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Uberaba precisa de 40 ecopontos, diz estudo

Cidade produz em média de 297 toneladas de resíduos sólidos por dia

26/01/2020 06h00Atualizado há 3 semanas
Por: Redação
A implantação de ecopontos descarta a necessidade de triagens posteriores do lixo - Foto: Divulgação
A implantação de ecopontos descarta a necessidade de triagens posteriores do lixo - Foto: Divulgação

 

Soraya Utsumi

Especial para o JU

Uberaba possui baixos índices de coleta seletiva, de acordo com estudo realizado por pesquisadores da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM).  O município conta com 11 ecopontos, distribuídos em diferentes bairros, mas os pesquisadores sugerem a necessidade de mais 40 ecopontos na cidade, que produz em média de 297 toneladas de resíduos sólidos por dia.

“A título de comparação, a cidade de Lisboa em Portugal possui mais de 300 ecopontos para uma população que não chega ao dobro da população de Uberaba”, afirma o engenheiro ambiental e um dos autores da pesquisa, Guilherme Junqueira Jerônimo. 

A implantação de ecopontos descarta a necessidade de triagens posteriores do lixo, tem por objetivo aumentar índices de coleta no município e tem como principal agente a sociedade, que separa o resíduo e o encaminha para o local. A proposta da pesquisa é o dimensionamento dos ecopontos para recolher , com frequência quinzenal, 10% dos resíduos recicláveis secos do município. Somados aos 8% já coletados, segundo a pesquisa, seriam 18% de coleta de materiais recicláveis.  A porcentagem de coleta sugerida de 10% dos resíduos também poderia ser dobrada com o aumento da frequência de recolhimento de quinzenal para semanal.

Segundo Jerônimo, se há baixo de índice de coleta seletiva, os resíduos recicláveis estão sendo indevidamente encaminhados para o aterro da cidade, o que acarreta a diminuição de sua vida útil. “Assim, será necessário, num menor espaço de tempo, a construção de um novo aterro, o que demanda grandes impactos ambientais e financeiros”, explica. 

Ele também lembra que  a Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei 12.305/10) estabelece que os aterros sanitários sejam locais para a disposição final de rejeitos e não de resíduos. “Os resíduos recicláveis que não são destinados à reciclagem pressionam o ciclo produtivo a realizar maior exploração de recursos naturais, ou seja, em vez de produzir mais plástico, por meio da reciclagem, seria preciso explorar petróleo; no caso do papel, explorar madeira; do alumínio, explorar bauxita; do ferro, explorar minério de ferro, e assim por diante”, afirma. 

Elevar os índices de coleta seletiva contribui para diminuir a exploração excessiva que a sociedade causa ao meio ambiente,  como alerta o engenheiro ambiental, além de gerar emprego e renda “para inúmeras famílias de catadores e recicladores, contribuindo para a sustentabilidade do município”.

A reciclagem envolve quatro processos logísticos: a coleta, o processo combinado de inspeção e triagem, o reprocessamento, e a redistribuição. Os ecopontos estão focados na primeira etapa do processo logístico, a coleta, “que é essencial para o sucesso das demais etapas”, de acordo com o estudo.

Os ecopontos são armazenadores de lixo diferenciados pelas cores para cada tipo: amarelo para plástico e metal; azul para papel; verde para vidro. A pesquisa ainda sugere que os ecopontos azuis tenham capacidade de 8 m³, os amarelos 6 m³ e os verdes 0,8 m³.  

A composição do lixo em Uberaba é de 58% de matéria orgânica; 17,5% de papel ou papelão; 11% de plásticos; 4% de latas ou metais; 2% de vidros e 7,5% de outros materiais. O estudo  evidencia também a necessidade de conscientização das pessoas para a separação do lixo na fonte.