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Prof. Décio Bragança

Prof. Décio Bragança

Prof. Décio BragançaGraduado em Letras pelas Faculdades Integradas Santo Tomás de Aquino (Uberaba, 1972). Especialista em Metodologia do Ensino Superior pela Universidade Federal de Santa Catarina (Uberaba, 1982. Especialista em Língua Portuguesa pelas Faculdades Integradas de Uberaba em convênio com a UNICAMP (Uberaba, 1987). Cronista de Rádio às quartas feiras e de Jornal quintas feiras, na cidade de Uberaba.

18/08/2019 06h00
Por: Redação

SENHORA DE GUADALUPE, ROGAI POR NÓS - Desesperar jamais! A sabedoria popular nos ensina que a esperança é a última que morre, ou ainda que sempre restará a esperança, ou ainda que a esperança nunca morre. Sabemos que a esperança nos impulsiona a caminhar, a seguir sempre em frente, porque, queiramos ou não, será sempre a mola propulsora. Nesse sentido, a esperança dinamiza os nossos projetos de bem viver e bem ser, criando a tolerância e criatividade nas relações humanas. 

 

SENHORA DE APARECIDA, ROGAI POR NÓS - Outro mundo é possível com novos homens e novas mulheres. O novo é produto da verdade e da justiça, da alegria e do encantamento de se estar vivo. Por mais cruel e miserável que seja a vida, a alegria de poder caminhar supera os senões e os apesares, a arrogância e a ganância de alguns poucos, que perpetua as desigualdades e as injustiças. Quem tem muito é porque muitos têm pouco. Os interesses pessoais e individuais se sobrepõem aos coletivos e sociais. Daí a corrupção, a propina, o engano, as falcatruas, as mentiras, os disfarces, as máscaras. 

 

SENHORA DA ABADIA, ROGAI POR NÓS - A esperteza, traduzida em marketing e propaganda, nos traz a ilusão de que sempre foi assim e assim o será sempre. Quantos aplaudem os exploradores, os donos das coisas e das pessoas. Não por acaso todos querem a fama e o sucesso, o poder e riquezas e bens. Foi noticiado que um criminoso doleiro, no Rio de Janeiro, numa delação premiada, concordou em devolver aos cofres públicos uma quantia de 370 milhões de reais – 10% de seus bens e riquezas. Isso para dizer que estamos vivendo momentos de um projeto falido de sociedade, em que o ter, ter mais, ter muito, ter muitíssimo é mais importante do que o ser. 

 

SENHORA DE FÁTIMA, ROGAI POR NÓS - Estamos jogando pérolas aos porcos, já que se gasta muito dinheiro num plano falido. E ainda insistimos em armar a população, em construir mais cadeias e penitenciárias, em fazer reformas que aumentam as desigualdades, em aumentar juros estranguladores para que todos estejam endividados, com a corda no pescoço, em diminuir a idade penal, em tornar mais duras as penas, com a intenção de manutenção do poder, dos privilégios e privilegiados. Cada um vale pelo que tem. Quantos roubos disfarçados! Quantos crimes encobertos nos tribunais! Quantos golpes de sonegação e evasão de divisas! 

 

SENHORA DOS ANJOS, ROGAI POR NÓS - O circo de horrores e de injustiças está montado para a continuidade do projeto de morte criado pelo capitalismo e pela mercadocracia. Quando o governo quer reformas para visem à economia, à estabilidade econômica, menospreza e humilha as pessoas, com um discurso falso de que quando a economia vai bem, todos serão felizes. Defender o capital especulativo principalmente o das bolsas de valores é cortar as raízes das árvores, cortar as asas das aves, matar as potencialidades e possibilidades das pessoas. Tudo virou mercadoria, até a fé e as religiões, o amor e o casamento. 

 

SENHORA DAS GRAÇAS, ROGAI POR NÓS - Outro mundo é possível! Todo e qualquer projeto tem de ter a vida em sociedade como objetivo, finalidade, meta, missão, em que cada um e todos estejam a serviço da vida e vida em sua plenitude e abundância – ideal de libertação. Não gosto da palavra liberdade, principalmente porque muitos associam essa palavra aos ideais do capitalismo e liberalismo econômico. Prefiro sempre a palavra libertação – processo de conscientização, de abrir os olhos, de endireitamento de ações e propostas, de proteger e sustentar a todos e a cada um. 

 

SENHORA DO ROSÁRIO, ROGAI POR NÓS - Liberdade está mais ligada à ideia de viver para comprar e vender, consumir e consumir sempre; libertação está associada à ideia de preservação de direitos à saúde, à educação, à alimentação, à moradia, à segurança, ao saneamento, ao respeito às diferenças, à voz e à vez, à expressão, à identidade, à dignidade. Enquanto, por exemplo, houver uma pessoa que morre de frio por falta de agasalho, como aconteceu neste ano em São Paulo, não dá para ser feliz, ou não dá para dormir tranquilo – assim nos ensinou Helder Câmara. Nenhum projeto de povo tem sentido quando ainda alguém – basta um – passa fome e sede e frio, sem endereço e sem dignidade. 

 

SENHORA DA MEDALHA MILAGROSA, ROGAI POR NÓS - Plantamos para exportação, produzimos muito lixo, jogamos fora muitas frutas e verduras, deixamos estragar muitos alimentos, temos o maior rebanho de gado do mundo, esbanjamos energia elétrica e água tratada, compramos mais do que o necessário, por isso achamos no direito de desmatar, de fazer represas de rejeitos minerais e venenosos, de expulsar índios de suas terras, de manter muitos escravos e prisioneiros, de aumentar lucros e bens, como se o mundo com todos os seres vivos e não vivos existe e girasse em torno de nós mesmos. 

 

SENHORA DE LOURDES, ROGAI POR NÓS - Há mais de um bilhão de pessoas no mundo – uma pessoa num grupo de sete – vivendo abaixo da linha da pobreza, em extrema miséria, com menos de um dólar por dia, conforme dados da ONU. A verdade é que, com muita esperança e luta, desejamos a verdadeira libertação de escravos da nova era chamada de pós-moderna, cheia de manipulações ideológicas e polarizadas, imposições culturais, dominação econômica. Países há que são escravizados por outros países, povos há que são escravizados por outros povos, pessoas há que são escravizadas por outras pessoas no trabalho, nas famílias, sociedade. 

 

SENHORA DA PIEDADE, ROGAI POR NÓS - Muitos preferem a cegueira – falta de senso crítico – preferem não ver para viver narcotizados pelo brilho e cor das moedas rolando das mesas e dos cofres dos maiorais. Assim, perdem a noção de bem e de mal, de justiça e de injustiça, mantendo a cegueira. E isso não depende de escolaridade, porque existem pessoas altamente escolarizadas e escravas, alienadas e entregues à cegueira; tantos outros praticamente sem estudo nenhum trazendo uma consciência social e política invejáveis. Os meios de comunicação e informação são fundamentais nesse quadro de grandes redes de alienação. 

 

SENHORA DO PERPÉTUO SOCORRO, ROGAI POR NÓS - As posições estão cada vez mais radicalizadas nesse confronto verbal e ideológico: “quem não está comigo, está contra mim” Os adversários não são inimigos, os opositores não são inimigos, os discordantes não são inimigos que devam ser eliminados, mortos, caçados a ferro e fogo. O enfrentamento – o estar frente a frente – é importante e necessário para a construção da paz e da concórdia, da harmonia e da tranquilidade. Um grande amigo sempre me lembra que “um bom acordo é quando os dois lados perdem” ou têm a sensação de perder. Não vivemos em guerra, mas em construção. Em sociedade, somos todos vitoriosos na busca do bem, da verdade, da justiça e da beleza – isso é viver a esperança, no horizonte da esperança, que é a última a morrer. Outro mundo é possível.

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