Mosaic
Prefeitura- coronavírus
Coluna

Mulherio

Juba Maria

Juba Maria

Juba MariaJornalista formada pela UFRJ, mãe e poeta, trabalha como Assessora de Comunicação da Infraero. É uma das coordenadoras do projeto AMAi e dá palestras sobre Comunicação Não-Violenta.

02/02/2020 06h00
Por: Redação

Causou rebuliço nas redes sociais a história da mulher que mesmo vítima de tentativa de feminicídio beijou o réu antes de sua condenação, em Venâncio Aires, RS.

A atitude levou a um achincalhamento da mulher nas redes sociais, promovendo que a sociedade está longe de entender o processos estruturais e o poder de opressão que um homem abusivo impõe a uma mulher por meio do funcionamento dos ciclos de violência.

Resultado: mais uma vez a vítima é culpabilizada por seguir com o agressor em vez de a situação levar as pessoas a refletir sobre as razões do ocorrido.

De modo geral, homens e mulheres têm permanecido em relacionamentos abusivos porque possuem visões tóxicas sobre relacionamento, educação dos filhos e papéis socialmente construídos. Mas no caso da mulher, há um fator agravante: o fato de serem a maior parte das vítimas de homicídio motivado pela relação de afeto.

Precisamos mesmo é achincalhar os municípios que não têm políticas de abrigo para mulheres e filhos, por exemplo. 

Em Ipatinga (MG), o Ministério Público recomendou a criação e funcionamento, em até 120 dias, de casas-abrigos para mulheres vítimas de violência doméstica e seus dependentes menores de idade. 

A medida também poderá ser implementada por consorciamento ou de forma regionalizada, nos termos das Diretrizes Nacionais para o Abrigamento de Mulheres em Situação de Risco e Violência. Em Uberaba, seguimos sem abrigo apropriado.

Já em Amsterdã, segundo revelou a Folha de São Paulo, a aposta é a utilização de Big Data e da análise desse gigantesco volume de dados, para identificar casos de violência doméstica, cruzando informações de educação e saúde. 

A proposta não fica por aí. A ferramenta pode ajudar a evitar despejos, monitorar lixo, mapear vagas e reduzir poluição.

Mas nem tudo é notícia triste. Salve na agenda: dia 15/2 Uberaba recebe o evento Ela Pode, com apoio do Google, para incentivo ao empreendedorismo feminino. A iniciativa de trazer o evento para a cidade foi de Raquel Resende, responsável pelo Parque Tecnológico.

Trata-se de uma capacitação gratuita para mulheres cis e trans sobre comunicação e liderança, negociação e vendas, finanças, networking, marca pessoal e ferramentas digitais.

Outro tipo de evento para mulheres está sendo preparada pela INANA Social, com o apoio do Sebrae, e será realizada em março. 

A proposta tem também o apoio - anônimo ou não -  de mulheres da cidade que passaram por violência doméstica.

Uma feira de produtos e serviços, com palestras e minicursos, será realizada para incentivar a colaboração e o cooperativismo entre mulheres que tentam empreender de forma isolada e muitas vezes cruel.