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Uberaba é a nova capital do agronegócio”, diz deputado eleito

Eleito deputado federal pelo PMN, o engenheiro agrônomo e professor universitário, José Vitor de Resende Aguiar – Zé Vitor – de 33 anos, vai para seu primeiro mandato na Câmara Federal cheio de expectativas e, nas palavras dele, “muita vontade de trabalhar”. Zé Vitor já trabalhou como perito do MPE e também atuou como superintende regional do Meio Ambiente no Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba. Tais experiências, segundo ele, o credenciam para exercer um bom mandato e atender as expectativas da região. Eleito com 32.833 votos no total, sendo 140 votos oriundos de Uberaba, ele acredita que as urnas deram a resposta sobre a vontade de renovação demonstrada pela sociedade. Os próximos quatro anos serão a oportunidade de demonstrar que a aposta em novas figuras políticas foi acertada. Confira a entrevista exclusiva ao JORNAL DE UBERABA.

JORNAL DE UBERABA – A sua campanha foi baseada no famoso “SS – sapato e saliva” e, por isso, conseguiu ser ouvida pela população. Diante disso, como o senhor vê a sua eleição para o Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba?
Zé Vitor – É uma eleição importante. O país tem dado o recado de quer renovação e mudanças de comportamento. Com o Triângulo e Alto Paranaíba não é diferente, não ficaram fora disso. Então, acredito que seja uma grande oportunidade para reconstruir a política da região. Com muito diálogo, pois temos que respeitar e valorizar a experiência dos que estão no serviço público, temos que muito o que construir juntos. Aliar essa vontade, esse dinamismo. Acredito que essa somatória vai fazer a política regional avançar.

JU – O que Uberaba pode esperar do deputado eleito em relação aos temas Saúde, Agricultura e outros anseios?
Zé Vitor – Pode esperar um deputado muito presente e trabalhador, com vontade de contribuir. Indiscutivelmente, a saúde é uma das nossas prioridades. Merecem atenção o Hospital do Câncer, o Hospital da Criança.
Certamente, o meio rural é uma das nossas bandeiras, até pela minha formação e atuação. Não tenho dúvida de que existe uma vocação agrícola na região e Uberaba, posso dizer, que é a nova capital do agronegócio. É preciso reconhecer, valorizar e entender o momento. Temos que nos colocar à disposição dos que têm a dura e difícil missão de carregar o país nas costas.

JU – O senhor tem amigos e familiares na cidade de Uberaba. Tem agenda no município. Pensando nisso, o senhor pretende construir uma base sólida em Uberaba e nas cidades que a margeiam?
Zé Vitor – Sem dúvida. Pelo carinho e relações pessoais, claro. Mas, inevitavelmente, temos que trabalhar. No Triângulo e Alto Paranaíba são poucos os deputados eleitos e isso aumenta muito a nossa responsabilidade e carga de trabalho. Uberaba é um dos grandes polos da nossa região e será uma cidade em que estaremos presentes, na rotina do dia a dia. Queremos participar das grandes discussões que podem gerar transformação.

JU – O partido do qual o senhor faz parte não se coligou com nenhum dos candidatos à presidência. No entanto, qual é a sua posição em relação ao segundo turno enquanto deputado eleito?
Zé Vitor – Como você bem disse, não nos posicionamos. Pessoalmente, eu acredito que é preciso buscar um novo caminho. E tenho uma tendência a me posicionar a favor de um novo projeto e esse novo projeto eu enxergo em um candidato que não foi meu primeiro voto [no primeiro turno]. Mas, no segundo turno, possivelmente meu voto será do candidato Jair Bolsonaro.

JU – Muitos dizem que a Legislação Ambiental prejudica o Agronegócio. O seu mandato vai trabalhar para flexibilizar a legislação ou para enrijecer em cima dos produtores rurais?
Zé Vitor – Acredito que precisemos de pequenos ajustes na legislação. A legislação é si, razoavelmente evoluiu nos últimos tempos. Hoje, como novo Código Florestal, há um avanço. Alguns pontos precisam ser revistos e o tempo já nos mostrou o que é preciso melhorar. O que desgasta o produtor não é legislação, mas sim a burocracia dentro do processo de licenciamento ambiental para aqueles que buscam se regularizar. A burocracia é o que impede o avanço. Mas, é bom destacar, inclusive fiz parte desse momento, o grande avanço dos últimos meses. Enquanto superintendente da Supram (Superintendência Regional de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável), eu pude articular e perceber o quanto esse processe evoluiu e agilizou-se. Burocracia não combina com desenvolvimento, não combina com bem-estar e não há meio ambiente protegido se houve burocracia entre quem quer se regularizar e a regularização propriamente dita. Então, esse ponto vai merecer atenção especial no nosso mandato.

JU – Sua linha de atuação já se demonstrou comprometida com a saúde, sobretudo dos menos favorecidos, tanto que sua atuação na cidade de Araguari e região é reconhecida. Nesse contexto, como o senhor enxerga que o SUS pode ser melhorado?
Zé Vitor – Sobre o SUS, acredito que temos o que fortalecer. Se não me engano, estão previstos cerca de R$ 118 bilhões para a saúde em 2019. Por outro lado, 1/4 da população possui algum plano de saúde. Então, quando analisamos isso começamos a nos assustar, pois, mesmo com tantas pessoas tendo alternativa, nosso sistema não funciona tão bem.
É preciso haver uma grande discussão, uma revisão no modelo de gestão, uma vez que o formato não tem sido satisfatório. Saúde, acima de tudo, requer investimentos, e espero que haja um maior foco na saúde. Que possamos simplificar, enxugar a máquina para que haja capacidade de investimentos e que estes venham principalmente para a saúde, educação e segurança. É um ponto extremamente sensível, pois quando uma pessoa fica doente, a família adoece junto, e isso interfere na rotina, na capacidade de trabalho e temos que trabalhar pelo bem-estar das famílias. Investimento é o que precisa ser feito, mas, antes disso, é preciso repensar o modelo de gestão do país para, então, recuperarmos a capacidade de investimento e transformar o SUS em um sistema forte e capaz de atender toda essa demanda.

JU – O Estado de Minas Gerais está quebrado, vindo de duas administrações – PSDB e PT. Os servidores não conseguem receber em dia. Sua atuação será voltada para atuar junto ao Governo Federal na tentativa de sanar essas dívidas?
Zé Vitor – Sem dúvida! Sou filho uma servidora pública estadual – minha mãe é professora – e eu percebo a agonia. Além dela e outros servidores, os municípios têm passado por uma dificuldade financeira muito grande por conta da desordem administrativa, o caos financeiro provocado pelos governos. E não vi medidas efetivas para combater isso. Acredito que precisamos urgentemente socorrer os municípios e os estados. Minas é um estado muito caro, complexo e burocrático e precisamos apoiar. Nosso papel em Brasília é, sem dúvida, reconstruir Minas Gerais e tenho insistido nisso, pois acredito que seja possível. Toda essa renovação, esse novo clima em Brasília… as urnas mostraram. Isso vai nos permitir discutir alternativas para apoiar os estados, sobretudo o nosso.

JU – O Triângulo Mineiro sempre votou em desacordo com a capital. Sempre foi oposição. Hoje, inclusive, temos um candidato ao governo que é de Araxá. O senhor achar que o Triângulo Mineiro e Alto Paranaíba devem continuar no estado de Minas Gerais ou se tornar independe?
Zé Vitor – Essa discussão sobre separação é muito ampla e complexa. Se olharmos apenas por um lado, parece que somos desprestigiados. Se olharmos por outro lado, existe uma interdependência entre as regiões que a gente precisa respeitar. Acho que, no momento, temos outras discussões mais importantes. Primeiro é preciso arrumar a casa, pois não podemos herdar uma casa desarrumada. Estamos todos no mesmo barco e temos que remar para frente e reconstruir para a reconstrução de Minas Gerais. Como foi dito, temos um candidato que mostrou nas runas que possui grandes condições de vencer. Talvez seja ele o político capaz de colocar a casa em ordem e o tempo vai dizer se as urnas estão certas ou não. Espero que estejam. Mas, acho prematuro falar sobre isso. Temos outros pontos mais importantes para tratar e defender do que essa separação. Embora eu acredite que teríamos condições de ser um estado muito forte, com boa qualidade de vida e Índice de Desenvolvimento Humano acima da média. Seria uma grande oportunidade. Mas, nesse momento, a prioridade é arrumar a casa.

JU – Qual mensagem o senhor deixaria para os moradores de Uberaba?
Zé Vitor – Quero, primeiramente, agradecer a todos que acreditaram. Tenho certeza de que teremos um grande relacionamento, pois Uberaba é uma cidade polo, de economia extremamente diversificada com muitos e bons resultados. Uberaba é uma cidade vanguardista, sempre à frente do tempo, e espero participar do processo político da cidade. Tenho muito a contribuir e vou me esforçar para estar no dia a dia da cidade, pois, inevitavelmente, Uberaba é uma referência e as grandes discussões acontecem aí. Quando o município não promove [essas discussões], ele participa ativamente. Por isso, temos de estar juntos. O momento é de reagir e começamos a reação.

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