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Sem freio, cresce o uso de agrotóxicos em Minas

Minas Gerais ultrapassou a média nacional relativa ao aumento do universo de propriedades rurais que passaram a usar os defensivos agrícolas nas plantações nos últimos 11 anos, com base no Censo Agropecuário 2017, feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No estado, esse número de estabelecimentos cresceu 60% frente ao censo de 2006, enquanto no Brasil houve crescimento de 20%.
O uso dos defensivos envolveu tanto as formas de combate a pragas quanto a promoção da produtividade no campo. Contudo, embora tenha mostrado avanço bem superior ao do Brasil, a proporção de estabelecimentos rurais que recorreu aos agrotóxicos em Minas foi menor, de 30% do total, ante 36% no país. Existem no estado 607.448 estabelecimentos agropecuários, segundo o IBGE, em área total de 37,9 milhões de hectares.
A pesquisa chega num momento oportuno, em que comissão especial da Câmara dos Deputados aprovou, em 25 de junho, projeto de autoria do ministro da Agricultura, Blairo Maggi,o, derrubando restrições à aprovação e uso de agrotóxicos. O país lidera o ranking mundial no consumo de defensivos, volume de 7,3 litros ingeridos anualmente por pessoa, em média, por meio de grãos, legumes, verduras e frutas contaminados, de acordo com levantamento de dados divulgados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
O Instituto Mineiro de Agricultura (IMA) é o responsável no estado pela fiscalização do comércio e do uso de agrotóxicos, conduzindo, em média, 11 mil fiscalizações por ano. A prática de lançar mão de adubos e defensivos químicos também prejudica o trabalhador rural e polui a água, o ar, o solo, o meio ambiente em geral, como afirma Marilda Magalhães, engenheira-agrônoma e coordenadora da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida, regional Minas Gerais. “Temos dados científicos, também baseados em experiência de agricultores e em estudos de casos que comprovam que em nenhum momento o uso do agrotóxico é seguro. Sabemos que é difícil mudar o comportamento, mas somos terminantemente contra o consumo de alimentos cultivados dessa forma tradicional e extremamente prejudicial à saúde humana e à natureza e temos trabalhado em diversas frentes para transformar essa realidade”, destaca.

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