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‘Fadiga por compaixão’: quando cuidar de animais pode levar a estresse e depressão

Os efeitos para a saúde mental de pessoas que cuidam de animais são o foco de algumas pesquisas

Marcos Moreno

Marcos MorenoSou Marcos Moreno, comunicador com vários anos dedicados ao trabalho de colunista e assessor de imprensa. Há alguns anos com trabalho na mídia impressa e eletrônica voltado para os animais, notadamente pets.

15/08/2019 06h00Atualizado há 2 meses
Por: Redação

A mesma sensibilidade que motiva a empresária Andressa Ciccone, 29 anos, a passar horas a fio fazendo protestos ou resgatando animais em situações de maus tratos faz com que, em alguns momentos, estas experiências despertem também a sensação de impotência, angústia e estresse. Acontece em todos os lugares e não é diferente com protetores em Uberaba. Já entrevistei várias e entre as características que têm em comum, uma delas é a depressão.

 

“Pessoas veganas e que lutam pelos animais costumam ser mais sensíveis, empáticas. Como tem muita maldade no mundo, essas coisas afetam muito a gente. Nas transmissões ao vivo que faço, às vezes não consigo falar, de tanto chorar”.

“Sabemos que isso afeta, mas o amor fala mais alto. Eles (os animais) precisam da nossa ajuda, não podemos simplesmente cruzar os braços. A força também vem da empatia: não tem nada no mundo que pague salvar vidas”, completa Andressa Ciccone.

 

Efeitos para a saúde mental

Os efeitos para a saúde mental de pessoas que cuidam de animais, como voluntários em abrigos e veterinários, são o foco de algumas pesquisas apresentadas em um evento que aconteceu em Chicago.

“Pessoas que trabalham com animais ou se voluntariam para isso são muitas vezes motivadas por que veem (isso) como uma missão de vida”, explica uma psicóloga, palestrante do evento.

“No entanto, elas encaram rotineiramente o sofrimento e a morte de animais, o que pode levar ao burnout (síndrome despertada por um esgotamento físico e mental), à dita fadiga por compaixão e a outras questões de saúde mental”.

“Estudos sugerem que pessoas dedicadas ao bem-estar animal carregam um peso ainda maior do que outras pessoas que trabalham com algum tipo de assistência por conta de particularidades do trabalho com animais, como a possibilidade de eutanásia e o contato com seres que viveram dor e sofrimento, mas não podem comunicar suas necessidades e experiências”.

A psicóloga sugere que, nestes casos, pacientes e terapeutas busquem estratégias para reenquadrar experiências negativas e para estabelecer uma fronteira saudável entre vida pessoal e trabalho ou ativismo.

Para Andressa, algumas das estratégias de autocuidado que têm se mostrado promissoras são exercícios físicos; pausas no uso das redes sociais, que no seu caso são repletas de pedidos de ajuda e fotos de animais em mau estado; e grupos de conversa e apoio com outros ativistas e veganos.

 

Luisa Mel

À frente de um instituto dedicado, entre outras pautas, ao cuidado de cães e gatos vulneráveis e que leva seu nome, Luisa Mell, 40, diz já ter “sofrido muito” em sua trajetória de mais de uma década como ativista - o que ainda acontece, ela conta, mas de uma forma mais controlada, inclusive depois de ter passado por uma depressão.

Já são dez anos  vivendo como ativista, mas, ainda assim, Luisa diz que continua sendo necessário “muita terapia” e “muita conversa” com familiares e amigos para lidar com situações como resgates arriscados de animais e noites não dormidas.

 

Exemplo

Um exemplo aconteceu no início do ano, quando ela e sua equipe participaram de uma ação conjunta com a prefeitura de Piedade (SP) e com a Polícia Militar Ambiental, que resgataram mais de 1,5 mil cachorros em um canil que havia sido interditado por suspeita de maus tratos.

Depois do resgate, alguns animais morreram e outros receberam cuidados, posteriormente sendo colocados para adoção em feiras organizadas pelo instituto.

“Já visitei muitas ONGs e abrigos pelo Brasil, e muitas vezes saí deprimida dessas visitas por suas condições, pela superlotação. Muitas iniciativas dessas precisam se profissionalizar, não dá para ultrapassar os limites do bem estar dos animais”.

“Existe também a discussão dos acumuladores, pessoas que resgatam mas não doam todos os animais e acabam ficando com dezenas deles, sem ter as condições para isso. Já inclusive resgatei uma idosa acumuladora. Essas pessoas não percebem isso, mas para ajudar o outro, você precisa estar bem”.

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