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Ato em Memória das Vítimas do Holocausto ganha exposição uberabense

Projeto socioeducativo produziu 30 pinturas e 3 poemas relacionados ao tema Holocausto

21/01/2020 06h00
Por: Redação
(Foto: Reprodução/O Globo)
(Foto: Reprodução/O Globo)

 

Maria das Graças Salvador

Por ocasião do Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto e para marcar os 75 anos da libertação do Campo de Concentração de Auschwitz, a Confederação Israelita do Brasil (Conib), a Federação Israelita do Estado de São Paulo (Fisesp) e a Congregação Israelita Paulista (CIP), realizam no domingo, 26 de janeiro, às 18h30, na Sinagoga Etz Chaim da CIP, um Ato solene em Memória das vítimas do Holocausto.

O Ato marcará os 75 anos da libertação do campo de extermínio de Auschwitz e lembrará os seis milhões de judeus assassinados durante o Holocausto e as outras vítimas do nazismo, com o acendimento de seis velas por sobreviventes, autoridades políticas, líderes religiosos, institucionais e jovens.

No hall da instituição, acontecerá a exposição “História e Memória do Holocausto”, com obras feitas por adolescentes que cumprem medida de internação no Centro Socioeducativo de Uberaba (CSEUR – MG), com releituras de poemas e pinturas da época do Holocausto. A curadoria é de Ícaro Uriel Brito França.

A exposição “História e memória do Holocausto” dos adolescentes que cumprem medida socioeducativa de internação, no Centro Socioeducativo de Uberaba (CSEUR), foi realizada em Uberaba em setembro ganha projeção nacional. 

O projeto é uma releitura de poemas e pinturas do holocausto, com trabalhos feitos pelos adolescentes em cumprimento de medida de internação no Centro Socioeducativo de Uberaba. “O projeto tem bases pedagógicas na fenomenologia e na pedagogia histórico crítica”, informa o responsável pelo projeto, Ícaro Uriel Brito França.

Com o sucesso do evento, a exposição recebeu o convite para exposição ir para São Paulo, no evento “Ato em Memória às Vítimas do Holocausto”, que será realizado no próximo domingo (26), na sede da Congregação Israelita Paulista (CIP), evento a nível nacional.

O projeto produziu 30 pinturas e 3 poemas relacionados ao tema Holocausto, que viram uma exposição itinerante, já exposta na Biblioteca Pública de Uberaba, Escola Estadual Santa Maria, Escola Estadual Santa Terezinha, dentre vários outros locais. Também, foi exposta no 1º Encontro Articulado em Saúde (Tema: HIV/AIDS - Prevenção e Trato entre jovens). Posteriormente, foi apresentada em evento do Rotary Club de Uberaba - gestão 2019/2020, onde o Rotary realizou a doação de 17 molduras às pinturas que faltavam ser emolduradas.

O projeto uberabense também foi reconhecido e elogiado pelo Museu do Holocausto de Curitiba/PR, que promove a divulgação das obras, além de estarem analisando a possibilidade de a mesma ir para a sede do museu, na cidade de Curitiba, para uma exposição.   

No evento deste domingo, haverá uma cerimônia bastante tocante com a presença de sobreviventes, autoridades políticas, religiosas e consulares. A exposição ficará em São Paulo de 23 a 26 de janeiro.

Em fevereiro, a exposição ficará na Galeria de Artes da Fundação Cultural de Uberaba e em março de 2020 para exposição na Universidade Federal do Triângulo Mineiro. 

Em parceira com a alunos da turma de mestrado em Educação, a exposição tornou-se digital, podendo ser acessada pelo endereço eletrônico: https://arteholocausto.wixsite.com/interculturalidade  

 

Projeto surgiu para intermediar conhecimento com internos do Centro Socioeducativo

Segundo o idealizador e responsável pelo projeto, foi observado que dentro do Centro Socioeducativo Uberaba muitos adolescentes, que cumpriam medida de internação, possuíam acentuada defasagem escolar. “Entre outros fatores, a experiência escolar negativa é vista como um dos pontos mais relevantes do envolvimento em condutas infracionais na adolescência. Assim, buscamos formas de aproximar eles de conteúdo de História, propiciando a interação com o conhecimento aprendido e como sujeitos históricos em exercício de sua cidadania. Por meio da História, o adolescente privado de liberdade tem a possibilidade de compreender seu papel como cidadão e o contexto que está inserido, auxiliando, assim, no seu processo de ressocialização”, observa.

Assim, com o objetivo de intermediar o caminho entre o conhecimento histórico referente ao tema Holocausto e os adolescentes participantes do projeto, fez-se uso da fenomenologia, buscando considerar tais conhecimentos em toda a sua complexidade, ao refletir sobre os modos como agiram e regiram, de acordo com as nuanças de ver o tema. O resultado refletiu-se nos trabalhos produzidos pelos jovens, através de pinturas e poemas.

França afirma que na primeira fase consistiu em uma aula sobre Holocausto, informando os principais acontecimentos, abrangência e contexto histórico do período. Na segunda fase, destinada à problematização, os adolescentes assistiram ao filme “O menino do pijama listrado”, com diálogo e debate sobre o tema. Na terceira fase, denominada instrumentalização, foram apresentados, aos adolescentes, materiais como poemas, fotos e gravuras de ilustrações de artistas diversos, que retrataram o tema Holocausto. Na quarta fase, atribuída à catarse, foi desenvolvida uma atividade com base na releitura de poemas e gravuras relativas ao tema. Assim, os adolescentes produziram 30 ilustrações e três poemas sobre o Holocausto. 

Na realização do projeto foi observado, dentro do Centro Socioeducativo de Uberaba, que muitos adolescentes, que cumpriam medida de internação, possuíam acentuada defasagem escolar. Entre outros fatores, a experiência escolar negativa é vista como um dos pontos mais relevantes do envolvimento em condutas infracionais na adolescência. Assim, buscou-se formas de aproximar eles do conteúdo de História, propiciando a interação com o conhecimento aprendido, permitindo que os jovens se enxergassemcomo sujeitos históricos em exercício de sua cidadania. Por meio da História, o adolescente privado de liberdade tem a possibilidade de compreender seu papel como cidadão e o contexto que está inserido, auxiliando, assim, no seu processo de ressocialização.

Esse projeto, intitulado História e Memória do Holocausto, produziu uma exposição itinerante, com o mesmo nome. E é este trabalho que está ganhando o país e levando o nome de Uberaba. (MGS)