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Álcool líquido 70% pode aumentar o risco de queimaduras

Foi aprovado um decreto que derruba por 90 dias a Resolução nº 46/2002 que proíbe a venda para pessoas físicas de álcool etílico com graduação superior a 54º GL

24/03/2020 06h00
Por: Redação

Para abranger o processo de contenção do coronavirus, a Agência Nacional

de Vigilância Sanitária (Anvisa) publicou no dia 20 de março

(sexta-feira) uma medida permitindo a comercialização de álcool líquido

a 70% e similares.  Para que essa ação fosse possível, foi aprovado um

decreto que derruba por 90 dias a Resolução nº 46/2002 que proíbe a

venda para pessoas físicas de álcool etílico com graduação superior a

54º GL e à temperatura de 20ºC que prevê a comercialização apenas na

forma de gel, no volume máximo de 500g.

Essa Resolução de 2002 também partiu de estudos realizados pela

Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica.  Após a aprovação, houve uma

diminuição de casos de queimadura em 30% no país. A medida teve como

objetivo reduzir o número de acidentes e queimaduras geradas pelo álcool

líquido, com alto poder inflamável, além da ingestão acidental.

De acordo com o coordenador da Disciplina de Cirurgia Plástica da

Universidade Federal do Triângulo Mineiro - UFTM, Marco Túlio Rodrigues

da Cunha, usar o álcool nas proporções aprovadas pode ocasionar outros

problemas, principalmente acidentes domésticos. "A compra está liberada

para pessoas físicas de modo geral. A proibição surgiu para evitar

acidentes pois o produto é muito inflamável. Por isso as pessoas têm que

ter cuidado. Principalmente em casa nessa hora de quarentena e

confinamento domiciliar, especialmente com as crianças, pois elas são

muito curiosas. Podem beber esse produto que é altamente tóxico que pode

agredir o fígado e causar uma intoxicação aguda. Mas temos que analisar

principalmente a questão das queimaduras".

O médico destaca os números por queimaduras no Brasil. "Um milhão de

queimaduras por ano e 40% desse volume são com crianças, 80% dentro de

casa. Não podemos esquecer dessa questão de colocar o álcool em qualquer

lugar para ter livre acesso e colocarmos a substância perto de coisas

inflamáveis como velas, isqueiros ou fósforo e até o fogão. No

confinamento, as mães têm que tomar cuidado com a panela quente próxima

do fogão e mantê-las do lado interno porque as crianças são curiosas".

Outro ponto observado por Marco Túlio é que a população deve evitar

dentro de casa o uso do álcool líquido, inclusive na limpeza, dando

preferência ao sabão e detergentes também indicados pela Anvisa e eficaz

contra o Covid-19.   Vale lembra ainda que a medida foi aprovada com o

objetivo de baratear preços e conter a ansiedade da população na busca

pelo álcool gel, que já começa a faltar nas lojas especializadas,

supermercados e farmácias. Porém, o médico chama atenção para os

cuidados com o manuseio. "Nós não podemos eliminar um problema e criar

outro", terminou.