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Situação da UFTM é reflexo do “estrangulamento enorme” nas universidades públicas nos últimos 5 anos

Situação da UFTM é reflexo do “estrangulamento enorme” nas universidades públicas nos últimos 5 anos

21/06/2024 às 04h00
Por: Jessica de Camargos
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Reitora da UFTM, professora Marinalva Vieira Barbosa, a vice-reitora, professora Meire Soares de Ataíde
Reitora da UFTM, professora Marinalva Vieira Barbosa, a vice-reitora, professora Meire Soares de Ataíde

Maria das Graças Salvador

 

Nesta sexta-feira, 21, a reitora da Universidade Federal do Triângulo Mineiro, professora Marinalva Vieira Barbosa, a vice-reitora, professora Meire Soares de Ataíde, a superintendente do Hospital de Clínicas da UFTM, professora Luciana de Almeida Silva Teixeira e outros membros da gestão da universidade darão uma entrevista coletiva à imprensa sobre os recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) destinados à UFTM e ao HC.

Porém, a reportagem do JORNAL DE UBERABA fez uma entrevista exclusiva com a reitora e a vice-reitora para falarem sobre a instituição, desde que assumiram o cargo. “Nós pegamos a Universidade Federal do Triângulo Mineiro com muitos problemas. Nós estamos vindo de no mínimo dez anos em que a questão de investimento, principalmente em infraestrutura na universidade, é quase zero. Nós sabemos que nos últimos quatro ou cinco anos, no último governo, as universidades públicas sofreram um estrangulamento enorme. Nós estamos fazendo um ciclo de audiência pública na universidade para explicar para a comunidade a dimensão dos nossos problemas”, informa a reitora Marinalva Barbosa.

 

Defasada – Temos um parque tecnológico extremamente defasado, precisamos de um investimento enorme em TI para desenvolver a universidade, nós temos as nossas estruturas prediais com imensos problemas. Temos falta de estrutura de espaço físico, temos trabalhado muito para entrar no PAC, que é o Programa da Aceleração do Crescimento para o ensino superior. Argumentamos que a Universidade Federal do Triângulo Mineiro é espalhada pela cidade, tem um custo de aluguel alto, tanto que isso é uma ação da nossa gestão, de tentar diminuir o curto do aluguel para tentar construir possibilidades de investimentos mínimos, mas a gente precisa do governo federal porque a gente está com esses problemas de estrutura física. Nós temos problemas como a falta de moradia estudantil, falta de recurso para investimento em extensão universitária, falta para a gente uma universidade com estrutura para acolher todas essas demandas, todas essas ações que de fato compõem o fazer aniversário. Porque fazer uma universidade e ai estou pensando fazer no sentido da formação, ela não é só a sala de aula, eu preciso da sala de aula, preciso de política para reter os alunos e nós hoje temos um problema seríssimo de evasão e precisamos combater a evasão e fortalecer a permanência, além das estruturas físicas, além dos investimentos em TI, a gente tem que ter políticas diretas voltadas para o atendimento ao aluno, em questões culturais, em ações de acolhimento na área de saúde, na área das desigualdades que a gente precisa combater dentro da universidade. Nós temos uma enormidade de problemas. Não são problemas que são específicos da UFTM. Todos os reitores têm uma fala neste sentido. Eu diria que, no caso da UFTM, por ela ser uma universidade de 18 anos e que o seu desenvolvimento ao se transformar em universidade ficou pelo meio do caminho, então nós temos problemas mais agravados do que os de outras universidades. Quando a gente não tem o campus universitário, que é o que nós não temos hoje, quando temos uma universidade espalhada por aluguel, quando nós temos uma falta de investimentos na universidade e não temos infra estrutura para ampliar os espaços físicos da universidade, isso piora a nossa situação.

 

Ações – Segundo a reitora Marinalva, e a vice-reitora Meire Ataíde, a primeira ação é um intenso diálogo com o governo federal. Neste momento nós estamos focando entrar no PAC do ensino superior, que é nosso foco, porque nós precisamos ter um recurso mínimo para investir em infraestrutura. Nós temos dialogado muito intensamente com o MEC na busca de recursos, na busca de pôr as nossas demandas. Não é só mandar um ofício, é ir lá, falar até que nos ouça. Estamos trabalhando e tentando reduzir o custo aluguel tentando otimizar os espaços da universidade. Nós abrimos uma discussão com a comunidade dizendo o seguinte ‘olha se a gente ficar com os espaços como nós estamos, esse é um dinheiro que vai embora. É uma ação que estamos trabalhando muito fortemente, otimizar o uso dos espaços’. A outra questão que temos discutido muito com o governo, mas também aqui, é tentar diminuir os cursos com os terceirizados, porque temos um custo altíssimo com terceirizados. Isso acontece porque o governo federal já há algum tempo deixou de fazer concurso para determinadas funções dentro da universidade. Ao não fazer isso eles nos empurram também para a contratação de terceirizado, uma vez que a universidade não para. Então, ao mesmo tempo que nós estamos olhando para a universidade dizendo nós precisamos mesmo dos terceirizado, nós estamos dizendo para o governo que nós precisamos de concurso, nós precisamos de liberação de vagas. E esta é uma outra ação que estamos  fazendo e tem uma que está posta, inclusive pela Andifes [Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior], que é a luta pela recomposição do orçamento das universidade. Precisamos que o nosso orçamento seja composto. O governo em 2023 ele fez uma recomposição mínima, mas ele recompôs olhando principalmente para o cenário anterior que era de estrangulamento total. Mesmo essa recomposição feita em 2023 não nos dá o fôlego para fazer os investimentos que elenquei, em TI, em ações de permanência, de infraestrutura. Hoje nossa discussão é, deixar vir o orçamento de 2024 igual o de 2023 é nos deixar com condições mínimas para nos mantermos pagando nossas despesas e os nossos custos. Mas precisamos de investimento. Este tem sido outro movimento que as universidades os reitores têm atuado com a muita força, via Andifes, tentando sensibilizar o governo federal, porque precisamos desse olhar para estas questões.

 

Diálogo – Nos últimos meses o governo começou a sinalizar de que vai pensar. O ministro da Educação Camilo Santana tem sinalizado de que vai fazer esse diálogo, que vai atender [nossas demandas] e o próprio presidente Lula recebeu a Andifes quando apresentamos estas demandas e estamos recebendo sinalizações que vamos, sim, ter algum retorno do governo nessa perspectiva da recomposição do orçamento para as universidades. Ainda não temos nada claramente definido, mas temos um movimento bem mais favorável no sentido destas demandas que estamos apresentando. Esse movimento de mudança do orçamento das universidades federais, nós reitores estamos fazendo desde o segundo semestre de 2023, quando apresentamos a LOA para 2024 e veio toda a discussão para a aprovação da LOA para 2024.

 

Compromisso – A reitora e a vice-reitora lembram que deveria ter um compromisso maior de Uberaba com a universidade. Na maioria das cidades que tem uma universidade federal, a cidade carrega uma universidade federal no colo. Aqui já tivemos isso, porque formamos aqui. Nós que somos uma universidade pública, sem fins lucrativos, com todos os seus servidores de nível altamente técnico e concursado, hoje há um afã muito grande de mudar esta perspectiva sobre nós, de fazer como se a universidade da cidade fosse a universidade de Uberaba, privada com outros interesses. Acho a imprensa pode nos ajudar. Soltam todos os dias matérias, mas ninguém vem aqui perguntar como é. Temos de partir que o contraditório é uma regra básica. O discurso tem direito e avesso. Para eu compor um painel de compreensão do problema preciso olhar esse direito e avesso do discurso. Para eu compor uma questão tenho de fazer um contraditório democrático e transparente. E o contraditório não é o contra, mas sim outra perspectiva, outro olhar.

 

Planejamento – Ainda dentro das ações que estamos fazendo, além de bater na porta do governo federal, nós mudamos a nossa Pró-reitoria de Planejamento, que assumiu o planejamento da universidade. Estamos trabalhando numa perspectiva, nós criamos um setor de captação de recursos. É um investimento muito forte na tentativa de olhar para onde é possível conseguir dinheiro para a universidade. Além de criar o setor de capacitação criamos um GT de dentro da gestão com várias áreas para pensar projetos para conseguir recursos para Peirópolis. Estamos atuando por meio da pesquisa e pós-graduação nos grandes editais, nós entramos com demandas de projetos da ordem de 33 milhões de reais para a área de pesquisa. Não vou dizer que vamos conseguir por conta da concorrência. Nós vamos posicionar a UFTM firmemente para concorrer por essas demandas. É diálogo com o Ministério Público, com o setor produtivo, com Iphan [Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional]. Para todos os lados estamos olhando nessa tentativa de fazer a UFTM buscar recursos neste leque de possibilidades.

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