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HC da UFTM irá assinar novo contrato com vistas ao ensino, assistência e capacidade operacional

A reportagem do JORNAL DE UBERABA continua recebendo reclamações de pacientes

24/01/2020 06h00
Por: Redação
Hospital de Clínicas da UFTM, que tem realizado atendimentos além da capacidade gerando até mesmo falta de insumos, segundo a superintendente - Foto: Divulgação
Hospital de Clínicas da UFTM, que tem realizado atendimentos além da capacidade gerando até mesmo falta de insumos, segundo a superintendente - Foto: Divulgação

 

Maria das Graças Salvador

As cirurgias eletivas no Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (HC-UFTM) têm sofrido um certo impacto em função desse movimento de reorganização da regulação. A afirmação é da superintendente do HC, Ana Lúcia Simões. 

“Como a gente tem alta demanda para o pronto-socorro e essa pessoa que entra pelo pronto-socorro vai precisar das enfermarias, houve alguns momentos em que as cirurgias eletivas foram suspensas em função de organizar essa demanda interna da urgência da emergência, mas a gente tenta trabalhar muito e discutir com a Secretaria de Saúde para manter um fluxo das eletivas. Nos últimos dois meses, em alguns momentos, a suspensão temporária de algumas eletivas, coisas de dias, foram canceladas. Mas elas têm acontecido, com alguns momentos de suspensão temporária. Não digo que estaria 100% normal, porque estamos reorganizando conforme esse momento”, afirma a superintendente.

A reportagem do JORNAL DE UBERABA continua recebendo reclamações de pacientes que estão com suas cirurgias eletivas marcadas, mas não estão conseguindo realizar as cirurgias. Ontem mesmo a recebemos a queixa de uma paciente que está na fila para fazer um cateterismo com urgência, mas a informação do hospital “é que não tem material para fazer o procedimento”.

Ana Lúcia reforça que as cirurgias eletivas dependem da questão da urgência e emergência, “que é prioridade em qualquer serviço e quando sobrepõe a capacidade, algumas eletivas estão suspensas para poder acolher a urgência e emergência. Mas tão logo o problema tenha sido impulsionado, o hospital retoma a convocação das pessoas para as eletivas”, diz.

Questionada sobre a falta de material, a superintendente lembra que este é um problema histórico no hospital. “Fui enfermeira aqui e há 30 anos já se vivia a falta de material aqui. Isso não é e não deveria acontecer, mas nós temos inúmeros motivos que levam à falta de material. Talvez o principal deles seja realmente a falta de orçamento. Temos uma capacidade operacional, um orçamento e o financiamento para vir para um hospital desse tamanho é pequeno. Nós atendemos, via de regra, 20% a 30% a mais do que é o nosso orçamento. Essa é uma matemática muito simples, é como na sua casa, se você gasta mais do que ganha você não vai ter recurso para comprar tudo que você precisa. Esse é um problema o que a atual gestão está tentando minimizar e eu tenho sem muita convicção de que ao longo do período que eu estiver aqui à frente desta gestão, nós conseguiremos, sim, trabalhar com mais planejamento. Quando você tem necessidades grandes para um recurso pequeno você tem que se planejar, tem que ter um fluxo de informações que funcione adequadamente em tempo adequado para que toda a estrutura administrativa do hospital se prepare. E a população tem de saber que para uma instituição pública adquirir um equipamento e material de insumos é diferente que você adquirir para uma casa ou uma instituição privada. Temos uma legislação a seguir, existe uma burocracia, processos licitatórios. Tudo isso demanda algum tempo. Pensando nessa questão de desabastecimento é o que nós estamos trabalhando com planejamento, estipulando prazos para solicitantes entregar em tempo hábil os seus pedidos é trabalhar para que cada área seja mais ágil possível para que a gente possa, ao longo do ano, fazer as aquisições de acordo com o orçamento para evitar os momentos do desabastecimento. E para não acontecer mais desabastecimento, precisamos ter estoques mínimos, coisa que o hospital, por vários motivos, em alguns itens, não tem. Uma das forças tarefas que a gente vai fazer nesse período é garantir que se retome os estoques mínimos de todos os itens básicos e que são essenciais para a assistência do paciente. Obviamente que se vai levar um tempo, mas nós estamos trabalhando muito e com muita seriedade para que isso não aconteça. Por mais que a gente esteja dentro de um hospital de alta complexidade, nós não podemos justificar todas as compras pela urgência. Temos que ter o conhecimento da nossa dinâmica, nossa série histórica, nosso consumo e planejar a aquisição desses materiais dentro de um histórico de consumo”, observa a superintendente.

 

Pactuação – O Hospital de Clínicas está para realizar uma nova contratualização com a Secretária Municipal de Saúde. Segundo a superintendente, o atual contrato vence no dia primeiro de abril. “Nós já estamos trabalhando para a renovação. Ele tem a duração de cinco anos e já solicitamos à Secretaria que constitua uma comissão para a gente dar andamento no novo contrato”, diz.

Segundo ela o atual contrato já passou por algumas prorrogações, mas neste, a partir de abril, não se trata de prorrogação. “Será construído um novo contrato. A gente pretende trazer todas as informações necessárias em relação à necessidade de ensino, necessidades assistenciais, capacidade operacional do hospital para fundamentar da melhor possível esse contrato.