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Saúde

“É preciso debater o que é ensino e o que é assistência”, diz coordenador do Sindttae

A redação do JORNAL DE UBERABA já recebeu denúncias a respeito da bactéria KPC, inclusive já com denúncia no Ministério Público

28/01/2020 06h00
Por: Redação
Redimensionamento do Hospital de Clínicas da UFTM continua em debate entre servidores, sindicato e direção da instituição - Foto: Divulgação
Redimensionamento do Hospital de Clínicas da UFTM continua em debate entre servidores, sindicato e direção da instituição - Foto: Divulgação

 

Maria das Graças Salvador

O coordenador-geral do Sindicato dos Trabalhadores e dos Técnicos Administrativos em Educação da UFTM (Sindttae/UFTM), Rolando Rubens Malvásio Júnior, avalia que a maioria dos problemas do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (HC/UFTM) irá solucionar quando for feito um novo redimensionamento na instituição. 

“Sem isso, nada vai resolver, nada, mesmo que invistam milhões e milhões não vai resolver. A comunidade e os gestores têm que ter coragem e tem que refazer este debate internamente e depois com a sociedade. O HC da UFTM há vários anos vem se deteriorando e, a continuar do jeito que está, tememos concretamente pelo seu futuro no ensino, aliás, seu principal motivo de existir”, diz.

O coordenador lembra que é preciso debater o que é ensino e o que é assistência e onde começa o ensino e a assistência, lembrando que para o hospital assistência é o trabalho realizado de urgência e emergência, enquanto ensino, de forma geral é realizado através das cirurgias eletivas.

“Isto é fundamental, sem sabermos isto, o que é ensino e a assistência, nada vai mudar, podem derramar rios de dinheiro que não vai funcionar. Portanto, temos que saber o real número de leitos que podemos trabalhar aliado às equipes de trabalhadores, obedecendo as regras do CFM, Cofen entre outros conselhos de classe. As cirurgias eletivas são vitais para o ensino, remuneram melhor o HC da UFTM, mas, qual é o seu real tamanho dentro do Ensino? Qual é o real espaço da Assistência? Qual é o espaço que queremos ter de fato ter no ensino e na assistência? Feito isto, saberemos de fato quantos leitos podemos reservar para as cirurgias eletivas que são fundamentais ao ensino e melhores remuneradas dentro do SUS. Porém, as cirurgias eletivas por remunerar melhor estão transformando os trabalhadores da enfermagem em operários de chão de fábrica, exigindo-se alta produtividade aos trabalhadores, deixando-os a próprio sorte numa perigosíssima escala mínima do mínimo”, alerta Malvásio Júnior.

O coordenador reafirma que sem esse redimensionamento e um amplo debate tanto na universidade como com a sociedade, nada será solucionado e “será dinheiro jogado fora e trabalhadores adoecendo no RJU e na Ebserh”.

Ele também lembra que o que faz um leito do hospital funcionar é ter materiais, insumos, pessoal em número correto de médicos, enfermeiros, técnicos, escriturários, maqueiros e etc., vinculados a este leito. “Tudo após de um excelente redimensionamento com toda comunidade”, diz. 

Para ele, um dos grandes problemas é que quando fez o cálculo do número de funcionários necessários, em momento algum se computou o absenteísmo, o pessoal que sai de férias, e nem os com desvio de função, que é elevado. Afirma que como não levou em conta estes fatores, o que acontece é que atualmente se tem a escala com o mínimo do mínimo, o que faz com que os profissionais adoeçam e aumente o absenteísmo.

 

Denúncia – O coordenador do Sindttae/UFTM afirma que um desdobramento perigoso da superlotação, pode causar e tem causado contaminações por bactérias super-resistentes como KPC, colocando em risco de morte os pacientes, trabalhadores e seus familiares.

“A Administração do HC da UFTM está colocando em risco constante os pacientes e os trabalhadores há muito anos, pois é muito comum ter pacientes em macas por todos os lados, até mesmo em camas operatórias dentro do Bloco Cirúrgico e, as vezes estes pacientes estão contaminados por KPC ou então, ter uma criança na UTI Neonatal com meningite por falta de isolamento ou por faltar de diagnóstico tempestivo, entre tantos outros descalabros”, diz.

Neste sentido, a redação do JORNAL DE UBERABA já recebeu denúncias da bactéria KPC, inclusive já com denúncia no Ministério Público. Trata-se de uma bactéria que tem de colocar o paciente isolado, o que não tem sido realizado, colocando todos os pacientes e os profissionais da saúde em risco. 

“Estamos abertos ao diálogo com a administração do GC da UFTM, mas estamos do outro lado da mesa, defendemos os trabalhadores e os pacientes. Portanto, vamos denunciar tudo com muito vigor e vamos também articular uma audiência pública na Câmara dos Vereadores para ampliarmos os debates sobre o HC da UFTM. Não vamos deixar o nosso hospital implodir por falta de insumos, materiais, pessoal e tudo por má gestão que vem de anos e continua por parte da empresa Ebserh, que até hoje não disse ao que veio. E devemos deixar claro que os trabalhadores da Ebserh são extremamente competentes e também são vítimas deste modelo equivocado de empresa e gestão, nada focada nos seres humanos. Precisamos fazer o redimensionamento, o cálculo real do número necessário de servidores e realizar concurso público via RJU e não por esta empresa”, avalia Rolando Malvásio.

 

Estamos trabalhando na perspectiva de redimensionar a necessidade de ensino”, diz superintendente

A razão de existir do nosso hospital é o ensino e com isso não estou desmerecendo a assistência. Porém, a assistência à população acontece por meio das atividades de ensino. As afirmações são da superintendente do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Triângulo Mineiro, Ana Lúcia Simões.

Ela diz que algumas pessoas, “irresponsavelmente” têm dito que ela quer diminuir os atendimentos no hospital, reduzir o tamanho do hospital. “Isso não é verdade. Estamos trabalhando na perspectiva de redimensionar nossas necessidades de ensino para garantir uma melhor assistência para a população. O ensino e a assistência vêm uma como consequência da outra. Fala-se em acabar ou diminuir o número de cirurgias eletivas. Ora, nós precisamos fazer cirurgias, consultas e procedimentos diversos, e, com isso, a população é beneficiada. Não há um projeto de redução do tamanho do hospital, temos recursos humanos que em alguns momentos se tornam insuficiente, sim, por vários motivos. Não só pela questão quantitativa. O que fazemos aqui é feito com segurança para o paciente e para o ensino. Temos de prestar ensino e assistência com responsabilidade. Não adianta a gente crescer mais do que a gente tem capacidade se depois não dar conta de fazer um atendimento seguro e de qualidade.

A superintendente lembra que o problema de superlotação do hospital não é recente, e é uma questão antiga não só de Uberaba, mas de todo o país. “Infelizmente, ainda não damos conta de atender todas as demandas de saúde da população. O Sistema Único de Saúde é um sistema muito bem pensado e fundamentado, mas na prática a gente tem uma realidade que muitas vezes não consegue atender efetivamente todas as necessidades de saúde da população. A saúde é uma área muito complexa, mas Uberaba é um município privilegiado. O atendimento em saúde para população de Uberaba e região tem sido bastante eficiente e o Hospital de Clínicas é o maior é o principal prestador de serviço em saúde para Uberaba e região, responsável pela alta complexidade de toda a macro e temos feito um trabalho historicamente com muita eficiência e resolutividade. Entretanto, nossa capacidade operacional é insuficiente para atender todo a população dos 27 municípios e isso tem de ser revisto”, afirma Ana Lúcia. (MGS)