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Usinas

Usinas vão produzir mais açúcar e menos etanol

A consultoria já reduziu em cerca de 2,5 bilhões de litros suas previsões para a produção de etanol nesta temporada

18/03/2020 06h00
Por: Redação

A desvalorização abrupta nos preços internacionais do petróleo semanas antes do início da safra de cana-de-açúcar no Brasil inverteu o cenário para a produção de açúcar e etanol no país.

Com uma produção de biocombustível voltada majoritariamente para o mercado interno, a tendência é de que as usinas voltem a priorizar a fabricação de açúcar nesta temporada atentas à intensa valorização do dólar ante o real. “Ironicamente, a safra passada foi uma tragédia para quem estava posicionado no açúcar e, neste ano, é a salvação. Toda a dinâmica da safra passada foi invertida. Quem está exposto no mercado de etanol está preocupadíssimo e, quem está no açúcar, está tranquilo”, observa Mauricio Muruci, analista da Safras & Mercado.

A consultoria já reduziu em cerca de 2,5 bilhões de litros suas previsões para a produção de etanol nesta temporada, número que pode ser revisto ao longo das próximas semanas caso a situação do mercado permaneça como está.

 

Dois produtos, dois mercados

Há ainda uma outra diferença fundamental entre os dois produtos que deve motivar a mudança no mix da produção das usinas de açúcar e álcool.

Como o etanol tem como destino principal o mercado interno, negociado num modelo semelhante às negociações de balcão, sua fixação em mecanismos de hedge se torna menos eficiente do que no caso do açúcar. “Uma usina pode até tentar se proteger do etanol usando alguns recursos que o mercado financeiro pode disponibilizar, mas ainda assim não será uma proteção perfeita. Então, se a usina quiser agora, nesse momento, otimizar a sua receita, ela certamente vai virar o botão para produção de açúcar”, explica Arnaldo Luiz Corrêa, da Archer Consulting.

Ele avalia que o percentual de matéria prima destinada à produção de açúcar pelas usinas gire em torno de 43% a 44% em 2019/2020, ante 42,5% apontados inicialmente pela consultoria.

Após operarem na casa dos US$ 0,15 a libra-peso no início deste ano, os preços internacionais da commodity voltaram ao patamar dos US$ 0,11 nas últimas semanas, acompanhando as mudanças no cenário de mercado.