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Prof. Décio Bragança

Prof. Décio Bragança

Prof. Décio BragançaGraduado em Letras pelas Faculdades Integradas Santo Tomás de Aquino (Uberaba, 1972). Especialista em Metodologia do Ensino Superior pela Universidade Federal de Santa Catarina (Uberaba, 1982. Especialista em Língua Portuguesa pelas Faculdades Integradas de Uberaba em convênio com a UNICAMP (Uberaba, 1987). Cronista de Rádio às quartas feiras e de Jornal quintas feiras, na cidade de Uberaba.

16/02/2020 06h00
Por: Redação

Usarei nas epígrafes, aforismos, respostas de Santa Madre Teresa de Calcutá

 

A coisa mais fácil? Errar - Sabemos que a culpa é dolorosa e para evitar o sofrimento, nós utilizamos defesas o ataque, a agressão, a intolerância são formas de a gente se de-fender e espantar tanta dor e sofrimento. Mal percebemos que o outro nos é imprescin-dível. Sem o outro nada podemos fazer, ser. 

O maior obstáculo?  medo - O mal depende muito mais das nossas relações com nós mesmos e com os outros. Dessas relações nascem a tolerância ou a intolerância, a inte-gração ou a dissonância, a libertação ou o confronto, a possibilidade de realização ou a revolta, o céu ou o inferno. 

O maior erro? O abandono - O fato é que com o outro eu me realizo, eu me liberto, rea-lizando e libertando o outro. Estamos vivendo momentos de muita intolerância, dado o individualismo exagerado, ao extremo. “Cada macaco no seu galho” – “Cada um dentro do seu quadrado”. 

A raiz de todos os males? O egoísmo - Por exemplo, a miserabilização do mundo, a fome e a miséria de muitos não nos interessam, nem nos incomodam. Hoje, são mais de um BILHÃO de pessoas no mundo sem as mínimas condições de sobrevivência, vivendo na extrema miséria, com menos de UM dólar por dia, ou trinta dólares por mês. 

A distração mais bela? O trabalho - Talvez, esses números revelem a maior de todas as violências contra o ser humano. Não se deve pensar somente em questões individuais, pessoais, subjetivamente – como querem as pessoas do liberalismo – mas pensar objeti-vamente no crescimento da miséria e da fome, da exclusão e da intolerância, da agressi-vidade e da morte precoce, da humilhação e da marginalização, das doenças e das dores de muitos seres humanos espalhados por todos os recantos e encantos do mundo. 

A pior derrota? O desânimo - Pensar nos outros é uma exigência ética, muitos além dos muitos preceitos religiosos. Defender a vida em todos os seus aspectos é uma possibili-dade de encontro inclusive com Deus e dar continuidade ao processo de criação. 

Os melhores professores? As crianças - Se a vida humana não for respeitada, se a natu-reza não for preservada, em vão, sem sentido e significado será a religião e todos os deuses possíveis. Estão cavando a nossa própria sepultura, porque estamos privilegian-do sempre o lucro e o mercado de capitais. 

A primeira necessidade? Comunicar-se - O mercado não é a busca de uma sociedade perfeita, como nos é apresentado, mas um caminho para a perdição e destruição, da amargura e da solidão. Com muita competência e perspicácia, o mercado nos é apresen-tado como um deus poderosíssimo, exaltado nos shoppings e nas bolsas de valores. 

O que a faz mais feliz? Ser útil aos demais - A liberdade de mercado criou a ideia de me-ritocracia – o maior absurdo dos últimos tempos – porque, no mínimo, exclui pessoas, destrói a natureza, produz a morte. Quem destrói mais, quem mata mais, tem mais méri-to. Na verdade, somos todos considerados sobras, restos, obstáculos, estorvo, proble-ma, lixo para os detentores da ideia de meritocracia e do liberalismo. 

O pior defeito? O mau humor - O discurso ilusório e massificante dos liberais – donos de coisas e de pessoas – prega a ideia de que os ricos gananciosos é que dão emprego, mesmo se o trabalho for escravo; os ricos liberais saciam os famintos, mesmo se para isso derrubam as matas e as florestas para criarem pastos e fazerem grandes plantações; os ricos especuladores fazem o povo rir, patrocinando grandes espetáculos musicais e esportivos; os ricos avarentos se sacrificam para trazerem a todos o pão e o circo; os pobres são indolentes e preguiçosos, não querem estudar nem trabalhar, querem só sa-ber de cerveja e carnaval, querem tudo de mão beijada, de bolsa-família e bolsa de estu-do. 

A pessoa mais perigosa? A mentirosa - Não se trata de apenas odiar esses ricos, nem exaltar os pobres. A questão é mais séria: é inadmissível que muitos ainda, com tanta informação e tecnologia, passem fome, não tenham água e esgoto tratados, não tenham uma casa. 

O pior sentimento? O rancor - Os gananciosos, os liberais, os avarentos, os especulado-res constroem um céu para si mesmos e um inferno para muitos. Não dá para ser feliz, enquanto houver uma pessoa nessa situação, como nos ensinou Dom Helder Câmara. Outro mundo é possível! Outra humanidade é possível! 

O presente mais belo? O perdão - A utopia não morreu, porque não também não morre-ram os sonhos e a libertação! O amor ao próximo, queiramos ou não, o único critério de salvação e de libertação. Em outras palavras, o outro é a salvação, porque o outro é o céu. Acredito que esse é o grande desafio para todos os países e povos. 

O mais imprescindível? O lar - Não é moral e ético, privilegiar as altas taxas de lucro, destruir a natureza e as matas e as florestas, envenenar os rios e as lagoas, destruir a camada de ozônio – manto protetor do planeta Terra – aumentar o aquecimento global que provoca grandes catástrofes naturais, como vimos neste início de ano. 

A rota mais rápida? O caminho certo - As autoridades, que vivem em ilhas de segurança total, culpam a natureza, as chuvas, as avalanches, as nevascas. São Pedro é o culpado! Deus é o culpado! 80% da poluição e lixo – causadoras do aquecimento global – são produzidos por seis países mais ricos. 

A sensação mais agradável? A paz interior - A título de provocação: as crianças norte-americanas e europeias comem 17 vezes mais do que uma criança africana e 13 vezes mais do que uma criança sul-americana. 

A maior proteção efetiva? O sorriso - Pior de tudo ainda é a imagem criada pelos ideólo-gos liberais e do mercado: os pobres sujam as cidades e produzem muito lixo, os favela-dos enfeiam as cidades com construções e puxadinhos nos morros, os desnutridos inva-dem as cidades e pedem esmola, perturbando o sossego, os esfarrapados frequentam shoppings – templos do deus-mercado, os analfabetos não têm nenhum senso crítico e estético, os ignorantes fabricam filhos em série, os desempregados, principalmente os negros, em fila de um emprego exalam mau cheiro – todos eles cânceres da sociedade e pessoas altamente perigosas. 

O melhor remédio? O otimismo - E os das ilhas de segurança – armados e protegidos – ainda pensam em aumentar a pena para criminosos, diminuir a idade penal, eliminando possíveis perigos, para lhes aumentar a sensação de felicidade e alegria. 

A maior satisfação? O dever cumprido - Quanto sadismo – gosto pela dor e sofrimento – e quanto masoquismo – gosto e prazer pela dor e sofrimento dos outros! Como são masoquistas os nossos meios de comunicação e informação! 

A força mais poderosa? A fé - Os noticiários, depois das 16 horas, são só sangue e lá-grimas. A violência está institucionalizada. E os das ilhas de segurança têm seus crimes protegidos até por segredo de justiça. Está decretada a morte para quase a totalidade da população, porque a injustiça – ausência de direitos – também está institucionalizada. 

As pessoas mais necessárias? Os pais - Tenho muito medo da ideia de estado-mínimo – o que na prática se configura como privatização das estatais, a não interferência nas polí-ticas públicas, o sucateamento da indústria e da pesquisa nacional, a promoção da guer-ra econômica entre os países, a internacionalização da economia, trazendo a certeza de que tudo virou mercadoria, até a saúde, a educação, a moradia, o transporte público, o saneamento básico. 

A mais bela de todas as coisas? O amor - Tenho medo do próprio avanço da ciência e das novas tecnologias (automação e robotização) – aumento da rentabilidade e lucrativi-dade com a dispensa de pessoas – porque os economistas liberais querem fazer uma economia sem pessoas, ou ainda uma economia sem a face humana. 

O dia mais belo? Hoje - Outro mundo é possível! Outra humanidade é possível! Há de haver alternativas de mudanças, de novas propostas, de nova utopia, de novos sonhos e ideais, porque não estamos vivendo o fim da história dos homens.