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Coronavírus:

Médico alerta para a higienização correta de equipamentos utilizados por idosos e deficientes físicos

No caso das cadeiras de rodas, por exemplo, o contato com o vírus pode acontecer de forma bastante involuntária

21/04/2020 05h00
Por: Redação
Andadores, cadeiras de roda e bengalas exigem ainda mais atenção já que são comumente usados por pessoas mais suscetíveis a complicações pela doença, diz especialista
Andadores, cadeiras de roda e bengalas exigem ainda mais atenção já que são comumente usados por pessoas mais suscetíveis a complicações pela doença, diz especialista

Que o período é de bastante cuidado com a higiene pessoal você, provavelmente, já ouviu por aí. Também já deve estar por dentro da necessidade de evitar de aglomerações e exposições em público sem necessidade. Nos últimos meses, imprensa, formadores de opinião e órgãos internacionais de saúde têm divulgado amplamente os cuidados necessários para evitar a disseminação do novo coronavírus e, por mais que a maioria de nós já tenha a sensação de que aprendeu como evitar o contágio, especialistas alertam sobre os cuidados que devemos ter em situações que, aparentemente, não representem tanto risco ou que estejam passando despercebidas na rotina diária.

“Nesse sentido destaco a importância da higienização correta dos equipamentos e acessórios que normalmente são bastante utilizados por idosos e deficientes físicos. Entre eles, cadeiras de rodas, andadores e bengalas. Sabemos que de regra geral os idosos já fazem parte do grupo de risco da doença e, por mais que estejam em isolamento social em casa, não estão totalmente protegidos”, alerta Carlos Eduardo Vidal de Souza, coordenador médico da Clínica RN Saúde, que faz parte do Sistema Hapvida.

O médico complementa explicando que a preocupação se dá já que, por mais que o idoso ou até mesmo o deficiente físico permaneça a maior parte do tempo em casa, na maioria das vezes eles dividem moradia com outras pessoas que estão com uma rotina diferente. “Por mais que estejamos falando de um vírus novo, com características específicas que ainda estão sendo descobertas, já sabemos que matérias como essa conseguem se transportar por meio de superfícies. Então se uma pessoa sai de casa e tem acesso a outra contaminada, pode retornar levando o vírus para casa por meio das roupas e calçados, por exemplo”, diz.

Souza destaca que a relação com os equipamentos e acessórios utilizados pelos idosos e deficientes físicos se dá pela maneira como são usados. No caso das cadeiras de rodas, por exemplo, onde nos modelos mais simples a tração é feita pela própria força do usuário, que utiliza as mãos para impulsionar as rodas, o contato com o vírus pode acontecer de forma bastante involuntária. “É uma lógica simples, considerando que o vírus possa estar acomodado sobre o chão, por meio do espirro de alguém ou pelo contato de algum calçado que também teve acesso ao vírus. Então, se o usuário da cadeira transita por esse mesmo espaço, passando com a roda em cima dessa superfície e, posteriormente, para tracionar o acessório ele acaba encostando nessa mesma roda. Pronto! Foi o suficiente para ter contato como o coronavírus. É claro que durante esse processo o risco de contaminação pode diminuir bastante, já que o vírus apresenta comportamentos diferentes para cada tipo de ambiente e superfície. Mas se há o mínimo de risco, precisa ter o máximo de cuidado”, destaca ele, complementando que no caso dos andadores, bengalas e muletas, a lógica é a mesma já que o contato com o vírus pode acontecer de diferentes formas.

Sobre a rotina de higienização desses equipamentos e acessórios, o médico ressalta que não há uma recomendação específica quanto aos intervalos. Mas sugere que ela seja feita diariamente e, sempre, que o usuário tenha contato com ambiente externo e/ou com pessoas que tenham tido algum comportamento de risco, por mais simples que seja, como ir a um supermercado ou farmácia. “As recomendações de limpeza seguem o mesmo padrão para os demais utensílios do dia a dia. A prioridade para a higienização deve ser o uso de água e sabão, ficando o álcool para situações onde não é possível o uso dos mesmos. Vale destacar ainda que no caso dos andadores, muletas e bengalas, a preocupação não deve ser somente com a parte onde ficam as mãos, mas também próximo aos pés”, ressalta o médico.

 

Mais cuidados. Para evitar ainda mais a contaminação pelo novo coronavírus, o coordenador médico da Clínica RN Saúde, que faz parte do Sistema Hapvida, elenca mais algumas dicas. Entre elas a rotina dos cuidadores e acompanhantes de idosos, que devem ter uma atenção redobrada ao chegar da rua e manusear os equipamentos. Lavar as mãos, deixar o calçado do lado de fora e até mesmo trocar de roupa, são hábitos que também ajudam a restringir a circulação do vírus, além, é claro, de não abrir mão do uso de máscaras.

“Outra orientação extremamente importante é da higienização dos ambientes. E, não somente por conta dos idosos, mas para todos nós. Sabemos que um dos produtos mais eficazes e de fácil manuseio para a limpeza do chão e dos móveis, nesse sentido, é justamente o álcool que está em falta em muitos supermercados. Para compensá-lo, é possível produzir um desinfetante alternativo, por meio de uma solução a base de água sanitária. Alguns infectologistas, inclusive, sugerem a diluição de produto em água, criando um subproduto muito eficiente”, sugere ele, reforçando a necessidade do uso de luvas e máscara durante o manuseio de qualquer produto químico, e a não indicação, em hipótese alguma, da aplicação de água sanitária na pele em substituição ao álcool em gel.

 

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