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Juba Maria

Juba Maria

Juba MariaJornalista formada pela UFRJ, mãe e poeta, trabalha como Assessora de Comunicação da Infraero. É uma das coordenadoras do projeto AMAi e dá palestras sobre Comunicação Não-Violenta.

11/08/2019 06h00Atualizado há 3 meses
Por: Redação

Diversificação

Você já deve ter ouvido falar de uma máxima das finanças que diz assim: diversificar reduz os riscos e aumenta os rendimentos. Pois bem. Essa frase não é dita sem motivo. Estudando o modo de ser dos Guarani aprendi uma lição valiosa, que preciso compartilhar com vocês: não é apenas o caminho que determina onde vamos chegar, mas como decidimos seguir por ele. E é aí que entra um princípio fundamental: cada um tem que descobrir a sua verdade e a razão da sua existência. O que vale para o mercado financeiro vale também para a vida: quanto mais diversificado for o nosso estar no mundo, maiores as chances de descobrirmos a nossa verdade. 

 

Mudança

Acontece que na correria cotidiana quase nunca nos lembramos dessa lição. E deixamos de lado a diversificação por pura insegurança. Por medo do novo, permanecemos em um relacionamento infeliz. Por medo de encarar nossas sombras e nosso vazio, nos agarramos a uma única área da vida: religião, relacionamento, sexo, corpo, trabalho. Muitos são os questionamentos: Será que vou conseguir ter sucesso? Quais são as minhas opções? Como será depois? 

 

Confiança

Sinto que nos falta algo básico: a confiança em nós e no Todo. Nos falta confiar no nosso projeto, na nossa verdade. Hoje vamos falar um pouco sobre isso, em especial para quem está começando a se dedicar a alguma causa social e precisa de uma ajudinha extra para fazer o bem sem cometer o errinho básico de quase todo iniciante no voluntariado: colocar todas as suas energias em um único campo da vida, esquecendo-se do resto.

 

Porque diversificar?

Não se deve colocar todos os ovos na mesma cesta. 

 

Voluntariado conservador

Por incrível que pareça os brasileiros ainda fazem um voluntariado tradicional. Quem apontou isso foi o IBGE que fez recentemente um levantamento. 

A pesquisa constatou que apenas 7,2 milhões de pessoas executam trabalho voluntário no país. Ficou constatado também que o voluntariado é na maioria das vezes feito por mulheres sendo 5%, os homens ficam com a taxa de 3,4%. 

Além disso, apesar das transformações tecnológicas e sociais, a maior parte desse voluntariado (79,9%) é realizado de forma tradicional. Ou seja: em congregação religiosa, sindicato, condomínio, partido político, escola, hospital ou asilo. Esquecem-se, no entanto, de ajudar organizações não-governamentais existentes ou de desenvolver seus próprios trabalhos voluntários de forma independente.

 

Prática religiosa e ideológica

É importante dizer que não defendo que você exclua a prática religiosa, política ou sindical de sua vida. Nela você pode depositar seus valores espirituais ou ideológicos tão necessários nos momentos de crise, quando precisamos acreditar em algo maior para seguir em frente. Ou seja, é importante seguir dedicando uma parcela do seu tempo para as questões espirituais ou existenciais. Ah, e isso vale até mesmo para os momentos em que tudo vai bem em sua vida. Não importa a sua denominação: pratique o que te agrada. Lembre-se: dedicar toda a sua energia a uma única tarefa é o pior negócio que você pode fazer.

 

Qual atividade escolher?

O tipo de voluntariado pode variar também de acordo com o chamado “tipo de personalidade”. Há vários sites que disponibilizam testes de personalidade, mas você pode realizar aqueles os testes do Indicador tipológico de Myers-Briggs (MBTI), que se baseia na teoria conceitual de Carl Gustav Jung. Ah, só pra esclarecer: o diferencial deste teste é a possibilidade de capturar as características psicológicas dominantes com o objetivo de potencializar certos aspectos da sua atitude. Eu fiz e recomendo!

 

Por que diversificar?

Para evitar o desgaste prematuro de alguma área da sua vida, é fundamental balancear as tarefas e o tempo. Mas, além de tudo, pessoas com uma vida diversificada são mais interessantes, criativas e aprendem mais. Enquanto cuidamos de experimentar um novo caminho, aprendemos mais sobre o novo trajeto escolhido, perdemos o medo de dirigir nossa própria vida e fazemos escolhas conscientes.  Então, ao nos dedicarmos a uma tarefa voluntária, não devemos fazer isso por indicação ou imposição de alguém ou uma crença, mas porque reconhecemos na tarefa empreendida algo profundamente ligado ao sentido da nossa existência.

 

Complexidade

É claro que isso torna a vida mais complexa, porém mais dinâmica e criativa. E como ensinou Freud, mentes criativas são conhecidas por resistirem a todo tipo de maus tratos.

 

Violência contra a mulher

Nas últimas semanas, alguns casos de violência contra a mulher chocaram a nossa cidade. Mas é possível ajudar a impedir o aumento desses crimes. Você pode, por exemplo, conhecer a filosofia do bediz = bem dizer e formar grupos de apoio em igrejas, praças, clubes, parques, escolas, universidades...

 

Como ajudar?

Consulte o site: https://bem-dizer.jimdosite.com/. No próximo dia 16 de agosto, um grupo de mulheres que passou pela situação de violência no relacionamento e apoiadoras do projeto se reunirão para conversar e trocar afeto. Informações pelo telefone: (34) 99665-7424. A reunião faz parte da campanha Agosto Lilás e marca o aniversário de criação da Lei Maria da Penha. O grupo está criando uma Startup Social e desenvolvendo um dispositivo de segurança para mulheres. Também começaram um novo projeto: de geração de renda para mulheres. Vale a pena conferir!

[email protected]

 

Cartas

Recebo cartas de mulheres em situação de violência. Envie sua história. Unidas somos mais fortes.

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