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Marco Túlio Oliveira Reis

Advogado

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12/02/2020 06h00
Por: Redação

Menina veste rosa...

... e menino veste azul!

 

Este é o fundamento que rege importante e necessária (?) pasta do governo – o “super” Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, que tem por titular a pastora evangélica paranaense Damares Alves.

Ainda que seja o branco, a síntese da diversidade e amálgama das demais cores, sua pureza e sugestão pacificadora é descartada nesse horroroso par-ou-ímpar em que o resultado das últimas eleições nos envolveu.

Houve tempos em que as cores eram utilizadas indistintamente por meninos e meninas, aliás, todos usavam vestidos, e no ocidente cristão, costumeiramente, o azul reinava entre os infantes de qualquer sexo, para louvor e glória da virgem Maria.

A tradição cristã ainda nos oferece diversas representações do menino Jesus trajando vestes cor-de-rosa, enquanto Maria sustenta manto em tonalidades variadas de azul.

Contudo, preferiu reduzir o sexo e suas mais variadas matizes e variações em simbólicas e irracionais cores – menina veste rosa e menino veste azul!

Discordo!

Não apoio e ainda que seja simpático à cromoterapia, imagino como seriam simples as relações humanas se as cores definissem o que somos, o que nos tornamos, o que preferimos e o que desejamos. Um poder imensurável que neutralizaria Freud, Jung, Lacan e todos os filósofos que pensaram o intrincado e ainda inexplicável “existir” humano.

No carnaval brasileiro, por exemplo – a seguir essa lógica “par-ou-imparística” - o Grêmio Recreativo e Escola de Samba Portela seria exclusivamente para homens, por ter como cor principal o azul e o Grêmio Recreativo Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira, que sustenta em seu pavilhão a cor rosa, privilégio do universo feminino, tolice, até então, sem precedente.

Uma sociedade construída com essa concepção alegórica simplista e destituída do menor fluído de inteligência, é pobre, mesquinha, reducionista e excludente.

Não é possível que em pleno século XXI, onde a população mundial beira 8 bilhões de almas, uma afirmação tosca possa nortear a política social de um governo.

Todavia, o que me preocupa não é a ignominia dessa assertiva oficial, ou o pensamento raso e ridículo que ela traduz e representa, mas o silêncio aprovador de uma massa ignara que, entorpecida, aprova e aplaude os que tentam apagar o arco-íris e arrancar as cores dos dias! 

 

Marco Túlio Oliveira Reis - Advogado

 

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