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Entrevista

Tony Carlos confirma filiação no PTB para concretizar desejo de disputar a Prefeitura

Tony foi vereador de Uberaba durante seis legislaturas, ocupou uma cadeira na Assembleia Legislativa por dois mandatos. Foi eleito presidente da Câmara de Vereadores, no biênio 2005/06

05/04/2020 05h00
Por: Redação
Com mais de duas décadas na vida pública, jornalista garante estar preparado para ser prefeito de Uberaba - Foto: Divulgação
Com mais de duas décadas na vida pública, jornalista garante estar preparado para ser prefeito de Uberaba - Foto: Divulgação

 

José Teixeira Costa

Especial para o JU

 Após mais de duas décadas ocupando cargos no Legislativo, o jornalista Tony Carlos decidiu que na eleição deste ano pretende disputar a sucessão do prefeito Paulo Piau (MDB). Na semana passada, ele deixou o MDB, partido pelo qual foi filiado por quase duas décadas e entrou para as fileiras do PTB, comandado pelo empresário J. Júnior, agremiação pela qual, agora é pré-candidato a prefeito.

Tony foi vereador de Uberaba durante seis legislaturas, ocupou uma cadeira na Assembleia Legislativa por dois mandatos. Foi eleito presidente da Câmara de Vereadores, no biênio 2005/06. Antes da desfiliação, era tesoureiro do MDB do estado de Minas Gerais. 

Desde janeiro, quando encerrou seu mandato na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), dedica-se a seu programa diário, das 5h às 8h, na Rádio América FM, antiga Rádio Difusora. Tony Carlos é um fenômeno de audiência. Mantém a liderança no horário há mais de duas décadas, com estilo descontraído, misturado com notícias policiais e fatos de interesse comunitário. 

Em entrevista ao JORNAL DE UBERABA, Tony Carlos fala sobre as perspectivas para a disputa eleitoral deste ano, agora no PTB.

 

JORNAL DE UBERABA – O senhor lançou-se pré-candidato a prefeito de Uberaba. Claro, terá que passar por uma convenção para que seja homologado candidato. De qualquer forma, está a disposição para disputar a sucessão do prefeito Paulo Piau. O que o motivou a disputar um cargo majoritário, uma vez que o seu histórico político é de mandatos no Legislativo?

Tony Carlos – Olha, eu acredito que após todo esse tempo no Legislativo e, tendo uma experiência que tive até como deputado estadual e presidente da Câmara (Municipal de Uberaba), tenho certeza que posso contribuir e muito com o desenvolvimento da cidade em que eu nasci, da cidade que eu defendo. Estou preparado, pois sou conhecedor de todos os ângulos da política, da administração e da gestão pública. Então, acredito que esse é o momento de me colocar à disposição da população.

 

JU – O senhor estava no MDB há quase duas décadas e agora, migrou para o PTB. O que o motivou a essa mudança de sigla partidária?

Tony – Entrei para o PMDB (hoje MDB), em 2003, portanto há 17 anos. Trata-se de uma escolha pessoal. Uma vez que estando no MDB, partido que faz parte da atual administração, escolherá em convenção o candidato a prefeito. Percebi que eu, não seria o candidato dos integrantes do partido que participarão da convenção. Tentando alçar novos voos, decidi mudar de partido, temeroso de que eu não pudesse ser o candidato do MDB. Para ser candidato tem que estar filiado a uma agremiação partidária. E o momento é agora. A mudança de partido tinha que ser feita até 4 de abril. Se eu permanecesse lá, teria que me submeter à convenção. E se meu nome não fosse aprovado? Como diz aquela velha máxima, "gato escaldado tem medo de água fria". Então, resolvi mudar de partido.

 

JU – Se não houver nenhuma alteração no calendário eleitoral, por conta da pandemia do coronavírus, as campanhas eleitorais começam em agosto. Até lá, muitas conversas ainda acontecerão, muitas costuras políticas serão feitas. Nesse tempo, até o jogo começar para valer, é possível o Tony Carlos abrir mão da cabeça de chapa e vir a ser candidato a vice-prefeito?

Tony – Eu saí do MDB e ingressei no PTB com intenção de disputar o cargo de prefeito. Ou seja, todos têm um objetivo. Eu não vislumbro nenhuma possibilidade em que eu vá compor na condição de candidato a vice. Zero chance. Eu tenho a contribuir com aquilo que eu posso, mas na condição de candidato a prefeito. Não existe a mínima chance de eu participar de um processo eleitoral na condição de vice.

 

JU – Qual o leque de alianças que o senhor pretende construir em torno de sua candidatura. O senhor é um comunicador, detém uma grande audiência no rádio, com um público muito grande nas camadas mais populares e também em outros segmentos sociais, inclusive empresariais. Quem o senhor pretende atrair para o seu palanque?

Tony – Primeiro é bom que se diga que ninguém ganha eleição sozinho, não é verdade? Para isso, existe um partido, uma composição. Então, nós do PTB, temos vários partidos que estão participando de nossas reuniões, são partidos que farão parte da nossa base de campanha. Então, não é só o PTB. Além disso, nós estamos atraindo diversos setores da sociedade uberabense, no campo empresarial, no campo da construção civil, do setor de indústria e comércio, ou seja, nós estamos nos preparando, estamos propondo determinadas junções de segmentos, que irão cada um defender os seus interesses dentro do processo de campanha. 

 

JU – E qual será a sua postura na campanha, especialmente, em relação a atual administração, da qual o senhor era aliado até deixar o MDB. O senhor pretende ter uma postura crítica e sim assim o for, como será uma vez que o senhor foi aliado do atual governo, participando inclusive, ativamente das campanhas de eleição e reeleição do prefeito Paulo Piau? 

Tony – O meu comportamento político em relação ao processo político que está por vir, é de levar adiante grandes projetos que foram iniciados, grandes projetos dos quais eu participei, grandes projetos que estão por vir. Isso é muito importante. Agora, é necessário também que a gente pense na mudança, porque apesar de estar lá como apoiador, em nenhum momento até hoje na mina trajetória, eu fiz o papel de executivo. A minha vida inteira foi no parlamento. São duas instâncias diferentes, enquanto uma executa, a outra legisla. Apesar de ter sido apoiador do governo que aí está, tenho os meus desejos, quero apresentar os meus projetos. Eu tenho o desejo de que um uberabense, aqui nascido tenha o direito de governar a sua cidade. Claro, nada contra aqueles que não nasceram aqui, a cidade é de todos. Só que, o momento agora, é necessário que tenhamos alguém daqui, devidamente preparado, com uma mente voltada para o desenvolvimento com a geração de emprego, para que a cidade continue prosperando. Eu digo continue, pois, reconheço que a cidade tem se desenvolvido.

 

JU – Em seu programa, o senhor tem destacado suas realizações como deputado estadual. Mas, também existem cobranças por sua atuação. O que o senhor espera que seus adversários possam explorar contra a sua candidatura na campanha eleitoral? Como o senhor pretende se preparar para esses possíveis ataques?

Tony – Olha, nesses anos todos em que exerci mandato procurei fazer um trabalho correto, um trabalho que não deixasse qualquer tipo de mácula. Os únicos ataques que a oposição poderá ter, eu tenho a defesa da minha atuação como deputado. As pessoas podem falar, olha, o deputado gastou R$ 25 mil na churrascaria. Isso é fazer tempestade em copo d'água. Trata-se de um assunto que não prosperou, pois não é verdade. Podem procurar aí o Judiciário e verificar, que não virou nada. Denúncia, o Ministério Público aceita, mas depois se não tem como levar adiante, o assunto morre no nascedouro. Então, qual a história que fizeram. Foram lá e somaram 2013, 2014, 2015 e deu R$ 25 mil. E falaram, deputado gastou R$ 25 mil na churrascaria. Ficou a impressão pela manchete que eu fui lá e comi R$ 25 mil. Não é isso. Foram três anos. Os deputados têm a chamada verba indenizatória, que hoje é R$ 32 mil, por mês. Eu gastei R$ 25 mil, em três anos. Que dinheiro é esse? Por exemplo, quando alguém vai visitar o gabinete de um prefeito, tem lá o café, a água, o refrigerante, o pão de queijo. É o prefeito quem paga? Quando um empresário visita uma cidade, interessado em fazer investimento e a ele é oferecido um jantar, é o prefeito quem paga? Não. É o próprio sistema, pois existe uma verba destinada para essas ocasiões. Por maldade, alguém juntou tudo, jogou na imprensa e o Ministério Público viu. De lá para cá, não aconteceu mais nada. O que vão falar de mim? A segunda coisa. Olha, o Tony Carlos aumentou o preço da gasolina. Primeiro, que deputado não aumenta preço de combustíveis, pois trata-se de uma atribuição da Petrobras, do Governo Federal. O que houve na nossa época foi um alinhamento da alíquota de cobrança do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços). E por qual motivo isso ocorreu? Quando o cidadão vai tirar multas e juros de determinados impostos, esses percentuais têm que ser colocados em outro lugar. Tira daqui e coloca ali. A Lei de Responsabilidade Fiscal exige que o governador justifique como haverá aquela compensação. Muito bem, na ocasião, o preço do álcool baixou porque a alíquota foi diminuída e aumentou o percentual da gasolina. Foi isso o que aconteceu. E as pessoas fazem o maior barulho como se eu tivesse sido responsável pelo aumento no preço da gasolina. E na época, o aumento foi de R$ 0,06 (seis centavos) no litro. Então, na verdade, as pessoas não têm como me acusar de erro, porque eu não os cometi. Na ocasião inclusive, mais de 100 mil empresas no Estado estavam prestes a quebrar, tiveram a chance de pagar os seus débitos com o Estado. 

 

JU – Vamos fazer um exercício de futurologia. Tony Carlos é eleito prefeito de Uberaba. Com essa crise provocada pela pandemia do coronavírus, é certo que as administrações terão que rever suas execuções orçamentárias. Se o quadro fiscal já não era animador, é possível que os próximos prefeitos encontrem os cofres com muito pouco, ou quase nenhum dinheiro para investimentos em obras. Discute-se um aporte maior de recursos para saúde e assistência social. Qual o quadro o senhor imagina para a situação orçamentária de Uberaba em 2021?

Tony – Bom, dentro da futurologia. O quadro traçado na pergunta é esse. Eu tive acesso a uma pesquisa feita pelo Sebrae que aponta, que a partir de agora haverá fechamento e quebra de muitas empresas. Haverá desinvestimento e desemprego. E num dos itens da pesquisa lá do Sebrae, questionava-se de haverá fome. Aí, vamos precisar do poder público, por que as pessoas precisam do poder público para diminuir as suas aflições. O que está por vir, nós sabemos que é grave. Haverá diminuição de arrecadação, tanto de impostos municipais e dos repasses constitucionais da União e do Estado. Se hoje a situação já está apertada, ela deve ficar ainda mais apertada. Então, será necessário fazer uma máquina enxuta, sem grande número de cargos, fazendo junção de secretarias para poder economizar, pois do contrário não haverá dinheiro nem para pagar o pessoal. Temos que estar preparados em relação ao planejamento orçamentário. Aquilo que se previa arrecadar, não será arrecadado. Mas, eu estou preparado. E quero reforçar, para encerrar esta entrevista. Nasci em Uberaba, sou defensor da minha cidade. Com a força de Deus, quero chegar lá para comandar a cidade que é de todos e todos nós amamos.

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