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Juba Maria

Juba Maria

Juba MariaJornalista formada pela UFRJ, mãe e poeta, trabalha como Assessora de Comunicação da Infraero. É uma das coordenadoras do projeto AMAi e dá palestras sobre Comunicação Não-Violenta.

26/04/2020 05h00
Por: Redação

Flexibilização

Parte da população segue escandalizada com a flexibilização do comércio em Uberaba. Nas redes sociais, aponta-se que o número e casos de pessoas infectadas pela COVID 19 mais que dobrou desde a medida do prefeito Paulo Piau.

Funcionários das empresas que aderiram à flexibilização do comércio reclamam da falta de proteção e por estarem arriscando a própria vida a fim de garantir o lucro dos patrões, que, por sua vez, mantém-se, quase sempre, em casa.

Na manifestação protocolada no feriado, 21/4, sobre esse assunto, o Ministério Público Federal se posicionou contrário ao pedido da Prefeitura de arquivamento da Ação Civil Pública.

Entre outros, o órgão deixou claro ainda seu descontentamento ao afirmar que a revogação aparente do Decreto 5.444/20 “beira a simulação processual”, uma vez que o último ato municipal, o Decreto 5459 de 17/4, é ” praticamente idêntico ao revogado”.

Enquanto isso, a população colhe fotos e vídeos para mostrar que, desde o dia 17/4, o movimento de pessoas nas ruas aumentou. Crianças, inclusive, já brincam em vias públicas, sem máscaras. Pontos de ônibus já têm aglomerações.

 

Ônibus

Questionada sobre o movimento de ônibus na cidade, a Prefeitura informa que estão circulando, atualmente, 93 dos 126 coletivos da frota.

Em março, 1.165.196 de passageiros foram transportados, contra 1.682.467 do mesmo mês de 2019. 

A redução de passageiros é considerada baixa para alguns dos especialistas consultados. Alguns leitores, inclusive, procuraram a coluna para relatar terem percebido um aumento considerável no número de pessoas transportadas desde o anúncio da flexibilização.

Apesar disso, de acordo com a Prefeitura, até o fechamento desta coluna, não havia registo de contaminação por COVID 19 de trabalhadores das empresas Lider e São Geraldo, responsáveis pelo transporte coletivo.

Perguntada sobre demissões desses trabalhadores, informou apenas que “houve redução em função da diminuição da frota”.

Enquanto isso, o Instituto Mosaic promete 10 mil testes do tipo PCR para ajudar na confirmação de casos de COVID-19 nas comunidades mineiras, inclusive em Uberaba. Por aqui, o laboratório da UFTM realizará os exames doados pela Mosaic, reduzindo a demanda dos demais laboratórios públicos que trabalham com dificuldade para diagnosticar os pacientes.

 

Violência

Segundo a Ouvidoria Nacional dos Direitos Humanos (ONDH), do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMFDH), entre os dias 1º e 25 de março, cresceu em 18% o número de denúncias registradas pelos serviços Disque 100 e Ligue 1808. As mulheres brasileiras não estão seguras nem mesmo em suas casas.

Dos 3.739 homicídios de mulheres registrados em 2019 no Brasil, 1.314 (35%) foram categorizados como feminicídios. Isso equivale a dizer que, a cada sete horas, uma mulher é morta pelo fato de ser mulher em nosso país. 

Na última semana, esta coluna denunciou o aumento da violência doméstica em Uberaba no primeiro trimestre de 2020, em comparação com 2019. Já os dados de feminicídio em Uberaba ainda não foram divulgados.

Nas apurações sobre o número atendimentos médico-hospitalares na cidade em decorrência do crime de estupro, o Hospital Universitário Mário Palmério informou laconicamente que “não temos levantamento quantitativo”. O fluxo municipal prevê o encaminhamento das vítimas de violência sexual ao HC/UFTM “para atendimento e possível profilaxia”. 

Diante do aumento dos pedidos de socorro de mulheres em razão da violência, procuramos alguns defensores públicos para solicitar uma ação no sentido de proteger a mulher vítima de violência doméstica durante a pandemia de coronavírus. 

Em resposta à coluna, fomos informadas apenas, por um deles, de  que “ não se trata de questão afeta a minha atribuição”.

Vale destacar que, no isolamento, as mulheres são mais facilmente controladas, vigiadas e impedidas de conversar com familiares e amigos, facilitando a manipulação psicológica. Além disso, tende a procurar menos os serviços presenciais da rede de apoio por medo de contaminação.

Para tentar ajudar essas mulheres, a INANA, Movimento de Mulheres, lança campanha de financiamento coletivo, essa semana, nas redes sociais. O grupo formado por mulheres que passaram por violência doméstica contará com o apoio de outros movimentos como o AMAI (Apoio entre mulheres abusadas intimamente), o projeto Vivas! Mulheres contra o feminicídio e o Mulherio das Letras.

 

Política

Stella Nathane Alves, 31 anos, deve se apresentar hoje como pré-candidata a uma cadeira no legislativo municipal pelo PT. Caso seja eleita, será a primeira mulher transexual a assumir o posto, com propostas objetivas em defesa dos idosos, da educação e das populações LGBTQI+ e carcerária.

 

Desmoronou?

Na manhã de sábado o Intercept publicou que Flávio Bolsonaro financiou e lucrou com a construção ilegal de prédios erguidos pela milícia usando dinheiro público, segundo documentos e dados levantados pelo Ministério Público do Rio de Janeiro aos quais o veículo teve acesso.

 

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