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Presidente do Sindicato dos Vigilantes é acusado de praticar assédio sexual

Danilo Cruvinel

Equipe de reportagem do JORNAL DE UBERABA foi procurada nesta terça-feira (8), pela vigilante E.H.D.S., que acusa o presidente do Sindicato dos Vigilantes de Uberaba e Região (Sinvuber), Ricardo Teixeira, de assédio sexual. Segundo a vigilante, o assédio aconteceu em meados de novembro do ano passado dentro da sede do Sinvuber.
“Estávamos conversando, porque eu estou doente e ele começou a falar que eu iria recuperar, coisas desse tipo. Um outro diretor do sindicato estava na sala e quando ele saiu, o Teixeira disse que iria fechar a porta, porque esse diretor não era de confiança. Ele fechou a porta e continuamos a conversa, mas dessa vez o assunto foi sobre uma outra vigilante, também alvo de fofocas. Ele levantou da mesa, eu disse que iria embora e quando fui despedir, ele já pegou no meu bumbum. Afastei um pouco dele, disse tchau, ele veio e me deu um ‘selinho’. Afastei dele, abri a porta e saí. Mas, até então, eu tinha guardado isso para mim, porque eu conheço ele há 25 anos e pensei que depois conversaríamos e resolveríamos isso. Até porque minha intenção nunca foi querer prejudicá-lo. Só que a intenção dele é sempre prejudicar as pessoas para ter um ganho em cima. Nesses 25 anos, ele já tinha se insinuado outras vezes, mas nunca havia sido dessa forma tão direta”, explicou a vigilante.
De acordo com E., ela só denunciou o assédio dias depois, em uma reunião do Sinvuber. “No dia 22 de novembro aconteceu uma reunião no sindicato para resolver uma situação de calúnias que a esposa do presidente do sindicato estava fazendo sobre a minha pessoa. Eu resolvi denunciar depois que a esposa do presidente do sindicato começou a me difamar. Até então, eu estava quieta no meu canto, pensando no que fazer em como reagir. Quando chegou a reunião, ele começou a querer defender a esposa dele, que já tem um monte de problemas dentro da empresa. Foi quando eu apelei e joguei tudo na frente de todos os diretores que estavam lá. Dessa conversa, fomos parar no Sinpro, porque lá tem uma pessoa que ajuda nessa questão de mulheres. Lá, três diretores do sindicato, afirmaram que o Teixeira confessou que tinha cometido o assédio”, afirmou.
A vigilante prosseguiu. “Tenho um áudio em que ele confessa tudo. Ele confessou durante a reunião do dia 22 de novembro em que estavam presentes sete diretores do sindicato. Como a denúncia foi feita dentro do sindicato, eles abriram uma ata sindical. Na ata, eles me ouviram, mas não ouviram ele. Na ata, não há resposta dele e foi dada causa ganha para ele. Sendo que existe boletim de ocorrência, já fui ouvida pela escrivã e meu advogado já entrou com processo. A mulher dele me ligou me ameaçando, falando que era para eu limpar o nome dele. A mulher dele é vigilante e estava fazendo fofocas de mim. Ela é horista, mas precisa de um posto fixo. Desde que ela foi para a agência que eu estou trabalhando, comecei a ser denegrida na empresa. Saiu a suspeita de que ele poderia estar fazendo isso, desde o começo, para me tirar do posto fixo e passar para ela”, completou.
E. conta que está afastada por questões médicas do emprego há três meses e lembra que havia conversado com Teixeira alguns dias antes do assédio, para que ele a ajudasse em algumas questões envolvendo a demissão dela. “Tínhamos conversado alguns dias antes. Nessa época eu ainda não estava afastada por questões médicas. Quando eu fui conversar com ele, a empresa que eu trabalho tinha me mandado embora. Não me deram motivo algum, só me chamaram e me demitiram. Ele estava tentando falar com o dono da empresa que eu trabalho, para descobrir porque eu tinha sido mandada embora. Teoricamente, ele estava tentando me ajudar. Só que ele ligava e nunca dava certo. Comecei a achar isso estranho. Depois começou o rumor de que eu tinha sido mandada embora por causa de rolo de mulher de presidente do sindicato querendo o posto. Ele não estava ligando, não estava se importando com a minha situação, porque o foco dele era arrumar um posto fixo para a mulher dele”, pontuou.
A vigilante também acusa o presidente do Sinvuber e a esposa dele de difamação. “Agora, ele se uniu com o chefe da empresa de segurança que eu trabalho e estão me difamando. Quando terminar o meu atestado médico, pois eu estou afastada para cuidar de alguns problemas de saúde, mesmo se eu tivesse alguma chance de ficar na empresa, eles me demitiriam pelo tanto que eu estou sendo difamada. Juntou ele e a esposa dele me difamando na agência que eu trabalhava. A maioria dos meus amigos acreditaram na história deles, porque até então, ninguém tinha ouvido o áudio que ele confessa o assédio. Porque eu tenho a ata de algumas de reuniões, o boletim de ocorrência, o áudio inteiro da reunião e a parte específica que ele confessa”, explanou.
E. ainda concluiu. “Na época do assédio, eu estava na fase de exames. O suporte do plano de saúde estava muito ruim. Corri atrás dele, porque como presidente do sindicato, ele poderia me ajudar. Tudo o que eu fui falar com ele são direitos meus, porque eu sou sindicalizada e aconteceu toda essa situação. De acordo com os diretores do sindicato, era para ele ter sido afastado do sindicato por trinta dias. Mas, ele mesmo deu ganho de causa pra ele na ata. Calaram a boca. Eles não estão preocupados comigo. Estão preocupados com a própria cabeça. Ainda mais porque tem eleição do sindicato por agora e eles não querem se queimar. A única forma que eu tenho de me defender é na mídia, porque se todo mundo souber a verdade, não tem como ele ficar inventando as mentiras, como ele vem fazendo. Ele está alegando que não fez nada, sendo que eu tenho um áudio em que pergunto se ele fez e ele confessa. Deixei todo o material com a escrivã e ela me disse que assim que voltasse do recesso de fim de ano, que seria essa semana, ela intimaria ele para dar esclarecimentos”, finalizou.
A equipe de reportagem do JU entrou em contato com o presidente do Sinvuber, Ricardo Teixeira, para que ele se pronunciasse sobre o assunto. Após duas ligações realizadas pela reportagem, ele disse que retornaria a ligação, mas até o fechamento dessa edição, não havia entrado em contato com o JU.

Transcrição do áudio da reunião do dia 22 de novembro

E. – Quando eu contei a história aqui, na frente de vocês todos, é para mostrar para vocês todos que estão nessa mesa aqui, que mentirosa eu não sou. Eu sou mentirosa, Teixeira?
Teixeira – Não é.
E. – Você não pegou na minha bunda, ali dentro da sala?
Teixeira – Sim, mas…
E. – Quando eu fui me despedir de você, eu dei o rosto e você me deu um selinho, ali dentro da sala?
Teixeira – Foi.
E. – Pronto. Eu não sou mentirosa.

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