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VAR: para quem se sentir prejudicado

O auxílio eletrônico para os árbitros já é uma realidade no futebol. Por isso, seu uso da forma que acontece com sucesso no vôlei e no tênis não traria tantas polêmicas

Humberto Peron
Globoesporte.com

Teve a experiência na Copa do Mundo, que julguei como positiva. Mas por aqui, o VAR está trazendo mais polêmicas para as partidas do que tirando realmente as dúvidas. Não vamos esquecer o que aconteceu nas fases finais – principalmente na decisão – da Copa do Brasil e nas últimas semanas nos Campeonatos Estaduais, com a utilização do sistema.
Penso que como ele é usado agora não passa nenhuma transparência. Como o público não tem acesso aos diálogos entre o árbitro e a cabine, fica a grande impressão, que são escolhidos os lances que devem ser analisados – ou não. Isso, para alguns pode ser uma manipulação, pois um empurrão dentro da área do time A é analisado e um lance semelhante do time B a arbitragem (campo e cabine) a partida segue, com ninguém sabendo se houve a verificação (mesmo sendo exaustivamente dito que todas as jogadas passam pelo análise de quem está na sala fechada) .
O sistema atual também gera uma pressão maior para arbitragem. Quem está dentro do campo já está pensando bem mais para marcar uma irregularidade, mesmo com árbitro tendo total convicção. Ele prefere deixar o lance seguir para não correr o risco de ser desmentido pela a imagem e ter que voltar o lance – o que também vai desestabilizar a atuação durante o resto do jogo, pois o vídeo torna público um erro. Já quem está na cabine, fora totalmente do clima do jogo, fica com o poder total de decisão de influenciar quem está no gramado.
Não há árbitro, mesmo que tenha uma personalidade forte, que não fique com uma grande desconfiança de sua decisão, quando alguém lhe avisa que pode ter ocorrido algo irregular na jogada e ele precisa, com o olhar de todos, correr até a tela para rever a jogada.
Para quem possa ter dúvida disso, o VAR cria uma pressão tão grande em que está em campo, que, em clássico paulista recente, teve auxiliar de arbitragem comemorando por não ter assinalado impedimento em um cruzamento em que saiu um gol. Ou seja, mesmo ele tendo convicção no lance, sendo um bom bandeira e acertando no lance, o auxiliar ficou angustiado até que o árbitro autorizasse a saída de bola.
O VAR também não deve criar o clima de ansiedade no estádio – torcedores e jogadores – apenas pelo fato do árbitro fazer menção de colocar a mão no ouvido. Por tudo isso, penso que o árbitro de vídeo só deveria ser chamado quando a equipe que se sentiu prejudicada pedisse o auxílio. Imediatamente todos saberiam o que está sendo analisado e não se criaria nenhuma especulação.
Quem ousaria cobrar alguma coisa da arbitragem sabendo que quem esteve diretamente envolvido no lance nem percebeu ou reclamou do lance?
Lógico que deveriam ter critérios para isso, para não virar uma bagunça e a partida não demorar três horas para acabar. Manteria os quatro critérios para utilização do VAR: Gols, pênaltis, cartão vermelho direto e erro de identificação de jogadores na aplicação de cartões. Por isso, restringiria o número de pedidos que cada time poderia fazer nos 90 minutos. Seriam apenas três para o jogo todo, com o máximo de dois pedidos por etapa. Se a equipe não tivesse utilizado nenhum dos desafios, passado dos 40 minutos de qualquer tempo, só haveria direito a um pedido, para evitar que o jogo parasse até quatro vezes nos minutos finais.
O pedido deveria ser feito pelo capitão do time, que realmente agora teria uma função importante no campo, além do sorteio de início do jogo, ou pelos goleiros, que tem visão de frente dos lances, principalmente aqueles que acontecem na área que eles defendem. Assim, bem diferente do que acontece atualmente, os protagonistas dos lances (os jogadores) não ficaram alijados na decisão de quais lances deveriam ser analisados.
O VAR já é uma realidade no nosso futebol, o que é preciso que seu uso seja aperfeiçoado e o recurso eletrônico não surja tanto em polêmicas como está acontecendo nesse início. No futebol sempre vai valer: “arbitragem boa (formada agora por campo mais vídeo), sempre passa despercebida”.

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