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Tudo que vai…

Dia desses fui a um restaurante italiano aqui da cidade. Já na porta, fui recepcionado por uma simpática senhora que, com um belo sorriso, disse que era um prazer me receber ali. Meu dia havia sido exaustivo com momentos tensos de nervosismo, coisas que envolviam notas fiscais, além de um problema com meu carro (o rapaz que fez balanceamento nas rodas não apertou os parafusos, e só fui descobrir isso numa rodovia quando o carro começou a trepidar do nada. Além do esforço de ter que apertar as rodas, poderia ter me envolvido em algum acidente) e uma demanda de última hora de clientes da rádio em que trabalho.
Resumindo: Eu estava muito cansado e nervoso. Minha presença naquele restaurante só se dava por insistência de outros, porque, pra ser sincero, queria apenas comer e ir pra casa tomar um banho e tentar dormir. Em meu íntimo, eu apenas planejava tomar uns três copos de suco de maracujá e logo ir embora. Mas o sorriso daquela senhora foi o início de uma agradável noite. O que mais me satisfez não foi saborear a entrada de queijos, geleias e castanhas, ou as deliciosas pizzas, nem os sucos, mas o serviço prestado. Mal terminava um pedaço, aparecia alguém pedindo para me servir mais. O mesmo em relação às bebidas, ao manobrista e até ao fechamento da conta, que por sinal, minha parte não chegou a R$ 70,00, o que mostra que toda aquela mordomia naquele ambiente luxuoso veio de bom grado mesmo, pois mereciam muito mais. Saí dali saciado e um tanto renovado, tudo isso porque recebi sorrisos sinceros e um tratamento de respeito e cordialidade.
Outro caso, mas num sentido bem oposto. Fui convidado para um futebol com amigos e combinei de passar na casa de um deles para irmos à quadra. Chegando em sua casa, o encontrei alegre, dando risadas, contando piadas e fazendo graça. Quando o jogo começou, um rapaz que pouco conhecíamos, deu uma entrada nele tão forte que o machucou, parecia maldade mesmo, e agiu como se nada tivesse feito. Aquele meu amigo, antes bem humorado, estava consternado e amargurado. Queria ir embora e pensava só em vingança. E assim o fez na semana seguinte devolvendo com a mesma moeda.
Aquilo só não virou briga pra valer porque ninguém deixou. Viu como uma simples atitude pode gerar outra e mais outra que pode transformar uma pessoa? Se aquele rapaz tivesse simplesmente pedido desculpas, talvez tudo fosse diferente. Em resumo, dê amor, receba amor, dê raiva e receba algo semelhante. Se você, meu estimado leitor, gosta de ser tratado com respeito, com amor, com carinho por todas as pessoas, mas tem vergonha, algum receio, ou simplesmente não sabe como fazer isso, basta agir com os outros da mesma forma que gostaria que agissem com você.

Carlinhos Sete – Escritor e cronista. Também faz o quadro “Aí tem” na Rádio Sete Colinas. Seu novo romance, “Desamores”, já está disponível nas melhores livrarias da cidade.

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