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Ensaios técnicos uberabenses (II)

Guido Bilharinho

Guido Bilharinho

Guido BilharinhoAdvogado em Uberaba e autor de livros de literatura, cinema, estudos brasileiros, História do Brasil e regional.

11/03/2020 06h00Atualizado há 3 semanas
Por: Redação

 

VI – EDUCAÇÃO E ENSINO

Em 1923 FIDÉLIS REIS (1880-1962), então deputado federal, publicou “O Ensino Profissional – Em Torno de Um Projeto”, projeto este que apresentou na Câmara Federal e provocou, juntamente com seu projeto sobre imigração, duas das maiores celeumas da época no âmbito parlamentar e em áreas afins.

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Em 1961, organizou-se e editou-se sob orientação e colaboração da professora TERESINHA SANTOS, então diretora-técnica do grupo escolar Professor Chaves, o livro “Nossas Lições”, no qual as professora Júlia Sousa Borges, Geralda Pereira Vilaça Bordon, Maria José Silvestre e Maria José Féo Gonçalves, no âmbito determinado pelo título e propósito da obra, expõem “lições”, como eram denominados, que os alunos deveriam aprender (e saber) sob variados temas de Geografia, História de Uberaba, Moral e Civismo (muito antes dessa disciplina ter sido incluída no currículo escolar), Ciências Naturais e Higiene, incluindo mapa do município.

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Em dois alentados volumes, MOACIR LATERZA e TERESINHA AZEREDO RIOS publicaram, em 1971, a obra “Filosofia da Educação: Fundamentos”. Conquanto os Autores, na Apresentação do primeiro volume, afirmem que “este é um livro de filosofia” que “pretende guardar ciosamente seu caráter filosófico” e nesse volume mantenham a primazia do enfoque filosófico de Educação, o segundo volume, como indica o sumário, privilegia a Educação, sob os temas: “A Educação: Mediadora da Cultura”, “A Educação Como Forma de Relacionamento do Homem com o Mundo” e “A Educação Como Forma de Trabalho”.

Em 1983, MOACIR LATERZA, desta vez solo, voltou ao tema com o livro “Reflexão Sobre os Fundamentos da Educação”.

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Décadas depois, em 1983, a professora e escritora VÂNIA MARIA RESENDE lançou a obra “Literatura Infantil & Juvenil – Relatos de Experiência na Escola”, em que desenvolve toda uma explanação sobre sua intensa, criativa e dinâmica prática pedagógica nos parâmetros indicados no título.

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Em 1990, a educadora e administradora escolar, MARIA DE LURDES MELO PRAIS publicou o livro “Administração Colegiada na Escola Pública”, que, como afirmado pela Autora na Apresentação, “assume a forma tanto de um diagnóstico realista de experiências, quanto de uma análise crítica”.

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Conquanto centrados nos temas desenvolvidos, os ensaios publicados em 2000 no livro “Linguagens & Educação”, organizado pela professora MÁRCIA ELISABETE BORTONE, de sua autoria e de quatro outros experientes educadores, “envolvem a assimilação de aspectos sócio-culturais do conhecimento humano e buscam contribuir para a ampliação do horizonte cultural do futuro educador”, conforme explicitado na Introdução elaborada pela organizadora.

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No ano de 2006, os professores TÂNIA CRISTINA FÍGARO ULHOA E RENATO MUNIZ BARRETO DE CARVALHO organizaram e editaram “Só Letrando – Literatura Infantil e Juvenil: Reflexões e Prática na Escola”, reunindo seus ensaios e de mais catorze outros professores em torno da temática elegida.

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Em 2010, a educadora e escritora SUELI TERESINHA DE ABREU BERNARDES editou “Arte e Filosofia na Professoralidade”, em que discorre sobre quatro momentos da educação, afirmando na Introdução que “o acontecer pedagógico, no mundo e aqui no Brasil, da década de 20 do século XX em diante, tem passado por consecutivas etapas que não se opõem umas às outras, mas que se fertilizam e se complementam “.

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A Universidade Federal do Triângulo Mineiro – UFTM lançou, em 2016, o livro “Uma Década dos Cursos de Letras da UFTM – Memórias, Lutas e Conquistas”, organizado pelos professores JULIANA BARBOSA, MARINALVA BARBOSA, MARCUS DE SENE, CAIO ORANGES e BRUNA GARCIA, contendo nada menos de dezoito capítulos atinentes aos cursos, de autoria dos organizadores e dos demais professores, em abordagens históricas, administrativas, teóricas e factuais.

 

VII – FILOLOGIA

Nessa área despontou pioneiro o notável “Dialeto Capiau”, de HILDEBRANDO PONTES (1879-1940), concluído em 1932 e só recentemente localizado no Departamento de Manuscritos da Biblioteca Nacional e publicado eletronicamente em janeiro deste ano de 2020 no blog https://bibliografiasobreuberaba.blogspot.com/.

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Na década de 1960 ou inícios da seguinte (falta indicação do ano na folha de rosto), o professor e escritor SANTINO GOMES DE MATOS (1908 -1975) lançou “Porque Maquinaria e Nunca Maquinário” atinente à célebre polêmica que manteve em 1962 com dom Alexandre Gonçalves Amaral. Em 1974 publicou “Inferno Divertido da Análise Sintática”, jogando com a antinomia do título.

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Em bem cuidada edição de José Expedito Prata, foi publicado em 2010 o livro “UAI – A Fala dos Mineiros de Uberaba e Arredores”, de autoria de HUGO PRATA e PADRE TOMÁS DE AQUINO PRATA, que, de A a Z, efetuam e levantamento e significação de termos e expressões vocabulares regionais.

 

VIII – HISTÓRIA DE UBERABA

Ao que se sabe, a primeira obra sobre a História de Uberaba publicada em livro foi “O Centenário do Município de Uberaba”, de José Mendonça, em 1936. Dado o grande número de livros na área, essa matéria, a exemplo dos estudos meteorológicos e jurídicos, será tratada em artigo próprio, em separado.

 

IX – FUTEBOL

Em 1940, o operoso e incansável ORLANDO FERREIRA, o DOCA (1886-1957), publicou sobre a prática futebolística o livro “Forja de Anões”, em que a condena com o empenho que sempre aplicou em suas campanhas, nela apontando os malefícios que julga proporcionar o futebol naqueles que o praticam.

 

X– ARTES PLÁSTICAS

O primeiro livro de autor uberabense sobre pintura foi nada menos que o levantamento geral e minucioso de toda sua prática no país na monumental “História da Pintura no Brasil” (1944), de JOSÉ MARIA DOS REIS JÚNIOR, celebrado como Reis Júnior, obra que extrapola os limites da historicidade pictural brasileira, visto perlustrar também os caminhos da análise e da crítica.

O mesmo REIS JÚNIOR ainda elaborou mais duas obras nessa área, com “Goeldi” (1966) e “Belmiro de Almeida” (1984), abrangendo vida e obra, roteiro biográfico e artístico e reprodução de trabalhos do primeiro, e enfocando, do segundo, além de sua posição inovadora, vida, formação, pintura, caricatura, escultura e o ser humano que foi.

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MOACIR LATERZA, em Belo Horizonte, publicou, em 2002, o livro “Roteiro Estético das Minas Enganosas”, no qual estuda alguns das principais artistas plásticos de Minas Gerais, dedicando dois capítulos a artistas uberabenses (Fantato, Anatólio, Ovídio, Winkel, Hélio Siqueira e Inês Arantes).

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Em 2003, ao invés de autor uberabense escrevendo sobre pintor local ou de alhures, ocorreu justamente o contrário, com a crítica e estudiosa belorzontina de artes plásticas, ALMERINDA DA SILVA LOPES, publicando, em Belo Horizonte, o livro “Hélio Siqueira”, luxuosa edição em que enfoca desenho, gravura, pintura e cerâmica praticadas pelo artista plástico uberabense, que se destaca pelo sentido modernizador de sua obra e por direcionadas consciência e aplicação da liberdade e possibilidades ilimitadas do artista.

 

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