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Sem os servidores do RJU o HC da UFTM fecha, diz sindicato

Para o coordenador-geral do Sindttae/UFTM, o HC está no meio de uma guerra civil

24/01/2020 06h00
Por: Redação
Coordenador-geral do Sindttae/UFTM, Rolando Malvásio, afirma que excesso de trabalho e assédio adoeceram o trabalhador - Foto: Divulgação
Coordenador-geral do Sindttae/UFTM, Rolando Malvásio, afirma que excesso de trabalho e assédio adoeceram o trabalhador - Foto: Divulgação

O servidor do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Triângulo Mineiro continua indignado com os acontecimentos na instituição, dentre eles pelo fato de terem sido chamados de envelhecidos.

O coordenador-geral do Sindicato dos Trabalhadores e dos Técnicos Administrativos em Educação da UFTM (Sindttae/UFTM), Rolando Rubens Malvásio Júnior, afirma que os trabalhadores do Regime Jurídico Único dentro do HC da UFTM, nos seus mais de 50 anos, são “trabalhadores valorosos e sem eles não existiria o HC. Se houve adoecimento foi por excesso de trabalho, porque são anos e anos em duras jornadas de trabalho. É preciso lembrar que a falta de concurso público pelo RJU acabou por envelhecer os trabalhadores do regime único dentro do hospital. Ninguém pode, em um único minuto, duvidar do valor destes trabalhadores, que são fundamentais ao HC e todos sabem que, sem eles, o HC fecha. A fala da superintendente foi minimamente infeliz e as pessoas aqui trabalham sem parar e, pior, estão quatro anos sem aumento”, diz Malvásio.

O coordenador lembra que várias coisas fazem com que o servidor adoeça e eles trabalham com “o mínimo do mínimo da mão de obra que o Cofem preconiza. O culpado não é o trabalhador e, sim, as administrações”. Segundo Malvásio, um dos motivos do adoecimento da categoria é o assédio moral individual e coletivo dentro do HC. “O assédio é a serventia da casa há muitos anos, isto é nojento e vergonhoso. Eu estou há 30 anos na universidade e o assédio sempre foi velado, nas sombras com quase todos os trabalhadores e não apenas com os trabalhadores do RJU. Não concordamos, lamentamos e repudiamos a fala da superintendente do HC conforme publicou o JORNAL DE UBERABA. O atual absenteísmo não se encontra nos trabalhadores do RJU, tem pouca participação percentual no dia-a-dia. De fato, temos muita gente afastada por doença ou desviada por doença. Mas, desafio a Superintendência a fazer esta análise de forma honesta e veremos que o atual descontrole de horas positivas (trabalhadas) de muito trabalhadores celetistas com 150, 200 ou mais, tem um fortíssimo impacto no absenteísmo. São horas trabalhadas cujos servidores aguardam ou receber em folga ou em dinheiro. Isso não está acontecendo e ajuda no absenteísmo. Mas, tem que ficar muito claro que a culpa do excesso de horas positivas não é dos trabalhadores, eles trabalharam duramente e fazem jus a estas horas e a administração tem o dever de pagar em folgas (gera absenteísmo) ou em pecúnia (cadê a grana?) este é direito líquido e certo dos trabalhadores. Portanto, diante da falta de pessoal e as constantes superlotações do HC, obrigaram os trabalhadores a assumirem seus plantões com escalas muito abaixo do mínimo, colando em risco os trabalhadores (ao erro) e os pacientes (a riscos na sua saúde e/ou na sua vida). Em tempo, há anos que os trabalhadores do RJU não têm suas horas positivas contadas e entramos na justiça para reparar este erro ou omissão das administrações do HC da UFTM. Desde 2017 a UFTM não faz a contagem das horas extras dos servidores do RJU. O pior é que estas horas prescrevem em cinco anos, exceto para os que entraram na justiça. E está difícil conseguir a contagem do banco de horas. E quando fizer isso, será uma bomba de efeito retardado”, observa Rolando Marvásio.

 

Guerra – Para o coordenador-geral do Sindttae/UFTM, o HC está no meio de uma guerra civil. “Não estou falando da oposição que ganhou limpamente as eleições para a reitoria da UFTM e que foi preterida pelo governo Bolsonaro de forma antidemocrática, menosprezando o desejo da maioria da UFTM. Hoje a oposição, mesmo tendo sido sacaneada pela não nomeação do professor Fábio, todos eles voltaram para as salas de aula ou para os seus setores de trabalho. Estou falando que os dois grupos em conflito no HC eram o mesmo grupo até um dia destes”, diz.

Para Malvásio, a crise do HC UFTM vem de antes da entrada da Ebserh. “E piorou e muito após a entrada da Ebserh. Na verdade, ela só foi benéfica para uma dúzia de apaniguados que recebem ou recebiam gratificações elevadíssimas (suculentas). Parte da briga atual é também por este motivo. Já a outra parte da briga é, obviamente, por ato médico, pois é fato que os médicos não admitem ser comandados por uma enfermeira e nessa briga tem rolado muito machismo básico pela condição de mulher da outra parte. Os trabalhadores da UFTM têm relatado ao sindicato uma sensação de piora e de nenhuma melhora no HC da UFTM”, avalia o coordenador, lembrando ser necessário a realização de concurso público para melhorar a situação. (MGS)