estão no nosso alerta”, afirmou o porta-voz do Ministério da Saúde, Roberto Said.

O Brasil registrou 1.544.987 casos de dengue no ano passado, com 782 mortes, segundo dados da pasta, um aumento de 488% em relação a 2018, um ano considerado atípico pelo Ministério.

Segundo Said, 2017 e 2018 foram anos com poucos casos de dengue quando comparados a 2015 e 2016. “Isso aconteceu porque circulou, em todos esses anos, o mesmo sorotipo do vírus da dengue. E quando uma pessoa é infectada pela dengue, ela estará imune aquele determinado sorotipo pra sempre, mas não aos outros sorotipos da doença”, afirma.

A dengue é transmitida por quatro sorotipos do vírus: o sorotipo 1, 2, 3 e 4, todos em circulação no Brasil.

A intensidade de circulação desses sorotipos se alterna pelo país de tempos em tempos. Os surtos de dengue costumam ocorrer, segundo Said, quando há mudança na circulação do tipo de vírus.

Foi o que ocorreu no final de 2018, quando começou a circular no Sudeste e Centro-Oeste um tipo diferente dos anos anteriores, o sorotipo 2. “As pessoas não estavam imunes ao sorotipo 2, que não circulava no país desde 2008. Por isso ele veio tão forte, porque encontrou novas pessoas para infectar”, explica o porta-voz.

A recente circulação do sorotipo 2 aconteceu somente em algumas partes do Sudeste e Centro-Oeste, o que ajuda a entender porque 77% de todos os registros de dengue no país, assim como 67% das mortes, ocorreram em apenas três estados em 2019: São Paulo, Minas Gerais e Goiás.

“O sorotipo 2, que já é um tipo mais virulento que os outros, foi ganhando força conforme foi infectando novos pacientes nesses estados. Agora, ele está circulando por mais áreas. Por isso, para 2020, é esperado aumento dos casos de dengue justamente nos estados que não foram tão afetados pelo sorotipo em 2019, como o Rio de Janeiro e Espírito Santo”, explica o porta-voz do ministério.

Vale lembrar que em Minas Gerais, segundo o boletim divulgado dia 14, em 2019, 3.071 amostras foram processadas para monitoramento viral da dengue. As metodologias utilizadas são biologia molecular para identificação do vírus e sorologia IgM e IgG para pesquisa de anticorpos, com identificação do sorotipo DENV1 foi detectado em 26 amostras, o sorotipo DENV2 em 675 amostras, o sorotipo DENV3 foi detectado em 04 amostras e o sorotipo DENV4 foi identificado em 01 amostra. Em 2020 apenas o sorotipo DENV2 foi detectado em 1 amostra no município de Josenópolis.

Said também alerta que o surto da doença se relaciona, ainda, a fatores ambientais. “Estamos em um momento propício para a proliferação do mosquito transmissor da dengue: altas temperaturas e chuvas intensas”.

 

Zika e chikungunya – Os dados de registro de zika ainda estão baixos no Brasil. “Mas temos a confirmação laboratorial de que o vírus do zika está em circulação por todos os estados do país, menos no Acre. Por isso, ainda há alerta de infecção para as gestantes”, informa Said.

A zika é transmitida pela picada do mosquito Aedes aegypti, o mesmo responsável pela dengue. Em gestantes, a infecção por zika pode causar microcefalia nos bebês. Em 2016, o Brasil foi apontado como um dos países mais afetados pelo zika.

No que diz respeito a chikungunya, também transmitida pela picada do Aedes aegypti, Said afirma que apesar do aumento dos casos em 2019, não há previsão de um novo surto para 2020. 

 

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