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Economia

Empresárias contam histórias de sucesso em Uberaba

Em Uberaba, 6.302 mulheres são microempreendedoras individuais, totalizando 48,41% do total

22/02/2020 06h00
Por: Redação
ELA PODE, evento de capacitação do Instituti Rede Mulher Empreendedora, financiado pela Google - Foto: Divulgação
ELA PODE, evento de capacitação do Instituti Rede Mulher Empreendedora, financiado pela Google - Foto: Divulgação

 

Juba Maria/ Sabrina Alves

Roberta Ventes é proprietária da Confraria da Gula e contou sua história de sucesso depois de 18 anos empreendendo. “Iniciei desempregada, mãe de um bebê. Precisava pagar as contas”, disse. Ela começou em 2002 fazendo ovos de Páscoa com apenas R$100,00, que pegou emprestado. Depois, passou a fazer trufas e pães de mel e diversificou seus produtos. Em 2019, Roberta foi escolhida como a confeiteira mais doce, da quinta temporada do programa Que Seja Doce, da GNT. Ela também foi a 5ª colocada no prêmio empreendedorismo popular Pega Visão, do Rick Chester. 

Thais Nascimento, cabeleireira, proprietária do salão Beleza Black e ministra seu método de ensino no Brasil todo. Ela participou do ELA PODE, evento de capacitação do Instituti Rede Mulher Empreendedora, financiado pela Google. Ela participou da roda de conversa neste sábado, quando falou sobre as dificuldades e a mudança no seu negócio após as capacitações realizada. “EM 2019 conseguimos um faturamento de 500 mil que nunca pensei que poderia”, disse.

Gisele Rodrigues conta que comprou uma maca portátil, pesada, que carregava pra cima e pra baixo, mesmo sem ter carro, para atender em domicílio. Hoje é proprietária do Espaço Bem Vida com estrutura e máquina para oferecer serviços de estética. 

Ela também participou da roda e contou que faz parte da INANA, projeto social que apoia mulheres em situação de relacionamentos abusivos. “Empreender transformou minha vida, me deu perspectiva de vida que eu nunca imaginei que teria. Transformou a minha vida e a minha família”, disse

Gisele convidou as mulheres para participarem da NOSSA, FEIRA!, destinada a quem empreende de forma isolada, sem apoio. A feira será realizada pela INANA SOCIAL em parceria com o Sebrae no salão da Igreja Nossa Senhora da Abadia. 

Finanças também foi tema no ELA PODE. Luciane Abadia, uma das organizadoras do evento, falou sobre a relação com dinheiro, sua história de mudança e as dificuldades que as mulheres encontram para entrar no mercado. “Quando eu trabalhava em uma empresa de telefonia, presenciei uma excelente profissional, com experiência na concorrência, ser excluída de um processo seletivo em função da idade. Ela tinha 42 anos”, disse. Ela criou também o grupo Ryca, que orienta mulheres a reorganizar suas finanças.

 

Impacto Social - Em todo o Brasil, o ELA PODE já capacitou, só em Minas Gerais, 150 mulheres em situação de cárcere. Segundo Luciane, que já realizou treinamentos do tipo, trata-se de uma experiência incomparável. “São mulheres que demoram para quebrar a distância mas quando se abrem, se abrem de verdade e se agarram a toda oportunidade que chega. Mulheres inteligentes e competentes, O ELA PODE aflora o que elas têm de melhor”, disse. 

Em Uberaba, algumas mulheres que estão atualmente no regime de semiaberto foram autorizadas pela justiça para participar do treinamento, em razão de demonstrarem comportamento adequado e o evento ser compatível com os objetivos da pena. “Eu errei e hoje, aqui, ouvindo várias mulheres, com histórias de vida, tenho a certeza que vou sair com mais força para recomeçar”, disse uma das reeducandas. No total, a Google já investiu 1 milhão de dólares no projeto do Instituto Rede Mulher Empreendedora que pretende capacitar mais de 135.000 mulheres até o fim do ano.

 

Mulheres microempreendedoras em Uberaba já são 48%

Em Uberaba, 6.302 mulheres são microempreendedoras individuais, totalizando 48,41% do total, contra 6.716 microempreendedores homens. Os dados são do Sebrae e foram divulgados neste sábado, 15/2. E se depender do ELA PODE, projeto de empreendedorismo feminino do Instituto Rede Mulher Empreendedora, elas não vão empreender sozinhas. E ainda vão crescer.

“Para a mulher, ter um negócio próprio é muito solitário. Daí a necessidade de as mulheres se ajudarem”, disse a empresária Tati Ster, uma das palestrantes que estiveram, no Auditório da Universidade Federal do Triângulo Mineiro na manhã deste sábado para capacitar mulheres para o empreendedorismo.

Tati faz parte do Moeda de Troca, um programa de apoio entre mulheres. “Quando uma mulher vê outra mulher fazendo, ela se inspira de forma diferente”, disse. A empresária contou histórias de sucesso de mulheres como Nina Darc, proprietária da Higia Online, empresa de serviços de limpeza por metro quadrado, que obteve crescimento de 60% desde o início da participação no projeto. No total, 1.750 mulheres participam do Moeda de Troca.

Um dos objetivos do programa é melhorar a capacidade de conversão de “empreendedoras” em “donas de Negócios”. No Brasil, esse índice ainda é muito baixo. Segundo dados do Sebrae, em cada 10 empreendedoras no Brasil, apenas 3,9 viram “donas de negócio”, contra 6,5 dos homens.

Segundo Tati, quando as mulheres se encontram em grupos, movimentos e redes de apoio, sentem-se mais seguras e passam a caminhar com mais propriedade, acompanhando, avaliando, impulsionando, trocando informações e sugestões. “O foco é melhorar a vida das mulheres”, disse.

 

Histórias de sucesso - A artesã Stephani Lara Oliveira, 25 anos, integra o grupo de empreendedoras que participa da edição uberabense do “Ela Pode”. “Iniciei meu trabalho com por gostar de turbantes e brincos. Conversei com algumas amigas e percebi que elas também tinham dificuldade de encontrar esse tipo de acessório. Foi aí que comecei a produção de materiais voltados especialmente para o empoderamento e a beleza da mulher negra e que caberia dentro do orçamento de qualquer uma”, disse.

Ela está otimista com o evento e espera fazer conexões. “Pra mim, o ELA PODE significa não ter barreiras para os nossos sonhos”, disse.  “É uma questão de dar um pontapé, de levantar da cadeira e falar: eu posso e eu vou conseguir”, completou.

O segmento de comércio varejista de artigos do vestuário e acessórios em Uberaba do qual Stephani faz parte é predominantemente liderado por mulheres. Segundo o Sebrae, 77,55% dos microempreendimentos deste setor são chefiados por mulheres, contra 22,45% dos homens. As mulheres também são maioria nos ramos de cabeleireiros, promoção de vendas e lanchonetes. (JM/SA)

 

A economia do cuidado é o setor do futuro

A economia do cuidado será o trabalho do futuro e corresponde a maior parte das atividades realizadas pelas mulheres presentes no ELA PODE. O evento gratuito foi realizado neste sábado pelo Instituto Rede Mulher Empreendedora com investimento da Google. No total, a empresa já investiu 1 milhão de dólares no projeto.

Segundo a Organização Internacional do Comércio (OIT), o crescimento do setor é necessário para enfrentar a enorme disparidade entre o trabalho e as responsabilidades que recaem sobre mulheres. Segundo a OIT, mais de três quartos do tempo gasto em trabalho de cuidado não remunerado no mundo é conduzido por mulheres. Isso precisa mudar.

Para a empresária e organizadora do ELE PODE, Luciane Abadia, o mercado de trabalho, de um modo geral, é cruel para a mulher. “Além das tarefas de casa, relacionamentos, filhos e trabalho, ainda tem a cobrança por um padrão pessoal impraticável”, disse. 

Fora isso, mais de 65% das mulheres não voltam ao mercado de trabalho após o término da licença-maternidade seja por demissão voluntária ou involuntária. “As empresas ainda não perceberam que a maternidade não é um problema para o desempenho profissional. Muito pelo contrário. A maternidade costuma nos tornar profissionais melhores”, disse. “Quando nasce uma mãe, nasce uma empreendedora”, completou.

Por essa razão, segundo Luciane, muitas mulheres se veem empurradas para algum negócio próprio. Geralmente, esses negócios têm relação com uma atividade que muitas delas desenvolviam anteriormente de modo não remunerado. “Empreender não tem glamour, não tem receita pronta e não tem garantias. Mas quando a gente se dedica, estuda, se capacita, melhora, avança e encara os desafios”, disse. “A mulher tem se descoberto plural, multipotencial e se arriscado mais para evoluir seus negócios”, completou.

Daiana Virgínia, por exemplo, é proprietária da Dayaquina Confeitaria. Ela veio de Uberlândia para trabalhar no ELA PODE e se dedica à confecção de bolos. Depois de 10 anos fazendo bolos em casa, para amigos e familiares, sem remuneração, ela decidiu empreender. Daiana atuava como vigilante, mas após o nascimento do filho, resolveu abrir sua empresa. O negócio mal começou e o faturamento já superou 20 mil reais.  “É muito amor envolvido, por saber que eu vou levar não apenas o bolo, mas carinho. E estamos conquistando novos clientes, dia após dia”, disse.

 

Marcas com propósito - A economia do cuidado não se resume ao mercado de culinária, beleza e higiene. Tratam-se anda de negócios em que em vez de o lucro ser o definidor das decisões organizacionais, o cuidado com as pessoas e a natureza são as diretrizes primordiais que definem as tomadas de decisão.

Criar marcas com propósito é justamente a expertise da palestrante Tati Ster. Ela ajuda empresas a tomar decisões e fazer as parcerias corretas para reduzir o stress e o tempo perdido. “Olhamos com cuidado para cada ponto de contato com o cliente para criar uma identidade marcante”, explicou. Durante a palestra, Tati deu dicas valiosas sobre networking, instruindo, por exemplo, sobre como abordar possíveis parceiros e fazer novas conexões. 

A enfermeira Suzana Lopes de Melo há 35 anos dedica seu tempo a ajudar mães no processo de amamentação, mostrando que a economia do cuidado não é uma novidade e pode ir além. Autora do livro “Amamentação Contínuo Aprendizado”, ela é incentivadora do copinho do bebê, que auxilia na ingestão do leite materno em condições em que as mães não conseguem amamentar. (JM/SA)