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Romancistas de Uberaba

O romance só passou a existir no início do século XX no município

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13/02/2020 06h00
Por: Redação
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Antecedentes

 

O romance, por exigir verdadeira arquitetura relacional humana, estabelecendo não só os liames entre as personagens, mas, ainda, e tão importante quanto, a existência e manifestação do ser no mundo, é dos gêneros literários, senão o mais difícil, certamente o mais complexo.

Daí ter sido, até o século XVIII, o gênero menos cultivado, conquanto existente desde as áureas antiguidades grega e romana.

No Brasil, afora o exemplo isolado e editado em Portugal do romance “Aventuras de Diófanes”, de Teresa Margarida da Silva Horta, irmã de Matias Aires, o romance somente surgiu, como prática daí em diante permanente, com “Statira, e Zoroastes” (1826), de Lucas José de Alvarenga, aparecendo, na década seguinte, os romances de J.M. Pereira da Silva (1838 a 1839) e Justiano José da Rocha (1839), seguidos, posteriormente, dos romances de Varnhagem (o historiador, 1840), Joaquim Noberto (1841), Teixeira e Sousa (1843) e Joaquim Manuel de Macedo (1844).

 

Século XX

 

Em Uberaba, o romance só passou a existir no início do século XX, assim mesmo com obra isolada, ao se atribuir a AURÉLIO DE ARAÚJO VAZ DE MELO a autoria de um romance, do qual até mesmo o título se perdeu, necessitando não só ele mas também o texto, serem recuperados.

Em 1925, JOSÉ AUGUSTO AVELINO, escritor e jornalista com vários livros publicados, lançou o romance “Memórias de João Barriga”.

No início da década de 1930, o compositor uberabense JOUBERT DE CARVALHO teve publicado no Rio de Janeiro, pela Freitas Bastos, seu romance “Espírito e Sexo”, e SOARES DE FARIA, antes de se transferir para Uberaba, começou a publicação de série de livros, entre eles, o romance “Dilema” (1934).

Em 1952, em São Paulo, EDUARDO PALMÉRIO, irmão de Mário, lançou o romance “Solteiros no Civil e Religioso” e, provavelmente em 1958, já que sem indicação de data de edição, “A Noite é Nossa”, também romance, título certamente influenciado pela campanha, à época, de “O Petróleo é Nosso”.

Em 1956, o professor RAIMUNDO RODRIGUES, que residiu e lecionou em Uberaba muitos anos, publicou em Goiás o romance “Riachão” e Soares de Faria, nosso único romance de ficção científica, “Viagem Interplanetária”, editando no ano seguinte o romance “Salvador Que Não Salvou”. 

Nesse mesmo e significativo ano de 1956, foram publicados os romances “Vila dos Confins”, de MÁRIO PALMÉRIO, e “A Lua Vem da Ásia”, de VÁLTER CAMPOS DE CARVALHO, imediatamente projetados no panorama literário brasileiro.

Posteriormente, já na década seguinte, ambos tornaram às livrarias, Palmério com “Chapadão do Bugre” (1965) e Válter Campos de Carvalho com três outros livros, que escapam a restrito enquadramento no gênero, entre eles “O Púcaro Búlgaro”, em 1964.

Ainda na década de 1960, o advogado ANTÔNIO SEVERINO MUNIZ, então residente em Uberaba, publicou o romance “Furna da Onça” (1969).

Em 1971, o advogado e professor universitário de Direito, JOÃO CUNHA, lançou o romance “Desquite”, versando, como o título indica, sobre o relacionamento de casal.

O ano de 1996, mais de vinte anos depois do último lançamento de romance, marcou o início da publicação de romances pelo médico e escritor JOSÉ HUMBERTO HENRIQUES com “Geo Morfo Sintaxe do Riso”, seguido de “Urucuia” no ano seguinte, além de novelas literárias.

Outros romances também foram publicados nessa década, como “Luz Que Não Se Apaga” (1992), de CARLOS JOEL CASTRO ALVES; “James Lins” (1994), de MÁRIO PRATA; “Ana e Outros Amores de Tiradentes” (1995) e “A Batalha do Andarilho Contra o Dragão” (1996), ambos de JOAQUIM BORGES.

 

Século XXI

 

A partir de 2000, JOSÉ HUMBERTO HENRIQUES prosseguiu com sua estonteante produção literária, atingindo, neste mês de fevereiro/2020, nada menos de 350 (trezentos e cinquenta) livros, publicando na área do romance, entre muitos outros, “Xacriabá” (2000), “Cangalha” (2001), “Bar do Biroca” (2005), “Nouvelle” (2009), “Crixás” (2010), “Pernaiada” e “A Travessia das Araras Azuis”, ambos em 2012 e ambos obras-primas da ficção brasileira.

Além deles e mais de 50 (cinquenta) outros romances e novelas, José Humberto escreveu o romance ciclo “A Tragédia Humana” (2003 a 2005), em 09 (nove) volumes, todos, como seus demais livros, publicados na Amazon.

Com produção ficcional também expressiva, o juiz federal aposentado PAULO FERNANDO SILVEIRA publicou nesse período os romances “O Sétimo Jurado” (2002), “O Sertão da Farinha Podre” (2004), “A Batalha de Delta” (2005), “O Morro das Sete Voltas” (2008), “Assassinato em Jaguara” (2009), “Capão da Onça” (2011), “Gritos na Escuridão” (2013), “A Morte Prefere o Vermelho” (2014) e “O Espião Subversivo” (2016), nos quais se ressaltam, de plano, os títulos, ora impactantes, ora referenciados a características locais, sendo “A Batalha de Delta” e “O Sertão da Farinha Podre” romances históricos.

Atestando o cada vez mais acentuado cultivo do romance em Uberaba, foram lançados, ainda nos três primeiros lustros do século XXI, os romances “Caçadas de Vida e de Morte” (2000), do médico JOÃO GILBERTO RODRIGUES DA CUNHA; “Celestino e o Médium no Canal do Raio” (2004), de CÁSSIO MURILO PIMENTA; “Quando os Gringos Voltarem” (2011), de ONOFRE FIDÉLIS; “Meninos da Roça” (2010), indicado como de ficção e de autoria de AFRÂNIO BARBOSA DE SOUSA.

Por fim, ressalte-se o lançamento, em 2016, do romance “Madame Satã de Barro Preto”, do promotor aposentado SÍLVIO FAUSTO DE OLIVEIRA, enfocando na personagem título promotora pública e seus abusos de autoridade.

Já em 2019, o professor e geógrafo RENATO MUNIZ DE CARVALHO estreou no gênero com o bem urdido “Beijar na Boca Não Pode”.

 

Guido Bilharinho é advogado em Uberaba e autor de livros de literatura, cinema, estudos brasileiros, História do Brasil e regional editados em papel e, desde setembro/2017, um livro por mês no blog https://guidobilharinho.blogspot.com.br/

 

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