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Diretor-presidente da BH Airport desconhece Aeroporto de Cargas

Maria das Graças Salvador

11/08/2019 06h00
Por: Redação
Diretor-presidente da BH Airport, Marcos Brandão, afirma não conhecer o projeto do Aeroporto Internacional de Cargas do Triângulo e Alto Paranaíba
Diretor-presidente da BH Airport, Marcos Brandão, afirma não conhecer o projeto do Aeroporto Internacional de Cargas do Triângulo e Alto Paranaíba

O Aeroporto Internacional de Cargas e Passageiros do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba teoricamente não é conhecido em Belo Horizonte. Foi o que deu a entender Marcos Brandão, diretor-presidente da BH Airport, que gerencia o Aeroporto Internacional de Belo Horizonte, localizado em Confins.

Questionado sobre o Aeroporto Internacional do Triângulo, Brandão afirmou que não conhece a informação de um novo aeroporto internacional no Estado. “Tecnicamente, acredito que não tem espaço para um novo aeroporto, pelo volume de passageiros em Minas Gerais para um novo aeroporto internacional. Haja vista que temos quatro destinos aqui em Confins e imagina se for diluir estes passageiros em dois aeroportos. Não acredito que seja uma boa solução e não sabemos de nenhum comentário de que isso esteja sido estudado em Minas Gerias”, afirma Brandão. 

A fala do diretor-presidente da BH Airport causa estranheza, já que está havendo estudo de viabilidade do aeroporto internacional de cargas, o prefeito de Uberaba, Paulo Piau, assinou convênio de outorga entre o Ministério dos Transportes, Portos e Aviação Civil, para exploração do Aeroporto Internacional de Cargas e Passageiros do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba a ser construído as margens da BR-050, entre Uberaba e Uberlândia. A assinatura foi feita em Brasília em 2017.

Em contrapartida, o projeto do aeroporto internacional no Triângulo foi apresentado em rodadas de negócios para empresários interessados em investimentos internacionais.

O JU buscou um posicionamento da Prefeitura de Uberaba. Segundo a Secretaria de Comunicação, o projeto do Aeroporto Internacional de Cargas e Passageiros do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba, na região da Intervales, após receber o decreto de interesse público de área, garantindo a outorga e contratando estudo de pré-viabilidade, avançou para a quarta etapa rumo a sua concretização. 

“O Comitê Gestor de Parcerias Público-Privadas (PPP), presidido pelo prefeito Paulo Piau, autorizou Proposta de Manifesto de Interesse (PMI) para o desenvolvimento de estudos de viabilidade para a implantação, operação e manutenção do Aeroporto Internacional. A iniciativa é da Construtora Barbosa Melo”, informa.

A Comunicação destaca que será uma estrutura aeroportuária para o Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba e são 70 municípios envolvidos nesta questão. O estudo de pré-viabilidade vai mostrar ao mercado e à iniciativa privada se este será um bom investimento, dando um passo significativo para colocar Minas Gerais com um segundo aeroporto estruturado.

 

Rota do Desenvolvimento – O secretário de Desenvolvimento Econômico, Turismo e Inovação da Prefeitura de Uberaba, José Renato Gomes, evidencia que a região do Triângulo Mineiro tem recebido diversas confirmações de significativos investimentos. Recentemente, por exemplo, foi confirmado investimento na área de celulose solúvel no Triângulo Mineiro e também a vinda da nova fábrica do Grupo Petrópolis (Itaipava) para Uberaba, entre outros. “Isso mostra claramente que o Aeroporto Internacional de Cargas e Passageiros é imprescindível para acolhermos e darmos vazão em produtos, além de atender a demanda de passageiros no futuro breve. A região tem que pensar e agir com foco no futuro”.

Segundo ele, apesar de a economia estar ainda em baixa velocidade, a região vem se destacando em conquista de investimentos. “O aeroporto é uma infraestrutura fundamental para o desenvolvimento e, portanto, para consolidar esta importante logística. Outros grandes investimentos serão anunciados e precisamos estar preparados. Não vamos deixar de lutar e de buscar a viabilização deste projeto”, afirma José Renato Gomes.

Já o assessor de Assuntos Estratégicos da Prefeitura de Uberaba, Glauber Faquineli, lembra que é importante destacar que o governo do prefeito Paulo Piau dá mais uma demonstração da sintonia com o que tem acontecido de mais moderno no mundo. “O fato de o governo ser provocado por uma empresa não quer dizer que é única e exclusivamente uma prerrogativa desta empresa, e sim agora abrir para o mercado para que todas as outras empresas que estejam interessadas possam também desenvolver este estudo”, explica.

Glauber destaca o potencial da viabilidade: “quando se consegue despertar a atenção do mercado, ao protocolar um pedido de estudo, é porque o projeto demonstra solidez”. Na próxima semana esta autorização será publicada no Porta Voz do Município, e a partir daí corre prazo de 180 dias solicitado pela empresa para que ela apresente os estudos ao governo.

 

Aeroporto – A área para implantação do aeroporto fica na rodovia BR-050, próximo ao KM116, ao lado do Terminal Integrador da VLI. O projeto, destaca a integração Rodo-Aéreo-Ferroviária, a Zona de Processamento de Exportação – ZPE, o EADI (Porto Seco), assim como os terminais de cargas mais próximos da região, localizados em Campinas e Guarulhos. Outro ponto é a localização estratégica de Uberaba, com uma logística privilegiada, visto que se encontra a 500km de distância de Brasília, Belo Horizonte e São Paulo, algumas das maiores áreas populacionais e econômicas do Brasil. O plano diretor do complexo Intervales prevê 700 hectares para a construção do aeroporto e uma área anexa, permitindo com que o Intermodal nasça com garantias de funcionamento e expansão. Além disso, o polo contará com 762 lotes para empresas e indústrias e áreas reservada para serviços e comércio.

 

Projeto não é a curto prazo, afirma prefeito Paulo Piau

Prefeito de Uberaba Paulo Piau afirma que o projeto é bom, com mudança conceitual significativa e por isso demora a ser concluído

Não se muda uma matriz de transporte de uma hora para outra. A avaliação é do prefeito de Uberaba, Paulo Piau. “Nós temos uma boa ideia e ideia se transforma em projeto. É o que está acontecendo. Projeto se vende a sua viabilidade para a iniciativa privada e este é um projeto que não é de curto prazo”, observa o prefeito.

Segundo Piau, cabe, sim, um aeroporto bem estruturado na região. “Será mais um aeroporto em Minas Gerais. As pessoas só pensam no curto prazo e eu penso em longo prazo. O aeroporto internacional não é a curto prazo, porque é uma mudança conceitual significativa. Desativar aeroportos como o de Uberaba e o de Uberlândia no sentido da aviação, não se faz de uma hora para outra. Na hora que o projeto estiver estabelecido e a iniciativa achar que está na hora de investir, será o momento certo”, avalia.

Porém, o prefeito acredita que está não é a hora certa, já que não se monta um aeroporto com a economia crescendo a menos de 1% ao ano, “monta-se um aeroporto com a confiança que o mundo tem no Brasil hoje? Não monta”. E lembra que, a exemplo do Parque Tecnológico, que ficou anos para sair do papel e agora é um projeto bem sucedido, a ideia não pode se perder. “O projeto tem de ser construído e vendido. Por definição, isso será na hora certa e esta hora depende da economia, da confiança, de ter investidores motivados para investir e da mudança da matriz de transporte aéreo viário e de cargas”, destaca Piau. 

O prefeito reforça, ainda, que atualmente se tem aeroportos adaptados para receber grandes aviões cargueiros e que não tem mais separação de aeroporto de carga, de passageiros e o aeroporto indústria. “E o aeroporto nesta região, tem raio de 12 km protegidos de fatores, além de passageiro e carga é o conceito. Isso não é invenção, é um megaprojeto muito grande para se cobrar solução de curto prazo.”

Sobre as reuniões que o Governo Piau teve com empresários da Coréia para investir no Aeroporto Internacional de Cargas e Passageiros do Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba, o prefeito explica que o povo asiático tem uma cultura milenar e estuda muito para tomar decisões. “A China tem mil anos e nos 519. Eles são muito lentos para tomar decisão. E este vai e vem faz parte do jogo asiático. Mas está sobrando dinheiro no mundo e precisa de bons projetos e é o que estamos tentando construir. Os asiáticos estão investindo em hidroelétrica, no agronegócio, na questão da energia solar. São vários assuntos sendo tratados com eles”, finaliza Paulo Piau. (MGS)

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