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Economia

Prof. Dr. Carlos Eduardo do Nascimento

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Coluna do KaduProf. Dr. Carlos Eduardo do Nascimento - Advogado e Consultor Tributário - Doutor em Direito Político e Econômico pela Universidade Presbiteriana Mackenzie - Secretário Adjunto de Administração da Prefeitura Municipal de Uberaba - Membro da Comissão de Educação Jurídica da OAB/MG - Membro da Comissão Permanente de Estudos de Direito da Concorrência e Regulação Econômica da OAB/MG - Avaliador de Cursos do INEP/MEC - Coordenador Pedagógico - Soluções Educacionais VLEX

14/03/2020 06h00
Por: Redação

CORONAVÍRUS: COMO A QUEDA DA BOLSA AFETA A ‘ECONOMIA REAL’?

As negociações na bolsa de valores brasileira foram paralisadas duas vezes, por um período de uma hora e meia no total. O primeiro circuit breaker, como é conhecido o mecanismo de interrupção do mercado financeiro, foi acionado poucos minutos após o início do pregão, quando o principal índice da bolsa, o Ibovespa, caia cerca de 11,65%. O mecanismo foi acionado outra vez pouco depois das 11h, quando as perdas chegavam a 15%, interrompendo o lançamento de ordens de compra e venda por uma hora. O pregão fechou com queda de 14,76% no Ibovespa, que recuou a 72 mil pontos. A última vez em que a bolsa brasileira acionou dois circuit breakers em um mesmo dia foi em 2008, ano em que eclodiu a grande crise financeira internacional mais recente — foram duas interrupções no dia 6 de outubro.

Naquele mês, a bolsa registrou ao todo 5 circuit breakers. Neste março de 2020, as operações na bolsa já foram interrompidas quatro vezes. A medida, explica a consultora econômica Zeina Latif, é uma tentativa de conter o pânico no mercado, interrompendo o “efeito manada” que geralmente caracteriza momentos de grande incerteza — uma grande quantidade de investidores tentando se desfazer dos papéis ao mesmo tempo. Ainda há uma série de perguntas sem respostas em torno da atual pandemia de covid-19, entre elas a possibilidade de que a piora nas condições financeiras provoque uma crise no crédito ou uma recessão em diversos países. Diante da indefinição, os empresários tendem a manter os projetos na gaveta e os investidores, a procurar ativos considerados mais seguros — muitos saem de mercados emergentes, como o Brasil, e migram para títulos da dívida pública americana e para o dólar. Lembremos que estas perdas também acabam tendo impacto na economia real, já que representam, na prática, uma perda financeira para fundos e investidores pessoas físicas — o que pode, por sua vez, ter reflexo negativo no consumo.

A pandemia tem colocado países inteiros em quarentena e restringido a circulação de pessoas e mercadorias. Assim, a tendência é de um desaquecimento das atividades no comércio, nos serviços, nos transportes. A possibilidade de que o resultado do primeiro trimestre deste ano seja negativo é cada vez maior. Para os economistas, a queda forte das ações nesta quinta-feira é reflexo do acúmulo de notícias negativas nos últimos dias — entre elas, a queda forte no preço do petróleo, os sinais de que a economia e o comércio global vão desacelerar e, internamente, os conflitos entre Executivo e Legislativo. O posicionamento do presidente Jair Bolsonaro, foi na mesma direção. Em visita aos EUA, ele disse achar que a crise da covid-19 seria “mais fantasia”. Nesse sentido, também cresce o temor de que o Brasil não consiga dar uma resposta satisfatória a um eventual aumento exponencial de casos da doença nas próximas semanas. Nesta quinta, o Palácio do Planalto confirmou que o Secretário de Comunicação da Presidência da República, Fábio Wajngarten, está com coronavírus. 

 

GUEDES DIZ QUE ECONOMIA VAI SENTIR O ‘IMPACTO’ DO SURTO

Ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou nesta quinta-feira, 12/03, que a crise causada pela pandemia do novo coronavírus ainda “vai tomar o impacto” no Brasil, mas que a questão é “passageira”. O ministro citou o caso da China, que anunciou o fim do pico do surto. O comentário de Guedes foi feito após ele ser questionado por jornalistas sobre a nova disparada do dólar, que nesta quinta-feira chegou a bater 5 reais na abertura do mercado. Na semana passada, o ministro afirmou que, se fizesse “muita besteira”, o dólar chegaria nesta marca. O ministro esclareceu nesta quinta que não se referia apenas a ele, mas sim “ao Congresso, Senado, Câmara, Presidência da República, ministros, opinião pública informada pela mídia”. De acordo com Guedes todos os citados são responsáveis pela instabilidade.

Por volta das 14h35, o dólar era cotado a 4,84 reais, alta de 2,54%. Nesta quinta-feira, o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, chegou a cair 19,8%, caminhando para o terceiro circuit breaker no dia. Porém, após o Federal Reserve (Banco Central dos EUA) anunciar a entrada de 1 trilhão de dólares no mercado, o índice apresentou recuperação e caía na casa dos 14%. Segundo o Ministério da Saúde, o Brasil tem 73 casos confirmados de coronavírus até o momento, mas o número deve subir já que o Rio de Janeiro confirmou que há mais infectados e o dado ainda não foi computado pelo governo. O país ainda não registrou nenhuma morte ou caso de transmissão comunitária, forma pela qual não é possível identificar o foco da doença. Guedes afirmou que governo e Congresso se mobilizam para que recursos do Orçamento Impositivo sejam usados para conter a crise do coronavírus. Segundo o ministro, 5 bilhões de reais seriam direcionados a ações de enfrentamento a coronavírus e outros 5 bilhões de reais a fundo de emergência também destinado ao combate do surto.

“Rapidamente os dois lados (Executivo e Legislativo) perceberam isso, lançaram as pontes, o entendimento começa de novo e eu acho que vamos resolver isso”, disse Guedes, após ter se reunido na noite da véspera no Congresso, quando o tema foi debatido. O ministro afirmou ter ido ao Congresso na noite de quarta-feira por orientação do presidente Jair Bolsonaro e que, na reunião, houve sugestão do senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) para que o imbróglio sobre a destinação dos recursos das emendas de relator no Orçamento deste ano fosse pacificado com a destinação para o enfrentamento ao coronavírus. “Veio a sugestão: vamos pegar esses 10 bilhões que eram objeto de disputa, vamos mandar 5 bilhões para o (ministro da Saúde, Luiz Henrique) Mandetta já, para o ataque ao coronavírus, e vamos separar os outros 5 para um fundo de combate à pandemia à medida que os impactos então se verifiquem”, afirmou Guedes. O ministro avaliou que “certamente” há espaço para medidas emergenciais além das reformas, mas que a posição de sua pasta é subsidiária à do Ministério da Saúde. Nesse sentido, também pontuou que é necessário haver espaço fiscal para despesas dessa natureza e que são as reformas que abrirão essa brecha. 

 

(Fontes: BBC/ Veja)