Banner prefeitura Covid
Saúde

Como anda o seu colesterol?

De janeiro até o momento, mais de 81 mil pessoas no país já morreram por doenças cardiovasculares

17/03/2020 06h00
Por: Soraya Utsumi
Cardiologista Anderson Ribeiro recomenda boa alimentação, atividade física regular e a prevenção com check-ups periódicos - Foto: Divulgação
Cardiologista Anderson Ribeiro recomenda boa alimentação, atividade física regular e a prevenção com check-ups periódicos - Foto: Divulgação

Muitas pessoas subestimam os possíveis males de uma alimentação não balanceada e do sedentarismo e entram nas estatísticas das que possuem colesterol alto. De janeiro até o momento, de acordo com o cardiômetro da Sociedade Brasileira de Cardiologia, mais de 81 mil pessoas no país já morreram por doenças cardiovasculares, que lideram a lista de doenças que mais matam no planeta.

O colesterol se compõe de substâncias da classe dos lipídios, que são fundamentais para várias funções do organismo. São necessários para produção de alguns hormônios, como testosterona e estrogênio, vitaminas e membranas celulares. Porém, em taxas elevadas, passa a ser uma doença que necessita de intervenção, como explica o cardiologista do Hospital Regional, Anderson Correa Ribeiro, que também é médico chefe do setor de cardiologia das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) de Uberaba.

“O LDL e o VLDL são popularmente conhecidos como mau colesterol, pois carregam a gordura produzida no fígado para as artérias do corpo, formando as placas (aterosclerose). Já o HDL, conhecido como bom, faz o fluxo contrário, remove o colesterol dos vasos para estocar no fígado”, esclarece.

Segundo Ribeiro, o colesterol alto leva a doenças como a hipercolesterolemia, considerada um dos principais fatores de risco para infarto agudo do miocárdio, angina, acidente vascular cerebral (derrame) e obstrução arterial dos membros. Quando os bons hábitos de vida não conseguem reduzir as taxas de colesterol, são aplicadas medicações. As mais utilizadas são as conhecidas como estatinas.

 

Taxa ideal - Para quem não possui qualquer doença cardiovascular, o colesterol total ideal é até 200 mg/dl. Acima disso, considera-se taxa elevada. “Contudo, é importante frisar que as taxas ideais são muito individualizadas, dependentes de idade, doenças coexistentes, como infarto, diabetes e AVC”, observa.

O cardiologista assinala que pessoas magras também podem apresentar colesterol alto, e “a maioria delas se encaixa na doença chamada hipercolesterolemia primária ou familiar, em que, apesar de hábitos saudáveis de vida, são geneticamente produtoras de excesso de colesterol”. Entretanto, o mau hábito alimentar e o sedentarismo “contribuem significativamente para aumento dos níveis de lipídios”.

Crianças também podem ser diagnosticadas, em casos de obesidade, histórico familiar para hipercolesterolemia e alimentação inadequada, não sendo obrigatório, portanto, submeter todas as crianças à dosagem de colesterol.

 

Sintomas e exames - O colesterol alto não apresenta quaisquer sintomas e, em alguns casos raros, relata Ribeiro, níveis muito altos podem causar manchas amarelas em regiões das pálpebras (xantelasma) ou na pele (xantomas). Portanto, o ideal é sempre dosar os níveis sanguíneos nos exames de rotina. “Em pessoas saudáveis, o ideal é dosar pelo menos uma vez a cada dois anos. Para aqueles que já sofreram derrame, infarto e para diabéticos o ideal é pelo menos uma vez ao ano ou, às vezes, a cada 6 meses”.

 

Fatores de risco – Os fatores que podem causar propensão à doença são divididos em modificáveis e não modificáveis. Os modificáveis são alimentação rica em gorduras e carboidratos, sedentarismo, obesidade, excesso de bebidas alcoólicas, e algumas doenças como hipotireoidismo e diabetes melitus. Os não modificáveis são a idade e o fator genético.

 

Alimentos - “A lista dos alimentos que devemos evitar são extensas. Na era fast food, os lanches são grandes vilões. Além deles, cito os embutidos, uso da banha de porco (está na moda e não tem evidências de ser saudável), carboidratos simples como sorvetes, doces, chocolates, leite integral, carnes gordurosas”, alerta. “De maneira geral, sempre recomendo o equilíbrio alimentar, não sendo necessário a proibição de qualquer alimento”.

Entre os alimentos recomendados estão peixes, cereais, fibras, leites desnatados, azeites de oliva, vegetais, frutas, castanhas, amêndoas e até o próprio ovo cozido (consumo moderado).

 

Nenhumcomentário
500 caracteres restantes.
Seu nome
Cidade e estado
E-mail
Comentar
* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou com palavras ofensivas.
Mostrar mais comentários