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Vinhos & tal

Carlos Alberto Pereira

Carlos Alberto Pereira

Carlos Alberto PereiraEnófilo, Jornalista, Tecnólogo em Turismo e Hotelaria. Contato: [email protected] / 98412-6446

17/04/2020 05h00
Por: Redação

VINHO CRIANZA

Há cerca de dois anos, falei aqui neste espaço, sobre a importante região produtora de vinhos do velho mundo, chamado Espanha. Um país que conta com uma produção vinícola importantíssima, responsável pela maior área cultivada de vinhas do mundo e ocupando a terceira posição no ranking dos mais importantes produtores de vinho do planeta. Tenho uma especial e profunda admiração por este país, cuja riqueza cultural , gastronômica  e turística é única e me encanta! Embora, ocupe somente, a sexta posição no ranking de preferência  de consumo em nosso país, ficando atrás de Chile, Portugal, Argentina França , Itália, o vinho Espanhol tem bastante personalidade, qualidade  e excelente relação custo x benefício!

E com certeza, tem muito potencial para crescer! Às vezes sou questionado por alguns enófilos sobre os vinhos espanhóis e em especial sobre o que é a palavra “ crianza” que vem em alguns rótulos de vinhos deste país. Assim sendo, vou abordar na página de hoje sobre este tema, para relembrar a quem já ouviu ou sabe do que se trata e informar àqueles que ainda não sabem o que é! E para começar, o termo “crianza” , não significa que o vinho seja jovem. Na verdade um vinho Jovem na Espanha, também conhecido, por  “Vino Del Año” – é um vinho com pouco tempo de maturação, normalmente colocado no mercado no mesmo ano, no máximo no ano seguinte à colheita da safra. Como sugere o pouco tempo de envelhecimento, estes vinhos são caracteristicamente mais frescos e frutados, tanto os brancos como os tintos, dado o pouco tempo de fermentação e guarda.

 Mas vamos à leitura, não esquecendo de ter muito juízo nestes tempos de pandemia, tomando as devidas precauções e recomendações das autoridades de saúde. Aproveite os dias de confinamento para conhecer mais sobre vinhos e sempre com uma garrafa aberta, dando espaço para experiências de  todos os estilos de vinhos e do maior número de países possível!  Boa leitura!    

 

DOCa Rioja

Na Espanha existem 53 regiões com controle de denominações origem (DO), mas antes de tudo é importante conhecer a diferença entre D.O- Denominação de Origem e DOCa – Denominação de origem Calificada Rioja.

Os conselhos reguladores da atividade vitivinicola na Espanha, vem desde 2003 instituindo com maior rigor, a seus produtores locais, denominações equivalentes à dos grandes produtores de vinho na Europa, por isso, além das Denominações de Origem, existe também a Denominação de Origem Qualificada (DOCa), atribuída atualmente apenas para as regiões do Rioja, no centro norte, e de Priorato, na Catalunha. E é para esta região que entra as classificações de Crianza, Reserva e Gran Reserva., que vamos falar por aqui.

 

As uvas da Espanha

Para  se entender um pouco sobre  a produção deste país,  é importante compreender que os  vinhos  tintos são os mais produzidos por  boa parte das vinícolas.  E a uva Tempranillo é a mais cultivada, embora, outras variedades nativas como  Garnacha, Monastrel, Graciano e Mazuelo, também são bastante relevantes, assim como a Cabernet Sauvignon e a Merlot. Já nas elaborações de vinhos brancos, o cultivo da Albariño, é o mais relevante, mas outras castas de uvas brancas, como  Verdejo,  Viura,  Xarel-lo e a Macabeo, também têm seu protagonismo em outras regiões produtoras. Mas apesar de serem cultivadas mais de 600 castas de uvas no país, a Tempranillo e a Albariño correspondem a cerca de 80% da produção.

 

Crianza, Reserva e Gran Reserva.

Em primeiro lugar - Todos eles têm a ver com o vinho espanhol produzido no DOCa Rioja. Na maioria das vezes, vinho tinto. As designações de vinhos espanhóis são altamente controladas por um comitê de regulamentação na Espanha chamado Consejo Regulador DOCa Rioja. As denominações de vinho espanholas são consideradas “Velho Mundo” e, como tal, tendem a seguir diretrizes mais rigorosas do que as do “Novo Mundo”, conforme mencionei acima,

Segundo - Os termos Crianza, Reserva e Gran Reserva referem-se ao tempo de envelhecimento de um determinado vinho, com atenção especial ao tempo de envelhecimento em carvalho. Estes termos não têm nada a ver com o tipo de uva varietal usado para produzir um vinho.

Terceiro - A qualidade da uva tende a ser de importância significativa para a maioria dos vinhedos espanhóis ao produzir um vinho Crianza, Reserva ou Gran Reserva. As uvas usadas para produzir esses vinhos geralmente vêm de menor rendimento, vinhas mais velhas e de melhor qualidade. Eles geralmente têm uma concentração mais alta de açúcar e uma estrutura de taninos mais definida e previsível. Crianza, Reserva e Gran Reserva podem ser vinhos tintos e brancos, embora diferentes requisitos de envelhecimento se apliquem a cada um. 

Entendendo melhor cada um deles:

 

Crianza

Pense em Crianza como sendo o primeiro nível de um vinho "Reserva". A lei espanhola exige que, para que um vinho tinto seja rotulado como Crianza, ele deve ser envelhecido por dois anos, com no mínimo um ano em barril de carvalho e por mais um ano em garrafa antes de ser vendido.

 

 Reserva

Na maioria das denominações espanholas, como Rioja, a lei espanhola exige que, para que qualquer vinho seja rotulado como Reserva, ele deve ser envelhecido por pelo menos três anos antes da venda, sendo que um desses anos está em um barril de carvalho. Se o viticultor está produzindo um vinho branco Reserva, os espanhóis exigem que ele seja envelhecido por 2 anos antes da venda, com 6 meses em carvalho.

 

Gran Reserva?

Para que o vinho espanhol seja rotulado como Gran Reserva, a lei exige que ele seja envelhecido por um período mínimo de 5 anos, com dois desses anos dentro de um  barril de carvalho.

 

Outras classificações

Os vinhos que atendem aos padrões de qualidade em Rioja também podem usar a seguinte terminologia:

• Nobre: 18 meses de envelhecimento em um barril de menos de 600 L ou garrafa

• Añejo: 24 meses de envelhecimento em barril inferior a 600 L ou garrafa

• Viejo: 36 meses de envelhecimento, o vinho deve mostrar um caráter oxidativo marcado

 

Os vinhos Crianza, Reserva e Gran Reserva são mais caros?

Na maioria das vezes  sim! Pois os  viticultores selecionam suas melhores uvas ao produzir uma linha de Crianza, Reserva ou Gran Reserva. E como o processo de envelhecimento é mais demorado para esses vinhos, grandes quantidades de espaço de armazenamento podem ser ocupadas nas vinícolas e, como tais custos de produção tendem a ser mais altos. Depois, é um grande investimento que fica imobilizado por anos até poder ser comercialiazado.

 

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