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Artigo

Aluizio Cezar Valladares Ribeiro

Servidor público/economista

Reflexões

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21/03/2020 06h00
Por: Redação

Que venha a pandemia moral!

 

Pandemia tem como definição uma enfermidade epidêmica amplamente disseminada, e o tempo na história universal retrata pontualmente exemplos, tais como as gripes russa, espanhola, asiática e suína, ebola, zika, dengue, chikungunya, HIV e tantos outros.

Não esqueçamos de fatos como a peste negra e mais anterior ainda algumas, como a praga de Atenas em 430 ac que disseminou em até 35% da população; outra a peste dos Antônios em 165 dc, nome este em alusão a família que governava o império à época, que durou mais de 15 anos, registrando em média 2000 mortes diárias em Roma (fonte:G1.Globo); também houve a lepra e a peste negra na era medieval, e até mesmo uma doença misteriosa na cidade de Londres que chegou a matar um em três londrinos, misteriosa porque como chegou, desapareceu em 1551.

Observamos que as pandemias oriundas da falta de saneamento e principalmente por questões higiênicas se fizeram presentes em um momento, transformando mais tarde com sinais para a consciência humana de uma reviravolta comportamental, haja vista a transmissão até mesmo sexual que levava a grande promiscuidade que não vem dos dias de hoje. A história relata a procriação na forma seletiva e de sobrevivência do neandertal à perpetuação da espécie na geração do mais forte, até as festas promiscuas do império romano e de muitos outros, que trazidos aos dias de hoje, ainda encontramos no relapso do abandono, o uso das camisinhas.

Contudo, a maior de todas as Pandemias é intrínseca a evolução e maturidade do Homem, pois o despudor passa por cima dos princípios básicos do Amor Fraternal a ser atingido por todos nós, pois não há consciência pura sem passar pela evolução humana do Ser.

Não há como deixar a mercê do tempo a questão evolutiva de nossas consciências, pois o preenchimento e valorização da humanidade como condição essencial e força motriz de minimização de todos os nossos transtornos, é a grande vacina para qualquer imunidade. 

Retratamos todas as nossas preocupações com o quadro epidemiológico atual como o coronavirus, mas não podemos fechar os olhos para as demais mazelas que mata muito mais em todo o mundo. A conscientização tem que imperar e o nosso comportamento há de mudar nas recomendações, pois este mesmo vírus acompanha, ou melhor, supera e muito, nossa velocidade tecnológica e de informação.

As pandemias mundiais que estão desde o início dos tempos muito das vezes nos tocam, levando em consideração a necessidade de ajudar a quem precisa, mesmo que seja o lema do fazer nossa parte, pois não há como ajudarmos o todo. Esta é uma consciência individual de olhar o próximo como a ti mesmo, e isto é caridade sem assistencialismo.

Mas a fome mata milhões, aqui e acolá; muitos aliás, passam fome sem abrigo na solidão do caos que se apresentam; os farrapos humanos perdem a dignidade, amor, até chegarem a insignificância do respeito para consigo mesmos. A variável humana se recolhe e as vistas da benevolência vem a dó, lágrimas e o estalo da ajuda, porém sem a prontidão devida em muitos de nós.

O pensamento em prol e no coletivo é de difícil interpretação, pois se os céus pudessem mandar uma pandemia moral seria a solução, pois o traço correto do Criador possivelmente não caracteriza a diferença, mas tão somente o livre arbítrio a cada um de nós.

Todas as dificuldades enfrentadas pela humanidade são portas de evolução não só a nível tecnológico ou comportamental, mas sim de renovação dos seres para se atentarem da necessidade das práticas mais humanas em qualquer ação tomada, pois o exemplo da ação tem que vir carregada do amor fraternal.

Enquanto isso, persistimos nas recomendações clínicas, mas não deixemos de pensar na melhoria individual para o coletivo, e quem sabe um dia, passemos a enxergar a pandemia moral que existe, mas que nunca se alastrou.  

 

Aluizio Cezar Valladares Ribeiro – Servidor público/economista – [email protected]