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Arahilda Gomes Alves

Cadeira 33 ALTM; membro Academia Poetas Portugueses e Academia Letras e Artes Portugal

Reflexões

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09/02/2020 06h00
Por: Redação

Cio da terra

Pego emprestado o título que dá nome a uma toada de Milton Nascimento e Chico Buarque lembrando que o calendário exalta o elemento-terra-, que chegou até nós e que devemos reverenciar. A magnitude dos elementos que a complementam, tão necessária como água e ar, a prática enciclopédia da revista Seleções nos diz que ela nasceu de imensa nuvem de poeira e gás gravitando em torno do sol. Formada ao longo de bilhões de anos metamorfoseou-se assustadoramente na temperatura, como também sua superfície adaptada não só a fenômenos atmosféricos, mas à ganância humana, completo. Ao longo de quatrocentos bilhões de anos, a Terra - com letra maiúscula, dada sua majestática importância, foi-se através de fenômenos cíclicos, habitada por animais e plantas e outros organismos.

Prosseguir nesse estudo geológico, acredito, não ter fim, porque ela nos mantêm em perene colóquio chegando à poesia dos grandes autores acima trazendo numa das estrofes a profundidade do tema servindo à reflexão: “...afagar a terra/conhecer os desejos da terra/cio da terra, propícia estação/de fecundar o chão.

 Cio da terra clamando em seu habitat, pelo desejo incontido de calor gerado de forma magnética, no equilíbrio de forças antagônicas energizando o espaço em círculos regulares e adaptando-se à natureza humana na vibração empática do amor.

Talvez, seja bom me lembrar de poema escrito, há dezenas de anos, supondo que o ano dois mil era difícil de alcançar e bem se adapta à natureza das coisas. Poeticamente, mostra a espectral movimentação, acredito, inspirada de um digladiar da noite com o dia, no movimento da terra em rotação com o sol.Dei-lhe o título de Viagem Espectral.

Cavalgam, as flores,/através da brisa devoradora,/em sádico prazer,/as pétalas desmaiadas./Joga,o luar,/em luxuriante delírio/seus lanhos de fogo/ ardendo-se em passional/ e diabólica trama./O líquen viscoso dos rios/passa as pernas/dentre as coxas fibrosas/das montanhas,/que se curvam/ recebendo o orgasmo da natureza./O uivo das aves agourentas/desmaia as gramíneas/frementes em  sádico pavor./A boca da noite entreabre-se/ na mostra de sua rica paleta/de matizadas cintilações./A língua esbranquiçada da neblina,/traça  evoluções corpóreas/pelas fendas maceradas da terra/dadivosa de libidinagem./E os tentáculos encrespados do sol/arrancam,furiosos,/a camisola suada /da espectral viagem/do amor!

 

Arahilda Gomes Alves - Cadeira 33 ALTM; membro Academia Poetas Portugueses e Academia Letras e Artes Portugal; cônsul Poetas Del Mundo; Academia Internacional do Brasil; diretora cofundadora Fórum Articulistas de Uberaba e Região. Partícipe Rede Sem Fronteiras; sócia Poemas à Flor da Pele. Escreve crônicas no JU desde 1993.

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