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Economia

Prof. Dr. Carlos Eduardo do Nascimento

Coluna do Kadu

Coluna do KaduProf. Dr. Carlos Eduardo do Nascimento - Advogado e Consultor Tributário - Doutor em Direito Político e Econômico pela Universidade Presbiteriana Mackenzie - Secretário Adjunto de Administração da Prefeitura Municipal de Uberaba - Membro da Comissão de Educação Jurídica da OAB/MG - Membro da Comissão Permanente de Estudos de Direito da Concorrência e Regulação Econômica da OAB/MG - Avaliador de Cursos do INEP/MEC - Coordenador Pedagógico - Soluções Educacionais VLEX

29/02/2020 06h00
Por: Redação

OS IMPACTOS DO AVANÇO DO CORONAVÍRUS NA ECONOMIA GLOBAL E BRASILEIRA

O avanço da epidemia do novo coronavírus pelo mundo tem provocado abalos nos mercados globais e tem elevado as preocupações de investidores e governos sobre o impacto da propagação do vírus nas cadeias globais de suprimentos, nos lucros das empresas e na desaceleração do crescimento da economia global. Embora o maior número de casos confirmados e os principais impactos ainda estejam concentrados na China, os temores de uma pandemia intensificaram-se com autoridades pelo mundo lutando para prevenir a disseminação do vírus, que já foi registrado em cerca de 30 países, gerando interrupção da produção e do consumo na China e também a paralisação de algumas atividades em países como Coréia do Sul, Japão e Itália.

 

DESACELERAÇÃO DA ECONOMIA GLOBAL E DA CHINA

Embora ainda seja difícil estimar a magnitude do choque na economia, já é praticamente consenso que a economia global e o PIB (Produto Interno Bruto) da China deverão crescer menos que o esperado em 2020. O Fundo Monetário Internacional (FMI), que já alertava para um ritmo de recuperação mais lento em 2020, estima que a epidemia de coronavírus deverá reduzir o crescimento econômico mundial em até 0,1 ponto percentual. A projeção do FMI é de uma taxa de crescimento de 5,6% para a China em 2020, 0,4 ponto a menos do que as estimativas de janeiro. Em 2019, o PIB chinês desacelerou para 6,1%, o menor crescimento em 29 anos. O surto representa um grande abalo na economia chinesa, pois tem fechado fábricas e lojas, colocado regiões inteiras em quarentena e deixado muitos cidadãos trancados em suas casas por medo do contágio, reduzindo dessa forma o consumo e a atividade econômica. Vale lembrar que a China é a segunda maior economia do mundo, com uma participação no PIB global da ordem de 16%. 

 

CADEIAS GLOBALMENTE INTEGRADAS

O impacto do coronavírus na produção manufatureira chinesa também traz consequências para os principais parceiros comerciais chineses e para as cadeias globais de suprimentos. Mesmo em regiões que não estão em quarentena, eventuais suspeitas de contaminação têm levado ao fechamento total de algumas indústrias até que se descarte um novo caso. As exportações chinesas de bens intermediários no segmento eletroeletrônico respondem por mais de 10% da produção global desses produtos. Segundo um relatório da Trendforce, empresa chinesa de análise de cadeia de suprimento, a produção de smartphones no primeiro trimestre de 2020 pode cair 12% se comparada ao mesmo período em 2019. Se confirmada a previsão, essa seria a pior produção para o primeiro trimestre em 5 anos. Outros tipos de dispositivos, como monitores, TVs e notebooks também devem ter redução de milhões de unidades na produção, de acordo com a consultoria. Além de provocar o fechamento do comércio e a interrupção de serviços em algumas regiões, o coronavírus afeta até mesmo a produção de mel da China, a maior produtora mundial de mel, uma vez que as restrições de viagens adotadas para conter o surto prendem apicultores em casa e deixarão suas abelhas sem alimento durante semanas.  

 

IMPACTO NO PIB DO BRASIL

As preocupações em torno dos impactos do coronavírus na economia global também tem pesado nas revisões para baixo nas projeções para o crescimento da economia brasileira em 2020. O mercado brasileiro reduziu para 2,20% a previsão a alta do PIB em 2020, segundo a última pesquisa Focus do Banco Central, mas diversos bancos e consultorias já estimam um crescimento abaixo de 2%. Revisões para baixo no PIB chinês geralmente afetam também o Brasil. Além de importante comprador de commodities brasileiras como minério de ferro e soja, o país asiático também tem papel relevante como fornecedor para a indústria local, especialmente a de produtos eletroeletrônicos. E já há relatos de falta de peças para a montagem de produtos, em razão da interrupção da produção e redução dos estoques na China. Por conta de fluxos elevados de capitais para mercados de menor risco, o dólar segue se valorizando frente a outras moedas, em especial moedas de países emergentes como o real. Nesta quinta-feira (27), o dólar atingiu pela primeira vez R$ 4,47 e a alta no ano já passa de 11%. Já a Bovespa já acumula queda de mais de 8% em 2020.

 

PRODUÇÃO DE CELULARES SUSPENSA EM FÁBRICAS DO BRASIL

A fábrica da LG em Taubaté (SP) e unidades da Samsung e da Motorola na região de Campinas tiveram produção suspensas, por falta de componentes eletrônicos que deveriam vir da China. A China é a principal fonte de componentes do Brasil. O país é um dos principais vendedores de chips, circuitos integrados e outras partes e peças que vão se tornar celulares, máquinas de lavar, televisores e diversos outros eletrônicos em outros países. De acordo com informações da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), metade das empresas já têm problemas no recebimento de materiais da China.

 

(Fonte: G1)